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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Monteiro França

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.03.2017
21.10.1876 Brasil / São Paulo / Pindamonhangaba
24.03.1944 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica Miguel Martins

Panorama do Rio
Monteiro França
Óleo sobre cartão
40,50 cm x 35,00 cm

José Joaquim Monteiro França (Pindamonhangaba, São Paulo, 1876 - São Paulo, São Paulo, 1944). Pintor, decorador, jornalista e professor. Frequenta o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, de 1891 a 1900. Estuda na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde é aluno de Henrique Bernardelli (1858-1936) e Bérard (1846-1910), concluindo o curso...

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Biografia

José Joaquim Monteiro França (Pindamonhangaba, São Paulo, 1876 - São Paulo, São Paulo, 1944). Pintor, decorador, jornalista e professor. Frequenta o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, de 1891 a 1900. Estuda na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), onde é aluno de Henrique Bernardelli (1858-1936) e Bérard (1846-1910), concluindo o curso em 1904. Como bolsista do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, viaja para a Itália, e estuda entre 1904 e 1906, em Nápoles, com Giuseppe Boschetto, e em Roma, recebe influência da pintura dos macchiaioli - via Domenico Morelli (1823-1901), cuja obra conhece em Nápoles - e do divisionismo italiano. Faz sua primeira individual na Fotografia Valério Vieira, em São Paulo, em novembro de 1906. Decora a Sala do Café do Estado de São Paulo, no Pavilhão do Brasil da Exposição Internacional de Turim, em 1911, na Itália. Em seu retorno ao Brasil, realiza outra exposição individual, inaugurada pelo presidente do Estado de São Paulo, Rodrigues Alves. Recebe outra bolsa de estudo Pensionato Artístico, vai para Paris, em 1912, e convive com Mugnaini (1895-1975), Wasth Rodrigues (1891-1975), Alípio Dutra (1892-1964) e Osvaldo Pinheiro. Permanece na Europa até 1914.

Análise

A obra de Monteiro França é um exemplo interessante no estudo da influência da pintura italiana de fins do século XIX e início do século XX na pintura brasileira dessa época. Ao dar continuidade a sua formação na Itália e não na França, o pintor segue os passos de seu professor Henrique Bernardelli, bem como os de outros artistas da Escola Nacional de Belas Artes (Enba), índice importante das mudanças de orientação desse centro de formação após o início do período republicano1. A estada na Itália lhe permite o contato com manifestações artísticas que vinham alterando o perfil acadêmico italiano, como a pintura dos macchiaioli e o divisionismo. Algumas questões caras ao divisionismo, por exemplo, podem ser notadas, mesmo que timidamente, em sua pintura.

As relações entre cor e forma que os divisionistas investigam, no rastro de Paul Cézanne (1839-1906), na tentativa de ampliar as possibilidades de representação de volume através de massas de cor (para além da preocupação, de matriz impressionista, pela análise das sensações visuais, apontada por Dominique-Edouard Baechler), aparentam ser um problema central em trabalhos como Trecho do Tietê (s.d.), ou Taboão da Serra (s.d.), ambas no acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp).

Tais investigações, entretanto, parecem, em geral, se diluir diante das demandas por uma arte associada à criação de uma visualidade "brasileira", feitas pelo meio em que se inserem os artistas paulistas do período bem como pela clientela a que servem, como se depreende das soluções apresentadas em trabalhos como Caboclinha (1919), pertencente à Pesp.

Nota

1 Para a questão da influência italiana na arte brasileira de fins do século XIX ver DAZZI, Camila. Relações Brasil-Itália na arte do segundo oitocentos: estudo sobre Henrique Bernardelli (1800 - 1899). Dissertação (Mestrado). Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, 2006.

Obras 5

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Exposições 22

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Fontes de pesquisa 20

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  • 32ª Exposição Geral de Belas Artes. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Belas Artes, 1925.
  • ARTES e artistas. O Estado de S. Paulo, 06 jun. 1912.
  • ARTES e artistas. O Estado de S. Paulo, 08 jun. 1912.
  • BAECHLER, Dominique-Edouard. Pintura acadêmica : Paisagem: obras primas de uma coleção paulista : 1860-1920. Apresentação José Maria Marin; fotografia Roberto Toledo, Romulo Fialdini. São Paulo: Imprensa Oficial, 1982. 15 pranchas, il. color.
  • BELLAS Artes. Diário Popular, 07 maio 1912.
  • BRAGA, Theodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Editora, 1942.
  • CAMARGO, Armando de Arruda; LÔBO, Hélio de Sá; AZEVEDO, João da Cruz Vicente de (Orgs.). A paisagem brasileira: 1650-1976. São Paulo: Sociarte: Paço das Artes, 1980.
  • DEZENOVEVINTE: uma virada no século. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1986.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d ex.05
  • LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1985: seu mercado, seus leilões. São Paulo: J. Louzada, 1984. v. 1. R702.9 L895a v.1
  • MONTEIRO França. Jornal A Cidade, 23 abr. 1915.
  • MUGNAINI, Túlio. José Monteiro França: pintor paisagista, retratista e decorador - traços biográficos do inesquecível pintor paulista. A Gazeta de S. Paulo, 25 jul. 1955.
  • NOS artistes. Le Courier du Brésil, 27 mar. 1914.
  • NOTAS de arte. O Commercio de São Paulo, 07 jun. 1912.
  • NOTAS. Estado de S. Paulo, 21 jun. 1912, 23 jun. 1912, 25 jun. 1912 e 26 jun. 1912.
  • PINACOTECA do Estado de São Paulo. A Paisagem na Coleção da Pinacoteca. São Paulo: Pinacoteca do Estado, 1978.
  • Pinacoteca Circulante. Campinas: Teatro Municipal de Campinas, 1964.
  • REIS JÚNIOR, José Maria dos. História da pintura no Brasil. Prefácio Oswaldo Teixeira. São Paulo: Leia, 1944.
  • ROSSI, Miriam Silva. Circulação e mediação da obra de arte na Belle Époque paulistana. In: Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Série 6/7, (1998-1999), editado em 2003. pp.83-119.
  • TARASANTCHI, Ruth Sprung. Pintores Paisagistas: São Paulo 1890 a 1920. São Paulo: Edusp : Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2002. p. 262-267.

Como citar

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