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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Hércules Barsotti

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.09.2018
1914 Brasil / São Paulo / São Paulo
22.12.2010 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

2 Brancos, 1961
Hércules Barsotti
Óleo e esmalte sobre tela
100,00 cm x 100,00 cm

Hércules Rubens Barsotti (São Paulo SP 1914 - idem 2010). Pintor, desenhista, programador visual, gravador. Inicia formação artística em 1926, sob orientação do pintor Enrico Vio (1874-1960), com quem estuda desenho e composição. Em 1937, forma-se em química industrial pelo Instituto Mackenzie. Começa a pintar em 1940 e, na década seguinte, real...

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Biografia

Hércules Rubens Barsotti (São Paulo SP 1914 - idem 2010). Pintor, desenhista, programador visual, gravador. Inicia formação artística em 1926, sob orientação do pintor Enrico Vio (1874-1960), com quem estuda desenho e composição. Em 1937, forma-se em química industrial pelo Instituto Mackenzie. Começa a pintar em 1940 e, na década seguinte, realiza as primeiras pinturas concretas, além de trabalhar como desenhista têxtil e projetar figurino para o teatro. Em 1954, com Willys de Castro (1926-1988), funda o Estúdio de Projetos Gráficos, elabora ilustrações para várias revistas e desenvolve estampas de tecidos produzidos em sua tecelagem. Viaja a estudo para a Europa em 1958, onde conhece Max Bill (1908-1994), então um dos principais teóricos da arte concreta. Na década de 1960, convidado por Ferreira Gullar (1930), integra-se ao Grupo Neoconcreto do Rio de Janeiro e participa das exposições de arte do grupo realizadas no Ministério da Educação e Cultura (MEC), no Rio de Janeiro, e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). Em 1960, expõe na mostra Konkrete Kunst [Arte Concreta], organizada por Max Bill, em Zurique. Hercules Barsotti explora a cor, as possibilidades dinâmicas da forma e utiliza formatos de quadros pouco usuais, como losangos, hexágonos, pentágonos e circunferências. Em sua obra a disposição dos campos de cor cria a ilusão de tridimensionalidade. Entre 1963 e 1965, colabora na fundação e participa do Grupo Novas Tendências, em São Paulo. Em 2004, o MAM/SP organiza uma retrospectiva do artista.

Análise

Hércules Barsotti estuda desenho e composição no colégio Dante Alighieri, em São Paulo, com orientação do pintor figurativo italiano Enrico Vio, de 1926 a 1933. Depois faz o curso de química industrial, que conclui em 1937, e atua na área até 1939. A partir dos anos 1940 resolve dedicar-se à pintura. Frequenta, por curto espaço de tempo, o ateliê do artista Dario Mecatti (1909-1976) e faz naturezas-mortas e telas de influência surrealista. Em meados dos anos 1950, se desinteressa pela cópia da natureza1 e passa a realizar desenhos abstrato-geométricos com nanquim. Nesses trabalhos, feitos a partir de 1953, divide a superfície em formas geométricas regulares, delineadas por linhas negras, de larguras e direções diferentes. A posição do traço, a distância e a justaposição das formas criam a ilusão de deslocamento dos planos, sugerindo uma superfície tensa e quebradiça. Em 1953, ele projeta figurinos, com Luís de Lima (1929-2002) e Badia Vilato, para o espetáculo de mímica O Escriturário, baseada em Bartleby, de Hermann Melville. A peça, encenada no Teatro Cultura Artística, é dirigida por Luís de Lima com o grupo de atores da Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo.2

Em 1954, Barsotti abre escritório de projetos gráficos com Willys de Castro. A ligação com Willys e o contato com uma lógica industrial de trabalho aproximam-no ainda mais das poéticas concretas. Então começa a atuar como artista gráfico e cria estampas para tecidos. A objetividade peculiar do concretismo, no entanto, só aparece em sua pintura a partir de 1957. Barsotti simplifica sua pintura e passa a utilizar formas geométricas impessoais, em preto e branco. Esses elementos evitam as marcas do pincel e, se articulando em série, sugerem volumes virtuais. No entanto, Barsotti não adere a nenhum grupo de vanguarda nem assina nenhum manifesto concretista. Expõe trabalhos na 4ª Bienal Internacional de São Paulo. Em 1958, Barsotti ganha a pequena medalha de prata do Salão Paulista de Arte Moderna e parte para a Europa com Willys de Castro. Lá estuda e visita Itália, Suíça, Espanha e Portugal. Durante a viagem o pintor conhece Max Bill (1908-1994), que será decisivo em sua pintura.

