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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Danilo Di Prete

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.03.2017
17.06.1911 Itália / Toscana / Pisa
08.03.1985 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Sem Título, 1969
Danilo Di Prete
Mista sobre tela, c.i.d.

Danilo di Prete (Pisa, Itália 1911 - São Paulo, São Paulo, 1985). Pintor, artista visual, ilustrador e cartazista. Autodidata, inicia carreira aos 20 anos, na Itália. Integra, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Grupo de Artistas Italianos em Armas e, com eles, ilustra episódios da guerra na Albânia, Grécia e Iugoslávia. Sua pintura no perí...

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Biografia

Danilo di Prete (Pisa, Itália 1911 - São Paulo, São Paulo, 1985). Pintor, artista visual, ilustrador e cartazista. Autodidata, inicia carreira aos 20 anos, na Itália. Integra, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Grupo de Artistas Italianos em Armas e, com eles, ilustra episódios da guerra na Albânia, Grécia e Iugoslávia. Sua pintura no período é figurativa, e entre os temas que explora fora do grupo predominam marinhas, naturezas-mortas e retratos. Chega ao Brasil em 1946, fixa-se em São Paulo, e por quatro anos dedica-se à atividade publicitária. Em 1951, participa da Bienal Internacional de São Paulo e conquista o prêmio nacional de pintura, com o quadro Limões. Motivado a trazer artistas do pós-guerra europeu ao Brasil, ele teria sugerido a Ciccillo Matarazzo (1898 - 1977) a idéia de uma bienal nos moldes da de Veneza. O artista não é citado por Yolanda Penteado (1903 - 1983), esposa de Matarazzo, em suas memórias, nem por Antonio Bivar (1939), seu biógrafo, mas é consenso que ele atua no planejamento da exposição. Participa de outras doze bienais. Em 1965, volta a receber o prêmio nacional de pintura, na 8ª Bienal Internacional de São Paulo.

Análise

Embora às vezes trabalhe com composições futuristas, Danilo Di Prete está distante do universo temático desse movimento. Mas, segundo o crítico Mário Pedrosa, é influenciado pelos "esquemas colorísticos vibrantes do futurismo". Ainda assim, algumas de suas pinturas, como Cogumelos (1945), e Cabinas na Praia de Viareggi (1946), ambas pertencentes ao Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), operam mais com transições entre tons escuros e a indefinição nas formas que essas transições sugerem do que com as cores fortes e superfícies delimitadas do futurismo.

A obra Marinha, década de 1950, mostra um barco elevado por dois cavaletes na areia. O verde que toma parte do casco está em contraste com os tons quase pastel que preenchem a atmosfera, unindo de maneira sutil as formas da embarcação e da praia às cores e mudanças de tonalidades. Esse movimento de aproximação quase intimista do espectador à obra pode ser verificado de forma acentuada na tela Limões, vencedora, em 1951, do prêmio nacional de pintura da 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Uma natureza-morta em que predomina o contraste entre a forma dos objetos e sua disposição na perspectiva do quadro, e entre a intensidade do verde e as transições tonais entre o ambiente, a mesa e os objetos dispostos sobre ela.

A década de 1960 representa uma ruptura na trajetória do artista, que abandona o figurativismo e passa a criar exclusivamente telas abstratas. Igualmente radical é a mudança temática em sua obra. Seus quadros agora retratam superfícies planetárias, astros e o cosmos. Vale notar que a busca por uma pintura "planetária e cósmica" coincide com o início da corrida espacial empreendida pela União Soviética e Estados Unidos. Progressivamente, as pinturas vão ganhando arame, nylon, cano, lâmpada e outros objetos. Di Prete começa a usar suportes menos tradicionais, como caixas e superfícies plásticas, que conferem uma dimensão tátil à obra e mais peso a noção de movimento. A dinâmica das linhas torna-se mais ágil e os materiais de ferro, quando dobrados, provocam tensão no quadro de tal maneira que essas superfícies colocam os demais elementos em estado de quase agitação. Há algo de exaltação tecnológica nesse procedimento, lembrando a própria mecânica de foguetes e satélites, como é o caso do relevo Paisagem Cósmica 2, de 1967. O quadro é uma profusão de linhas e curvas que remetem aos mais variados corpos celestes. E se, por um lado, os objetos afixados na tela afirmam o novo horizonte científico que se abre na época, por outro, apontam para uma experiência artística, chamada por ele de "arte total", cada vez mais evidente em sua obra.

Se antes o movimento é fruto da tensão entre os objetos, os suportes e as formas no quadro, em meados da década de 1970, Di Prete o revela de forma mais aparente, ao incorporar saídas de ar, luzes, sons e outros apetrechos às obras. Os motores e aparelhos eletrônicos ainda reforçam a idéia de tecnologia, presente desde seus primeiros trabalhos abstratos, mas a questão central do artista agora é a busca por uma experiência na qual o espectador, imerso em luzes piscantes, sons e imagens, apreenda o movimento das formas que a pintura tradicional já não pode mais expressar.

Obras 11

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Reprodução fotográfica Romulo Fialdini/Itaú Cultural

Cosmos Branco

Mista sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Limões

Óleo sobre tela

Exposições 101

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Eventos relacionados 1

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Fontes de pesquisa 15

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1982. 709.81 A163a
  • DANILO Di Prete. Apresentação de Jean Cassou, Geraldo Ferraz, Maria Eugenia Franco e. Textos de José Geraldo Vieira e Mário Pedrosa. São Paulo: Espaço Cultural Chap Chap, 1985. Não catalogado
  • DI PRETE. São Paulo, Espaço Cultural Chap Chap, 1985.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5). R703.0981 C376d
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM. 759.981 L533q
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • PEDROSA, Mário. Mundo, homem, arte em crise. Organizado por Aracy Amaral. São Paulo: Perspectiva, 1975. (Debates, 106).
  • PEDROSA, Mário; AMARAL, Aracy (org.). Mundo, homem, arte em crise. Direção da coleção J. Guinsburg; design da capa Moysés Baumstein; produção Lúcio Gomes Machado. São Paulo: Perspectiva, 1975. 701.18 P372m
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1. 709.81 H673 v.1

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