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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Wasth Rodrigues

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.04.2017
19.03.1891 Brasil / São Paulo / São Paulo
21.04.1957 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Paço Municipal em 1628, 1920
Wasth Rodrigues
Óleo sobre tela, c.i.d.
100,00 cm x 75,50 cm
Acervo do Museu Paulista (São Paulo, SP)

José Wasth Rodrigues (São Paulo, São Paulo, 1891 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Pintor, desenhista, ceramista, ilustrador, historiador e professor. Estuda com Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939), entre 1908 e 1909, em São Paulo. Em 1910, como pensionista do governo do Estado, viaja para Paris. Matricula-se na Académie Julian, onde est...

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Biografia

José Wasth Rodrigues (São Paulo, São Paulo, 1891 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Pintor, desenhista, ceramista, ilustrador, historiador e professor. Estuda com Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939), entre 1908 e 1909, em São Paulo. Em 1910, como pensionista do governo do Estado, viaja para Paris. Matricula-se na Académie Julian, onde estuda com Jean-Paul Laurens (1838 - 1921), e na École National des Baux-Arts freqüenta as aulas de Lucien Simon (1834 - 1910) e Nandi. Retorna a São Paulo em 1914 e, dois anos depois, inaugura com Georg Elpons (1865 - 1939) e William Zadig (1884 - 1952) um curso de desenho e pintura. Em 1917, realiza com Guilherme de Almeida (1890 - 1969) o brasão da cidade de São Paulo. Por volta de 1918, inicia estudos sobre história colonial, e é um dos pioneiros na análise sistemática das atividades artísticas praticadas nesse período. Na década de 1920, cria painéis decorativos para os quatro monumentos que ornamentam a Calçada do Lorena e a estrada velha de Santos. Em 1932, integra o grupo de fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna - SPAM. Realiza ilustrações para diversos livros, entre eles Urupês, de Monteiro Monteiro Lobato (1882 - 1948), Uniformes do Exército Brasileiro 1720-1922, de Gustavo Barroso (1888-1959), Brasões e Bandeiras do Brasil, de Clóvis Ribeiro (1933), e Vida e Morte do Bandeirante, de Alcântara Machado (1875 - 1941). Entre 1935 e 1936, realiza projeto para a restauração dos bancos e das grades de ferro da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto. De sua autoria são publicados os seguintes estudos: Documentário Arquitetônico Relativo à Antiga Construção Civil no Brasil (1945), Mobiliário do Brasil Antigo e Evolução de Cadeiras Luso-Brasilieras (1958).

Análise

Wasth Rodrigues estuda pintura com Oscar Pereira da Silva (1867 - 1939), entre 1908 e 1909. Realiza sua primeira exposição individual em 1910 e recebe do governo do Estado pensão para se aperfeiçoar na Europa. Em Paris, estuda na Académie Julian, com Jean-Paul Laurens (1838 - 1921) e na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes], com Lucien Simon (1861 - 1945) e Nandi. Freqüenta o café La Rotonde, onde tem contato com artistas como Mugnaini (1895 - 1975), Alípio Dutra (1892 - 1964), Monteiro França (1875 - 1944) e José Marques Campão (1892 - 1949). Trava amizade também com o pintor Amedeo Modigliani (1884 - 1920).

Retorna ao Brasil devido ao início da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), e fixa residência em São Paulo. Em 1916, expõe na cidade os trabalhos feitos na França e também suas novas paisagens, muitas delas realizadas em cidades no interior do Estado de São Paulo. Como aponta a estudiosa Ruth Tarasantchi, várias das telas ambientadas em São Paulo são composições com colinas suaves ao fundo, trechos de rio no primeiro plano e arbustos refletidos nas águas tranqüilas, que transmitem impressão de grande calma.

