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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Almeida Júnior

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 05.02.2021
08.05.1850 Brasil / São Paulo / Itu
13.11.1899 Brasil / São Paulo / Piracicaba
Reprodução fotografica Romulo Fialdini

Prudente de Morais, 1890
Almeida Júnior
Óleo sobre tela, c.i.d.
144,00 cm x 235,00 cm
Acervo do Museu Paulista (São Paulo, SP)

José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, São Paulo, 1850 – Piracicaba, São Paulo, 1899). Pintor. Interessado por costumes, cores e luminosidades regionais, Almeida Júnior aplica sua formação tradicional para explorar temas até então inéditos no cenário artístico nacional.

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José Ferraz de Almeida Júnior (Itu, São Paulo, 1850 – Piracicaba, São Paulo, 1899). Pintor. Interessado por costumes, cores e luminosidades regionais, Almeida Júnior aplica sua formação tradicional para explorar temas até então inéditos no cenário artístico nacional.

Desde cedo, revela inclinação para o desenho e a pintura. Aos 19 anos muda-se para o Rio de Janeiro, com a ajuda financeira de parentes e amigos, a fim de ingressar na Academia Imperial de Belas Artes (Aiba). Durante a permanência na instituição, segue o caminho tradicional de formação de todo pintor acadêmico: frequenta os dois anos de aulas obrigatórias da disciplina desenho, considerada preliminar para o aprendizado da pintura. Posteriormente, cursa matérias específicas como desenho geométrico e figurado, modelo vivo, pintura histórica, anatomia e fisiologia das paixões, estética e matemática aplicada. Entre seus professores estão Jules Le Chevrel (ca.1810-1872) e Victor Meirelles (1832-1903).

Termina os estudos em 1874, com destaque pela qualidade de seus trabalhos e condecorações pelo desempenho em disciplinas, entre elas, a medalha de ouro com a tela Belizário Esmolando, na última participação como aluno na Exposição Geral de Belas Artes da Aiba. Sem concorrer ao prêmio de viagem, em 1875, volta para Itu, onde abre um ateliê e atua como retratista e professor de desenho. Trabalha sob encomenda, principalmente de retratos, entre eles o de Antônio Queiroz Telles (1789-1870), presidente da Estrada de Ferro Mogiana, e o de Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra (1837-1895), presidente da província de São Paulo. Essas obras são as responsáveis pela bolsa de estudos de aperfeiçoamento na Europa oferecida ao artista pelo imperador Dom Pedro II (1825-1891). 

Muda-se para Paris em 1876 e, no ano seguinte, frequenta aulas de desenho na capital francesa. Em 1878, ingressa na tradicional École National Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes]. Faz um curso de três anos, tendo como principal professor o pintor francês Alexandre Cabanel (1823-1889), um dos maiores inimigos dos impressionistas. Essa estada serve mais para ratificar os valores aprendidos na Aiba e para o aprimoramento técnico – domínio do desenho e da geometria da composição, por exemplo – do que para efetuar uma mudança na orientação artística de Almeida Júnior. 

Tem quatro participações no Salon Officiel des Artistes Français [Salão Oficial dos Artistas Franceses], de 1879 a 1882. Na edição de 1880, apresenta o trabalho O Derrubador Brasileiro (1879), considerado precursor do conjunto de quadros de temática regionalista, entretanto, ainda bem distante do caráter realista e da luminosidade das pinturas "caipiras".

Em 1882, volta ao Brasil, expõe na Aiba as obras produzidas em Paris e instala um ateliê em São Paulo. Promove vernissages exclusivos para imprensa e potenciais compradores e redige textos informativos sobre os quadros, colaborando para o amadurecimento artístico do país ao propor o estabelecimento de uma relação mais moderna com o mercado local. Também tem relevante papel na formação de novas gerações de artistas, entre eles Pedro Alexandrino (1856-1942)

Em 1886, Victor Meirelles o convida para ocupar sua vaga na Aiba como professor de pintura histórica, mas o artista decide ficar em São Paulo. Os quadros caipiras e a pintura de gênero, em geral com cenas do cotidiano burguês (por exemplo Leitura, de 1892), são bem aceitos pela burguesia empenhada na construção de uma imagem para si mesma, a história do povo paulista. 

