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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Orlando Brito

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
08.02.1950
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Presidente Ernesto Geisel, 1976
Orlando Brito
Matriz-negativo

Orlando Péricles Brito de Oliveira (Janaúba MG 1950). Fotógrafo. Autodidata, por volta de 1965, inicia na profissão como laboratorista do jornal Última Hora, em Brasília, tornando-se, dois anos depois, fotógrafo do periódico. Trabalha na sucursal brasiliense do jornal O Globo de 1969 a 1981, e, em seguida, transfere-se para a revista Veja, assum...

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Biografia
Orlando Péricles Brito de Oliveira (Janaúba MG 1950). Fotógrafo. Autodidata, por volta de 1965, inicia na profissão como laboratorista do jornal Última Hora, em Brasília, tornando-se, dois anos depois, fotógrafo do periódico. Trabalha na sucursal brasiliense do jornal O Globo de 1969 a 1981, e, em seguida, transfere-se para a revista Veja, assumindo o cargo de editor de fotografia até 1985. Atua como editor do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, de 1987 a 1989. Nos anos 1990, retorna a Brasília, onde é chefe do escritório local da revista Caras. Entre 1989 e 1993, trabalha novamente como repórter fotográfico da Veja. Tendo retratado presidentes e personalidades políticas desde a ditadura militar, sua obra é conhecida, sobretudo, como um registro crítico da recente história do Brasil. É o primeiro brasileiro a receber o World Press Photo Prize concedido pelo Museu Van Gogh, na Holanda, em 1979. Conquista 11 vezes o Prêmio Abril de Fotografia e, a partir de 1987, é considerado hors-concours da premiação. Em 1991, ganha bolsa da Fundação Vitae para a realização do projeto Senhoras e Senhores, em que fotografa pessoas famosas com mais de 80 anos. Publica os livros O Perfil do Poder, 1981, Senhoras e Senhores, 1992, Brasil: de Castello a Fernandos, 1996 e Poder, Glória e Solidão, 2002.

Comentário Crítico
Orlando Brito é um dos mais destacados repórteres fotográficos do Brasil. Desde o começo da ditadura militar, em 1964, quando inicia sua carreira, retrata personalidades políticas e acompanha importantes momentos da história brasileira contemporânea. Seus principais trabalhos apresentam imagens emblemáticas do regime militar, os bastidores do Palácio do Planalto e flagrantes dos presidentes em situações não protocolares.

Muitas vezes suas fotos tornam-se comentários críticos da situação política vigente. Ele manipula um repertório amplo de possibilidades visuais (contraluzes, closes, distorções provocadas por determinadas lentes etc.) para construir mensagens fotográficas que, por vezes, adquirem um sentido alegórico. Nelas, as características técnicas, a escolha do "momento decisivo", as poses e a disposição dos objetos ganham conotações simbólicas.

No fim dos anos 1970, quando o presidente Ernesto Geisel (1907-1996) anuncia à nação que seu sucessor seria o general João Baptista Figueiredo (1918-1999), e não um civil, Orlando Brito opta por dar uma feição negativa à cena, registrando-a em silhueta. Segundo ele, "os jornalistas foram colocados num lugar aparentemente inadequado, contra a luz. Adorei, pois foi o único ponto de vista que tive para mostrar a decisão obscura do presidente."1

O registro de uma parada militar de 7 de setembro feito em 1976, enfoca as botas de um soldado que está suspenso numa espécie de andaime sobre a multidão, calada e séria.2  Sob os coturnos - que remetem diretamente à força arbitrária do regime -, a sociedade civil parece ter um papel coadjuvante. Nessa foto realizada no período de exceção, a festa da independência não é propriamente uma comemoração popular. O poder do Exército aparece representado também em outra imagem dos anos 1970 que focaliza novamente as botas de um soldado em primeiríssimo plano com o prédio do Congresso ao fundo.

Na foto da bandeira do Brasil hasteada na praça dos Três Poderes feita na mesma década, Brito faz alusão à idéia de um país desordenado, embora, por ironia, possa ser lida a inscrição da palavra "ordem".3 O símbolo da pátria não é altivo, como se poderia esperar. Ao contrário, ele aparece dobrado sobre si mesmo, confuso e amassado, o que faz pensar em algo disforme e desestruturado.

