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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Orlando Brito

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 11.03.2022
08.02.1950 Brasil / Minas Gerais / Janaúba
11.03.2022 Brasil / Distrito Federal / Brasília
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Diretas-Já, 1984
Orlando Brito
Matriz-negativo

Orlando Péricles Brito de Oliveira (Janaúba, Minas Gerais, 1950 - Brasília, Distrito Federal, 2022 ). Fotógrafo. Atuando em importantes veículos de comunicação do país, seja como fotógrafo ou editor, Orlando torna-se um cronista da política brasileira explorando diferentes técnicas e composições fotográficas, passando por retratos de políticos o...

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Orlando Péricles Brito de Oliveira (Janaúba, Minas Gerais, 1950 - Brasília, Distrito Federal, 2022 ). Fotógrafo. Atuando em importantes veículos de comunicação do país, seja como fotógrafo ou editor, Orlando torna-se um cronista da política brasileira explorando diferentes técnicas e composições fotográficas, passando por retratos de políticos ou pelo registro de símbolos nacionais, sempre evidenciando os bastidores das relações de poder no Brasil.

Autodidata, por volta de 1965, inicia na profissão como laboratorista do jornal Última Hora, em Brasília, tornando-se, dois anos depois, fotógrafo do periódico. Desde os primeiros momentos da ditadura militar, quando inicia sua carreira, retrata personalidades políticas e acompanha importantes momentos da história brasileira contemporânea. Seus principais trabalhos apresentam imagens emblemáticas do regime militar, os bastidores do Palácio do Planalto e flagrantes dos presidentes em situações não protocolares.

Atuando na imprensa desde os anos 1960, o fotógrafo pôde acompanhar de perto a rotina de diferentes governantes. Ele procura fotografá-los em situações prosaicas e em momentos de distração, quando é possível vislumbrar o indivíduo descolado de sua persona pública. Nesse sentido, do ponto de vista histórico, a produção de Brito se vincula ao trabalho de Erich Salomon (1986-1944), um dos primeiros repórteres fotográficos atuantes na Alemanha nos anos 1920. Salomon fica conhecido por retratar chefes de Estado em situações pouco convencionais que, por vezes, despem e desmistificam as personalidades públicas.1

Durante sua trajetória transita entre Brasília e Rio de Janeiro, colaborando em importantes veículos de comunicação como na sucursal brasiliense do jornal O Globo, de 1969 a 1981, onde consolida sua carreira de fotógrafo, e, em seguida, transfere-se para a filial carioca da revista Veja, assumindo o cargo de editor de fotografia até 1985. Atua ainda como editor do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, de 1987 a 1989, e, nos anos 1990, retorna a Brasília, onde é chefe do escritório local da revista Caras.

Muitas vezes suas fotos tornam-se comentários críticos da situação política vigente. Sua produção carrega um repertório amplo de possibilidades visuais como fotografias que exploram a contraluz, closes bem com distorções provocadas por determinadas lentes, para construir mensagens fotográficas que, por vezes, adquirem um sentido alegórico. Nelas, as características técnicas, a escolha do "momento decisivo", as poses e a disposição dos objetos ganham conotações simbólicas.

O regime militar e suas simbologias ligadas ao poder estão presente em suas obras de forma direta, através dos retratos de presidentes e políticos ligados ao regime bem como de maneira alegórica, com imagens que trazem composições envolvendo o uso de primeiro e segundo plano para desenhar as relações políticas, sociais e do poder no Brasil do período. Como é o caso da fotografia do presidente Ernesto Geisel (1907-1996), quando, no final da década de 1970, anuncia à nação que seu sucessor seria o general João Baptista Figueiredo (1918-1999), e não um representante da ala civil. Orlando Brito opta por dar uma feição negativa à cena, registrando-a em silhueta. Segundo ele, "os jornalistas foram colocados num lugar aparentemente inadequado, contra a luz. Adorei, pois foi o único ponto de vista que tive para mostrar a decisão obscura do presidente”.2

O registro de uma parada militar de 7 de setembro, feito em 1976, enfoca as botas de um soldado que está suspenso numa espécie de andaime sobre a multidão, calada e séria. Sob os coturnos - que remetem diretamente à força arbitrária do regime -, a sociedade civil parece ter um papel coadjuvante. Nessa foto realizada no período do regime, a festa da independência não é propriamente uma comemoração popular.

