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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Marco Nanini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.11.2014
31.05.1948 Brasil / Pernambuco / Recife
Registro fotográfico Djalma Limongi Batista

Marco Nanini em cena de O Mistério de Irma Vap, 1988
Djalma Limongi Batista, Marco Nanini
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Marco Antônio Barroso Nanini (Recife PE 1948). Ator e diretor. Indo da comédia rasgada de O Mistério de Irma Vap ao humor musicado de Doce Deleite e passando pela profunda e suave emotividade de Mão na Luva, Marco Nanini é considerado um dos melhores atores de sua geração.

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Biografia
Marco Antônio Barroso Nanini (Recife PE 1948). Ator e diretor. Indo da comédia rasgada de O Mistério de Irma Vap ao humor musicado de Doce Deleite e passando pela profunda e suave emotividade de Mão na Luva, Marco Nanini é considerado um dos melhores atores de sua geração.

Cursa a Escola de Teatro do Conservatório Nacional, entre 1966 e 1968. Abandona o curso para trabalhar em Salomé, de Oscar Wilde, com direção de Martim Gonçalves, em 1968. No mesmo ano, entra para o Teatro Novo em Ralé, de Máximo Gorki, com direção de Gianni Ratto. Com o encerramento da companhia, Nanini se junta a Milton Carneiro com quem passa a mambembar pelo Brasil até ser contratado por Dercy Gonçalves, com quem permanece durante um ano.

Sua facilidade em tirar humor das personagens o leva a diversas comédias e espetáculos musicais. Na primeira metade da década de 1970, atua, entre outros, em Cordão Umbilical, de Mario Prata, 1972; As Desgraças de uma Criança, de Martins Pena, 1973, que permanece dois anos em cartaz; Pippin, musical de Roger O. Hirson e Stephen Shwarts, 1974; Pano de Boca, de Fauzi Arap, 1975; Deus lhe Pague, de Joracy Camargo, adaptado para um musical dirigido por Bibi Ferreira, 1976. Aos 28 anos já tem em sua trajetória espetáculos sob a direção de nomes como Antônio Pedro Borges, Aderbal Freire-Filho (Aderbal Junior), Flávio Rangel, e é visto como uma das grandes revelações de seu tempo. Por dois anos seguidos recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo pelas atuações em Os Filhos de Kennedy, de Robert Patrick, com direção de Sergio Britto, 1977, e em Zoo Story, de Edward Albee, com direção de João Albano, 1978.

Em 1981, divide o palco com Marília Pêra em um espetáculo cujo sucesso lhe vale quatro anos de temporada - Doce Deleite, que reúne cenas curtas de Mauro Rasi, Vicente Pereira, Alcione Araújo e José Márcio Penido - e o Prêmio Mambembe. No espetáculo seguinte, atua ao lado de Juliana Carneiro da Cunha em Mão na Luva, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Aderbal Freire-Filho, 1984, recebendo três prêmios - Molière, Mambembe e Apetesp. O crítico Sábato Magaldi considera que, com esse desempenho, o ator perde a vinculação com personagens característicos para se tornar "nosso jovem galã de maior talento", "dono do palco, no estilo dos velhos monstros sagrados, ele impõe a justa medida, o gesto seguro, a inflexão corretíssima".1 A crítica Mariangela Alves de Lima observa que em nenhum momento o ator recorre às técnicas que tornariam sua personagem dominante na cena e, ao contrário, "faz com muita sensibilidade uma personagem de tonalidades mais suaves, construída para mover-se pelo estímulo da outra figura em cena [...] é um momento de maturidade em que o ator conhece tão bem o palco que não precisa mais exibir este domínio".2

Em 1985, atua em O Corsário do Rei, musical de Augusto Boal, e, em 1986, em A Bandeira dos Cinco Mil Réis, de Geraldo Carneiro. No mesmo ano, novamente trabalhando em dupla, desta vez ao lado de Ney Latorraca e sob a direção de Marília Pêra, estréia O Mistério de Irma Vap, de Charles Ludlam, que lhe vale o Prêmio Apetesp e um sucesso de público que prolonga a temporada do espetáculo em dez anos.

Em 1990, dirige Louise Cardoso em Fulaninha e Dona Coisa, de Noemi Marinho. No ano seguinte, está na direção de um show musical, Hello Gershwin, com Claudia Netto e Cláudio Botelho. Em 1993, volta à parceria com a dupla dirigindo De Rosto Colado, músicas de Irving Berlin. Dirige Ney Latorraca em O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, em 1994.

Em 1995, protagoniza Kean, de Jean-Paul Sartre, e dirige As Regras do Jogo, de Noel Coward. Em 1996 é O Burguês Ridículo, baseado na obra de Molière, que lhe vale o Prêmio Sharp de melhor ator. De 1998 a 2000 está em cartaz com Uma Noite na Lua, monólogo escrito e dirigido por João Falcão, com o qual conquista os prêmios Sharp e Mambembe daquele ano. No ano de 2002, cria uma outra dupla cênica, com Marieta Severo - com quem já contracenara em Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, de Edward Albee, 2002 - em Os Solitários, de Nick Silver, direção de Felipe Hirsch. Volta a trabalhar com esse diretor em 2003, novamente ao lado de Juliana Carneiro da Cunha, em A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller.

Embora nunca tenha deixado de atuar no palco, Marco Nanini mantém sistemático trabalho em televisão e tem destacadas participações no cinema - entre elas: em Carlota Joaquina, de Carla Camurati, 1995 (como um grotesco D. João VI); Amor & Cia., Helvécio Ratton, 1998; O Xangô de Backer Street, de Miguel Faria Jr., 2001; Apolônio Brasil - O Campeão da Alegria, de Hugo Carvana, e Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes, ambos em 2003.

Numa entrevista, por ocasião da estréia de Os Solitários, a atriz Marieta Severo faz um perfil de seu amigo e parceiro de trabalho: "O que mais define o Nanini é ser enorme e exorbitar. Tenho a impressão de que ele não cabe nele mesmo. Porque seu conteúdo corresponde à forma: Nanini tem pés grandes, mãos grandes, tudo nele é teatral. E o interior é igualmente gigantesco. E, mesmo com esse talento e essa generosidade muito grandes, Nanini tem também um centro muito firme. Ele se debate todo, exorbita, mas tem uma coerência imensa consigo mesmo, com seus desejos, valores e princípios".3

Notas
1. MAGALDI, Sábato. Mão na luva, a enésima prova do talento de Vianinha. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1984.

2. LIMA, Mariangela Alves de. Mão da luva, espetáculo íntegro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 set. 1984. 

3. SEVERO, Marieta. Ele é meu termômetro. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 dez. 2001. Caderno B.

Obras 1

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Espetáculos 50

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Fontes de pesquisa 10

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Marco Nanini (ficha curricular) In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • Camas Redondas, Casais Quadrados. São Paulo: Teatro Itália, 1978. 1 programa de espetáculo realizado no Teatro Itália. Não catalogado
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Salomé - 1968. Não catalogado
  • LIMA, Mariangela Alves de. Mão da luva, espetáculo íntegro. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 set. 1984.
  • MAGALDI, Sábato. Mão na luva, a enésima prova do talento de Vianinha. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 1984.
  • NANINI, Marco. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • Programa do Espetáculo - Um Circo de Rins e Fígados - 2005. Não catalogado
  • TEATRO do Ornitorrinco. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009. 792.0981 To253

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