A série de retratos de presidentes pode ser vista como uma crônica da história política brasileira. Em 1989, após um período de 25 anos de eleições indiretas, Brito registra o então candidato à presidência Fernando Collor de Mello (1949) junto de uma série de signos que buscam construir a imagem de um dirigente jovem, mas apegado a valores tradicionais como a família e a religião. A foto sugere que a consistência política de Collor se baseava principalmente em estratégias de marketing. Entre outros objetos, em sua mesa de trabalho há um retrato da esposa, uma estatueta de Nossa Senhora da Conceição e o exemplar de um manual chamado Como Se Faz um Presidente da República.

Atuando na imprensa desde os anos 1960, o fotógrafo pôde acompanhar de perto a rotina de diferentes governantes. Ele procura fotografá-los em situações prosaicas e em momentos de distração, quando é possível vislumbrar o indivíduo descolado de sua persona pública. Nesse sentido, do ponto de vista histórico, a produção de Brito se vincula ao trabalho de Erich Salomon (1986-1944), um dos primeiros repórteres fotográficos atuantes na Alemanha nos anos 1920. Nessa época, o crescimento industrial alemão e o clima liberal do período entre guerras contribuíram para o surgimento de revistas ilustradas de grande circulação. O contexto é identificado com o nascimento do fotojornalismo moderno. A comercialização de câmeras 35mm (menores e mais ágeis que as anteriores), de flashes e de filmes com maior sensibilidade faz com que os fotógrafos passem a produzir instantâneos não posados. Salomon fica conhecido por retratar chefes de Estado em situações pouco convencionais que, por vezes, despiam e desmistificavam as personalidades públicas.4

Na obra de Brito, no entanto, há momentos em que a dimensão estética da imagem se sobrepõe ao conteúdo. O retrato idílico de José Sarney (1930) lendo "distraidamente" sob uma árvore ou a silhueta de Fernando Henrique Cardoso (1931) emoldurada pelas esquadrias do salão do Palácio da Alvorada mostram os presidentes em situações idealizadas, embora os resultados se distanciem das poses oficiais.

Notas
1 Depoimento de Orlando Brito no site da Associação Brasileira de Imprensa: www. abi.org.br.

2 Essa foto integra a coleção de fotografias do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP.

3 A imagem da bandeira também faz parte da coleção de fotografias do MAM/SP.

4 SOUZA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis; Chapecó: Letras Contemporâneas; Editora Grifos, 2000, p. 70-75.

Obras 11

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Collor

Matriz-negativo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Cruzeiro

Matriz-negativo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Diretas-Já

Matriz-negativo

Exposições 26

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Fontes de pesquisa 11

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  • BRASIL: 22 DE ABRIL DE 1500- 1999: cem fotógrafos retratam o cotidiano do país em 24 horas. Coord. Paula Simas. Brasília: Ipiranga, 1999. 212 p., il. p&b, color.
  • BRASIL: 22 de abril de 1500-1999: 100 fotógrafos retratam o cotidiano do país em 24 horas. Projeto editorial Paula Simas; coordenação de texto Itara Viotti; produção Ana Inês Ferreira, Daniela Lemos; versão em inglês Linda Clark; projeto gráfico Francisco Amaral; layout Francisca Magalhães, Wellington Saamarin; consultoria Flávio Andrade. Brasília: Ipiranga, 1999. 212 p., il. color. ISBN 85-97718-01-0. 770.981 B823v
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli / MASP de Fotografias: v. 1. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Masp, 1991.
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli / MASP de Fotografias: v. 1. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Masp, 1991. SPmasp cpirelli 1991
  • FOTOGRAFIAS no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Texto Tadeu Chiarelli, Ricardo Mendes. São Paulo: MAM, 2002.
  • FOTOGRAFIAS no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Texto Tadeu Chiarelli, Ricardo Mendes. São Paulo: MAM, 2002. CAT-G SPmam 2002/f
  • PAIVA, Joaquim (org.). Visões e alumbramentos: fotografia brasileira contemporânea na coleção Joaquim Paiva. Versão em inglês Katica Szabó, Laura Ferrari. São Paulo: BrasilConnects Cultura & Ecologia, 2002.
  • PAIVA, Joaquim (org.). Visões e alumbramentos: fotografia brasileira contemporânea na coleção Joaquim Paiva. Versão em inglês Katica Szabó, Laura Ferrari. São Paulo: BrasilConnects Cultura & Ecologia, 2002. 770.981 Pj149p
  • Revista IrisFoto, São Paulo, dez.1993. Não Cadastrado
  • SOUZA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis; Chapecó: Letras Contemporâneas; Editora Grifos, 2000.
  • SOUZA, Jorge Pedro. Uma história crítica do fotojornalismo ocidental. Florianópolis; Chapecó: Letras Contemporâneas; Editora Grifos, 2000. Não Cadastrado

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