Nesse mesmo ano, Wasth Rodrigues cria um curso de arte com o pintor Georg Elpons (1865 - 1939) e com o escultor William Zadig (1884 - 1952), e dá aulas de pintura à noite. Viaja para Minas Gerais, e realiza trabalhos em aquarelas e bicos-de-pena, nos quais apresenta com riqueza de detalhes trechos da arquitetura colonial. Em paralelo, torna-se grande estudioso do assunto. Em 1921, percorre o norte do país, Bahia e Pernambuco. Seu interesse pela paisagem nacional desperta o interesse de Monteiro Lobato (1882 - 1948), que escreve sobre suas obras no jornal O Estado de S. Paulo e o convida a ilustrar a recém-lançada Revista do Brasil. Em 1918, cria a capa do livro Urupês, de Monteiro Lobato, a primeira das muitas que realizou.

Rodrigues faz retratos de personagens históricos como, por exemplo, o de João Ramalho e Martim Afonso de Souza e pinta diversas vistas da cidade de São Paulo, com base em desenhos e aquarelas realizados por viajantes que aqui estiveram no século XIX, principalmente por Hercule Florence (1804 - 1879). Os quadros foram encomendados, nas primeiras décadas do século XX, pelo diretor do Museu Paulista da Universidade de São Paulo - MP/USP, Affonso de Escragnolle Taunay, integram o acervo dessa instituição e ajudam a construir o imaginário do bandeirante paulista.

Ele trabalha também com pintura sobre azulejos, destacando-se as obras que faz para o obelisco do largo da Memória, em São Paulo, e para os monumentos existentes no Caminho do Mar, estrada tradicional entre Santos e São Paulo.

Wasth Rodrigues cria muitos ex-libris e brasões, como por exemplo o da cidade de São Paulo, em 1917, com  Guilherme de Almeida (1890 - 1969), e também o do Estado, em 1932. Destaca-se ainda por seu trabalho como historiador, deixando várias publicações voltadas à documentação arquitetônica da construção civil e religiosa e obras sobre mobiliário antigo, indumentária, insígnias e armas militares.

Obras 3

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Exposições 50

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Fontes de pesquisa 19

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  • 22º SALÃO Paulista de Belas-Artes. São Paulo: Galeria Prestes Maia, 1957.
  • 2ª Exposição Brasileira de Belas-Artes. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1913.
  • 50 ANOS de Paisagem Brasileira. São Paulo: MAM, 1956.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AZEVEDO, Valéria Silva Vicente de (org.). Iconografia paulistana em coleções particulares. Apresentação Francisco de Paula Simões Vicente de Azevedo, José Roberto Teixeira Leite. São Paulo: Sociarte, 1999. 80 p., il. color.
  • BATISTA, Marta Rossetti e LIMA, Yone Soares de. Coleção Mário de Andrade: artes plásticas. 2. ed. São Paulo: USP/IEB, 1998. 708.98161 A5536c 2.ed
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • FREIRE, Laudelino. Um século de pintura: apontamentos para a história da pintura no Brasil de 1816-1916. Rio de Janeiro: Fontana, 1983.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A Paisagem na Coleção da Pinacoteca. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo: 1970. Curadoria Carlos von Schmidt, Donato Ferrari, Paulo Mendes de Almeida, Delmiro Gonçalves. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1970. 12 p. Exposição realizada no período de dez. 1970 a fev. 1971.
  • PONTUAL, R. Dicionário das artes plásticas no Brasil; LEITE, J.R.T. Dicionário crítico da pintura no Brasil. R703.0981 P818d
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • RUBENS, Carlos. Pequena história das artes plásticas no Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1941. (Brasiliana. Série 5ª: biblioteca pedagógica brasileira, 198).
  • SPAM e CAM. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1975. (Ciclo de Exposições de Pintura Brasileira Contemporânea).
  • TARASANTCHI, Ruth Sprung. Pintores Paisagistas: São Paulo 1890 a 1920. São Paulo: Universidade de São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002.

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