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Antônio Cícero

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.07.2021
1945 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Antonio Cicero Correia Lima (Rio de Janeiro, RJ, 1945). Poeta, filósofo, ensaísta e compositor. Inicia os estudos na sua cidade natal, mas, em 1960, muda-se com a família para Washington, Estados Unidos, onde conclui o curso secundário. De volta ao Brasil, ingressa no curso de filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/...

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Antonio Cicero Correia Lima (Rio de Janeiro, RJ, 1945). Poeta, filósofo, ensaísta e compositor. Inicia os estudos na sua cidade natal, mas, em 1960, muda-se com a família para Washington, Estados Unidos, onde conclui o curso secundário. De volta ao Brasil, ingressa no curso de filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O contexto político brasileiro1, no entanto, o leva novamente ao exterior. Transfere-se para Londres, em 1969, onde conclui a graduação em filosofia. Em 1976, volta aos Estados Unidos para realizar curso de pós-graduação.

A partir do fim da década de 1970, destaca-se como compositor no cenário da música popular e rock nacionais, tendo canções gravadas por artistas como Zizi Possi (1956), Maria Bethânia (1946) e, principalmente, por sua irmã Marina Lima (1955). No início dos anos 1990, organiza, junto com Waly Salomão (1943-2003), o Banco Nacional de Ideias, composto de ciclos de palestras e debates. O Banco traz ao Brasil, entre 1991 e 1993, artistas e intelectuais como o poeta catalão Joan Brossa (1919-1998), o filósofo alemão Peter Sloterdijk (1947) e o poeta norte-americano John Ashbery (1927).

Em 1995, Antonio Cícero publica O Mundo Desde o Fim, livro que reúne ensaios filosóficos. No ano seguinte, edita o primeiro volume de sua poesia, intitulado Guardar. A partir da década seguinte, volta a publicar ensaios na área da filosofia (centrados em seus estudos sobre estética e filosofia da arte) - Finalidades sem Fim (2005), Poesia e Filosofia (2012) - e novas coletânea de poemas - A Cidade e os Livros (2002) e Porventura (2012).

Ao comentar as relações entre os seus trabalhos como filósofo e como poeta, Antonio Cicero costuma ressaltar as diferenças entre as duas atividades. Comenta que: “Na poesia, eu me deleito com o relativo e o particular. Na filosofia, busco a verdade absoluta e universal”. Ainda assim, é possível afirmar que muitos dos seus poemas apresentam um lastro filosófico, refletindo sobre questões metafísicas e até mesmo lógicas, como se pode perceber no poema "O Enigma de Hempel": “[...] Se todo corvo é preto então / todo não-preto é não-corvo/ e se todo não-preto é não-corvo/ então todo corvo é preto.// Todo corvo é preto/ Todo não-preto é não-corvo/ e cada não-preto não-corvo/ – cada folha verde cada onda azul cada gota de sangue –/ prova o negrume dos corvos”.

Grande parte da obra de Antonio Cicero evidencia o contato e a relação do autor com a literatura grega e latina dos períodos clássicos. As referências a mitos e personagens, como Proteu, Helena, Ícaro, Prometeu, entre outros, e a autores - Homero, Catulo, Safo, Horácio etc. -, no entanto, não implicam um distanciamento do autor dos temas ou da linguagem contemporânea. Como afirma o crítico e músico José Miguel Wisnik (1948), utilizando-se de: “Uma dicção clássica, grega e latina, capaz de odes e nênia”, a poesia de Antonio Cicero “acha o ponto exato da ruína eternamente contemporânea”2.

Desta forma, temas, figuras e paisagens gregas confundem-se com temas, figuras e paisagens contemporâneas do Rio de Janeiro - cidade central na poesia de Antonio Cicero, referida por meio de seus bairros, de suas praias e sua história, como se vê em Antigo Verão: “(...)/ e eis que as nuvens a cobrir a lua/ e o Corcovado já se dispersavam,/ auspiciando uma manhã de praia/ para um rapaz que àquela altura era/ o derradeiro barco para Citera”.

Também por devido à relação indicada por Wisnik, é possível notar a coexistência e a sucessão, ao longo da sua obra, da dicção e da forma clássica e da linguagem coloquial e da forma mais contemporânea da canção popular.

Notas

1. Politicamente, o Brasil passa por uma ditadura militar, que se instaura em 1º de abril de 1964 e permanece até 15 de março de 1985. Os direitos políticos dos cidadãos são cassados e os dissidentes perseguidos.

2. WISNIK, José Miguel. Apresentação. In: CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002.

Exposições 1

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