Sem deixar de explorar outras vertentes, Almeida Júnior realiza, na última década de sua vida, o conjunto de telas de temática regionalista com o qual conquista seu lugar na história da arte brasileira. Em pinturas como Caipiras Negaceando (1888), Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894), Apertando o Lombilho (1895), O Violeiro (1899) revela-se a admiração por pintores não acadêmicos, mas de grande importância na França do século XIX, como o realista Gustave Courbet (1819-1877) ou Jean-Baptiste-Camille Corot (1796-1875). 

Nota-se o desejo de aproximação realista ao cotidiano do homem do interior sem o filtro das fórmulas universalistas. Não hesita em retratar o caipira em seu ambiente pobre e simples, em sua vida calma e triste, sem nunca ridicularizá-lo ou transformá-lo em personagem pitoresco. As lições de desenho e composição geométrica de sua formação acadêmica, contudo, não são abandonadas. Elas coexistem com as inovações introduzidas pelo artista, tanto na temática quanto na composição estética, com a luminosidade solar presente no clareamento da paleta e a gestualidade mais livre. 

Muitos críticos de arte contemporâneos e posteriores ao artista celebram nele o que consideram ser um primeiro arroubo do caráter nacional na pintura brasileira, entre eles intelectuais de lados opostos como Monteiro Lobato (1882-1948) e Mário de Andrade (1893-1945)

O trabalho de Almeida Júnior propõe uma estética mais adequada aos aspectos nacionais do que as convenções eurocêntricas. Sua atenção aos costumes e às cores regionais representam modos de vida brasileiros, sem o recurso da caricatura e com perspicácia tão inovadora quanto fidedigna.

Obras 64

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Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

A Estrada

Óleo sobre tela
Reprodução fotografica Romulo Fialdini

A Noiva

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

A Pintura

Óleo sobre tela

Exposições 91

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Feiras de arte 1

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Mostras 1

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Fontes de pesquisa 31

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  • ALMEIDA JÚNIOR. Almeida Jr. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. (Grandes artistas brasileiros).
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  • ALMEIDA Júnior: vida e obra. Edição Marcos Antonio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1979. 58 p., il. p&b. color.
  • AMARAL, Aracy. A luz de Almeida Júnior. Revista USP. São Paulo, n.5, p. 57-60, mar. /abr. /maio, 1990.
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  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1992. 2v.
  • CAMPOFIORITO, Quirino. História da pintura brasileira no século XIX. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1983.
  • CHIARELLI, Tadeu. De Almeida Jr. a Almeida Jr: a crítica de arte de Mário de Andrade. 1996. 512 f. Tese (Doutorado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1996.
  • CHIARELLI, Tadeu. Um jeca nos vernissages. São Paulo: Edusp, 1995. (Texto e arte, 11).
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DUQUE, Gonzaga. A arte brasileira: pintura e esculptura. Introdução Tadeu Chiarelli. Campinas: Mercado de Letras, 1995. (Arte: ensaios e documentos).
  • DUQUE, Gonzaga. Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: Tipografia Benedicto de Souza, 1929.
  • De Almeida Jr. a Almeida Jr.: a crítica de arte de Mário de Andrade. 1996. 154 p., il. p&b. Doutorado - , São Paulo, 1996.
  • FABRIS, Annateresa (org.). Modernidade e modernismo no Brasil. Campinas: Mercado de Letras, 1994. (Arte: ensaios e documentos).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
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  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Revendo Almeida Júnior . 1980.
  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Revendo Almeida Júnior. 1980. 632 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, São Paulo, 1980.
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  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Negro de corpo e alma. Curadoria Emanoel Araújo, Maria Lúcia Montes, Carlos Eugênio Marcondes de Moura; tradução Christopher Ainsbury, Denise Kato, Doris Hefti, Douglas V. Smith, Eduardo Hardman, Eugênia Deheinzelin, Grant Ellis, H. Sabrina Gledhill, John Norman, Katica Szabó, Lilian Escorel, Regina Alfarano, Ricardo Gomes Quintana, Robert Slenes, Carlos Galvão, Suzanne Oboler, Elitza Bachvarova, Thomas William Nerney. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • NAVES, Rodrigo. Almeida Júnior: o sol no meio do caminho. Palestra apresentada no Pinacoteca do Estado de São Paulo. São Paulo, 2003.
  • O DESEJO na Academia: 1847-1916. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1991. 136 p., il. p.b. color.
  • O RETRATO na coleção da Pinacoteca. Texto Aracy Amaral. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1976. 20 p., il. p&b.
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  • SOUZA, Gilda Mello e. Pintura brasileira contemporânea: os precursores. In ______. Exercícios de Leitura. São Paulo: Duas Cidades, 1980. 286 p.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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