O poder do Exército aparece representado também em outra imagem dos anos 1970 que focaliza novamente as botas de um soldado em primeiro plano com o prédio do Congresso ao fundo.
A obra de Brito se dá além dos retratos, registra objetos e a arquitetura símbolos da política brasileira como em sua fotografia da bandeira do Brasil hasteada na praça dos Três Poderes feita na mesma década. Nela, Brito faz alusão à ideia de um país desordenado, embora, por ironia, possa ser lida a inscrição da palavra "ordem". O símbolo da pátria não é altivo, como se poderia esperar. Ao contrário, ele aparece dobrado sobre si mesmo, confuso e amassado, o que faz pensar em algo disforme e desestruturado.

Os primeiros presidentes eleitos por voto popular também estão presentes em seus retratos que podem ser vistos como uma crônica da história política brasileira. Em 1989, após um período de 25 anos de eleições indiretas, Brito registra o então candidato à presidência Fernando Collor de Mello (1949) junto de uma série de signos que buscam construir a imagem de um dirigente jovem, mas apegado a valores tradicionais como a família e a religião. A foto sugere que a consistência política de Collor se baseava principalmente em estratégias de marketing. Entre outros objetos, em sua mesa de trabalho há um retrato da esposa, uma estatueta de Nossa Senhora da Conceição e o exemplar de um manual chamado Como Se Faz um Presidente da República.

Importante pontuar que há momentos, na obra de Brito, em que a dimensão estética da imagem se sobrepõe ao conteúdo, diferenciando-se dos exemplos expostos, como é o caso de um retrato idílico de José Sarney (1930) lendo "distraidamente" sob uma árvore ou a silhueta de Fernando Henrique Cardoso (1931) emoldurada pelas esquadrias do salão do Palácio da Alvorada que mostram os presidentes em situações idealizadas, embora os resultados se distanciem, assim como a maior parte de seus trabalhos, das poses oficiais.

Um dos nomes mais importantes do fotojornalismo brasileiro, Orlando deixa importantes registros sobre a política do país, nos quais reúnem-se retratos e imagens de símbolos nacionais em meio à arquitetura brasiliense, seja ela física ou em seu aspecto alegórico relacionado ao poder e a sociedade, especialmente ligada ao regime militar.

Notas

1. Depoimento de Orlando Brito no site da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

2. SOUZA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis; Chapecó: Letras Contemporâneas; Editora Grifos, 2000, p. 70-75.

Obras 11

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Collor

Matriz-negativo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Cruzeiro

Matriz-negativo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Diretas-Já

Matriz-negativo

Exposições 33

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Fontes de pesquisa 8

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  • BRASIL: 22 DE ABRIL DE 1500- 1999: cem fotógrafos retratam o cotidiano do país em 24 horas. Coord. Paula Simas. Brasília: Ipiranga, 1999. 212 p., il. p&b, color.
  • BRASIL: 22 de abril de 1500-1999: 100 fotógrafos retratam o cotidiano do país em 24 horas. Projeto editorial Paula Simas; coordenação de texto Itara Viotti; produção Ana Inês Ferreira, Daniela Lemos; versão em inglês Linda Clark; projeto gráfico Francisco Amaral; layout Francisca Magalhães, Wellington Saamarin; consultoria Flávio Andrade. Brasília: Ipiranga, 1999. 212 p., il. color. ISBN 85-97718-01-0. 770.981 B823v
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli / MASP de Fotografias: v. 1. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Masp, 1991. SPmasp cpirelli 1991
  • FOTOGRAFIAS no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: MAM, 2002. CAT-G SPmam 2002/f
  • PAIVA, Joaquim (org.). Visões e alumbramentos: fotografia brasileira contemporânea na coleção Joaquim Paiva. Versão em inglês Katica Szabó, Laura Ferrari. São Paulo: BrasilConnects Cultura & Ecologia, 2002. 770.981 Pj149p
  • Revista IrisFoto, São Paulo, dez.1993. Não Cadastrado
  • SOUZA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis; Chapecó: Letras Contemporâneas; Editora Grifos, 2000. Não Cadastrado
  • ÍCONE do fotojornalismo brasileiro, Orlando Brito morre aos 72 anos em Brasília. G1, Brasília, 11 mar. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/03/11/icone-do-fotojornalismo-brasileiro-orlando-brito-morre-aos-72-anos-em-brasilia.ghtml. Acesso em: 11 mar. 2022.

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