Ao voltar para o Brasil, em 1959, Barsotti realiza sua primeira exposição individual, na Galeria de Artes das Folhas. Nesse período, seu trabalho fica ainda mais austero. O artista pinta sobre superfícies homogêneas - pretas ou brancas - faixas que se afinam no centro ou nas margens da tela, dispõe elementos sugerindo diagonais que produzem a impressão de curvatura na superfície da tela. Sua pintura passa a trabalhar o quadro como um objeto que será desenvolvido como algo dúbio, um plano que sugere um volume. Esse movimento aparece pela primeira vez em telas como Branco/Preto (1960) e Preto/Branco/Preto (1960).

Esta abordagem o aproxima do Grupo Neoconcreto. Com o Grupo, expõe em 1960 no Ministério da Educação e Cultura (MEC) no Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) em 1961. Ainda em 1960, ele mostra seus trabalhos na exposição Konkrete Kunst [Arte Concreta], organizada por Max Bill, em Zurique. Junto com a aproximação ao neoconcretismo, Barsotti retorna à tendência de progressiva austeridade em sua pintura. Em meados dos anos 1960, incorpora a areia como fonte de brilho e de densidade física de suas pinturas. A partir de 1963, abandona a fé ortodoxa no preto e branco concreto, e consegue importar seus primeiros tubos coloridos de tinta acrílica. O formato da tela determina a estrutura interna dos trabalhos. O artista produz quadros em formatos hexagonais, redondos e pentagonais. Em 1963, desenha, com Willys de Castro, o logotipo da Galeria Novas Tendências, fundada e gerida pelo grupo concreto de São Paulo.

Desde 1964, Barsotti desenvolve pinturas em que sequências regulares de cores se sucedem sugerindo certo volume nas telas de formatos pouco usuais. Realiza individual, em 1965, na Galeria Novas Tendências, em seu último ano de funcionamento. Nas pinturas realizadas durante os anos 1970, como Núcleo Aberto (1971), dá continuidade às pesquisas realizadas na década anterior. Em alguns trabalhos, sugere um relevo virtual que aumenta das bordas ao centro da tela. O uso das cores e das sugestões de volume aproxima estas obras da optical art. A partir da década de 1990, volta a simplificar suas pinturas, reduz o número de cores e as aproxima. Em 1998, o Escritório de Arte Sylvio Nery da Fonseca, em São Paulo, faz uma retrospectiva dos desenhos de Barsotti feitos durante a década de 1950. Em pinturas mostradas na mesma galeria, em 2002, o artista retoma o uso da areia.

Notas

1 Declaração do artista em entrevista a Camila Molina. In: O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 mar. 2002. Caderno 2

2 VARGAS, Maria Tereza; FERRARA, José Armando; SANCHES, José Maurício. Escola de Arte Dramática 1948/68. Alfredo Mesquita. São Paulo: Fundação Padre Anchieta, 1985.

Obras 27

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Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

2 Brancos

Óleo e esmalte sobre tela
Reprodução fotográfica Romulo Fialdini

Afinidade Gradual I

Tinta acrílico-vinílica sobre tela
Reprodução fotográfica Hansel

Branco Preto

Tinta acrílico-vinílica sobre tela
Reprodução fotográfica Sérgio Guerini

Branco/Preto

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Branco/Preto

Óleo sobre tela

Exposições 178

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Eventos relacionados 1

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Mídias (1)

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Hércules Barsotti - Enciclopédia Itaú Cultural
“A arte era um trabalho como outro qualquer”. Assim, o pintor, desenhista, programador visual e gravador paulistano Hércules Barsotti se refere ao ofício que desenvolve desde 1926, quando inicia a formação sob orientação do pintor Enrico Vio. Parceiro de Willys de Castro no Estúdio de Projetos Gráficos nos anos 1950, os dois artistas passam a fazer parte do grupo carioca Neoconcreto na década seguinte, a convite de Ferreira Gullar e ao lado de criadores como Lygia Clark. “Nessa época, as tintas a óleo coloridas demoravam muito a secar. Até cinco dias”, lembra. “O branco e preto, no entanto, secavam mais rápido. Por isso, eu preferia fazer tudo em branco e preto”, explica, em referência a uma das características das criações desse período. A chegada das tintas acrílicas traz cor às pinturas, feitas sobre telas cujas formas em geral reproduzem figuras geométricas em diferentes tons e efeitos tridimensionais.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 28

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  • AVENTURAS da ordem: Hércules Barsotti e Willys de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1988. SPgara 1988
  • AVENTURAS da ordem: Hércules Barsotti e Willys de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1988. il. color.
  • AYALA, Walmir. Dicionário de pintores brasileiros. Organização André Seffrin. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Ed. UFPR, 1997. R750.81 A973d
  • BARSOTTI, Hércules. Barsotti: obras recentes. São Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 2002. B282 2002
  • BARSOTTI, Hércules. Desenhos. 1953-1960. São Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 1998.
  • BARSOTTI, Hércules. Hércules Barsotti. São Paulo: Gabinete de Arte, 1986. B282 1986
  • BARSOTTI, Hércules. Hércules Barsotti. São Paulo: Gabinete de Arte, 1986. il. color.
  • BARSOTTI, Hércules. Hércules Barsotti. Texto Willys de Castro. [s.l.: Sn. ], 1974. il. color.
  • BARSOTTI, Hércules. Não-cor cor. Curadoria Ana Maria de Moraes Belluzzo. São Paulo: MAM, 2004. B282n 2004
  • BARSOTTI, Hércules. Não-cor cor. São Paulo: Museu de Arte Moderna, 2004. 1 folha dobrada, il. color.
  • BARSOTTI, Hércules. Obras Recentes de Hércules Barsotti. Texto Ronaldo Brito e Willys de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1993.
  • BARSOTTI, Hércules. Proposição emblemática. Texto Ronaldo Brito. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud Babenco, 1981. [8] p. , il. color.
  • BARSOTTI, Hércules. Vermelho. Texto Willys de Castro. São Paulo: Gabinete de Arte Raquel Arnaud, 1998. 1 folha dobrada, il.
  • BRITO, Ronaldo. As cores esculpidas por Hércules Barsotti. Arte Hoje, Rio de Janeiro: Rio Gráfica e Editora, v. 1, n. 4, p. 32-36,1977.
  • BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo. São Paulo: Cosac & Naif, 1999.
  • GONÇALVES FILHO, Antonio. Morre o pintor Barsotti, aos 96. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 23 de dez. 2010. Caderno 2, p. 10. Não catalogada
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989. R703.0981 P818d
  • GULLAR, Ferreira. Neoconcretismo 1959/1961. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1984.
  • LEIRNER, Sheila; WILDER, Gabriela Suzana (Curad.). Em busca da essência: elementos de redução na arte brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1987.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM. 759.981 L533q
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
  • MORAES, Angélica de. Barsotti: obras recentes. São Paulo: Sylvio Nery da Fonseca Escritório de Arte, 2002.
  • NEOCONCRETISMO 1959/1961. Apresentação Frederico Morais; texto Ferreira Gullar; curadoria Frederico Morais. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Banerj, 1984. RJbanerj 1984/n
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987. 709.8104 Cg492pr
  • QUATRO mestres: quatro visões: Barsotti, Ianelli, Tomie, Volpi. Curitiba: Simões de Assis Galeria de Arte, 1985. PRsa 1985
  • QUATRO mestres: quatro visões: Barsotti, Ianelli, Tomie, Volpi. Curitiba: Simões de Assis Galeria de Arte, 1985. il. color.

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