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Artes visuais

Gal Oppido

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.01.2021
14.03.1952 Brasil / São Paulo / São Paulo

Monumento à Independência, 1992
Gal Oppido

Marcos Aurélio Oppido (São Paulo, São Paulo, 1952). Fotógrafo, arquiteto, desenhista, músico, designer e professor. Destaca-se como fotógrafo ensaísta, com obras nas quais reflete sobre as diferentes interferências no corpo e na relação do homem com a natureza e o espaço urbano.

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Marcos Aurélio Oppido (São Paulo, São Paulo, 1952). Fotógrafo, arquiteto, desenhista, músico, designer e professor. Destaca-se como fotógrafo ensaísta, com obras nas quais reflete sobre as diferentes interferências no corpo e na relação do homem com a natureza e o espaço urbano.

Filho de pai pintor, Gal Oppido cresce em ambiente familiar criativo, em contato com o desenho e a pintura. Durante sua formação universitária, participa como baterista da fundação do grupo Rumo (1974), constituído em grande parte por estudantes da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). 

É professor de design gráfico no Instituto de Arte e Decoração de São Paulo (Iadê) de 1973 a 1975, quando obtém o diploma de arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). No ano seguinte, começa a fotografar, concebendo a fotografia como uma extensão do desenho. Também como docente, ministra a disciplina de linguagem visual na Faculdade de Arquitetura da Universidade Católica de Campinas, de 1979 a 1990, e o curso de Linguagem Fotográfica no Museu de Arte Moderna de São Paulo, de 2001 a 2019.

Em 1981, realiza sua primeira exposição individual, Veracidade, no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), em São Paulo. A mostra coincide com o lançamento simultâneo dos dois primeiros discos do grupo Rumo, um ícone da chamada vanguarda paulista. O estudo da linguagem, elemento fundamental do trabalho do grupo, é também a marca do fotógrafo. A exposição apresenta ensaio realizado no edifício Japurá, pioneiro projeto arquitetônico de moradia popular implementado na área central da cidade. Gal Oppido fotografa a arquitetura, os ambientes e seus habitantes. O corpo, enquanto fonte de significados, rapidamente se impõe como campo de estudo, ocupando lugar central em sua produção artística.

No ensaio Naturezas (1983) revela a presença e interferências da natureza no cotidiano da vida urbana, outra questão essencial ao longo de sua trajetória.

Em Fundo Finito (1987), em que vários artistas interpretam um personagem,  Oppido interessa-se essencialmente pelas conexões entre corpo e alegoria. No ensaio Relações Co Medidas (1988) – tributo ao fotógrafo britânico Eadweard Muybridge (1830-1904), cujo trabalho de decomposição da locomoção animal em 1878 está na origem do cinema –, Gal Oppido traz ao estúdio os corpos seminus de uma mulher e de um homem, que interagem em um espaço físico rigorosamente delimitado, com fundo negro quadriculado, evocando os antigos retratos antropométricos. O trabalho é retomado 30 anos mais tarde com os mesmos personagens.

Taxidermia (1994) traz para a cena o lixo urbano, em composições realizadas com a coleta de mais de uma tonelada de objetos ao longo de cinco anos. A série constitui um desdobramento do ensaio Objeto Menor Abandonado, apresentado no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) em 1991.

A convite do Instituto Itaú Cultural, Oppido apresenta em 1998 o ensaio O Índio Oculto na Taba Urbana, 12 obras que combinam colagens, mosaicos e retratos de artistas cuja ancestralidade indígena não está fisicamente evidente. Participam da série o cantor e compositor Chico César (1964), o estilista Walter Rodrigues e o músico Carlos Fernando (1959-2019).

A ancestralidade está no âmago dos ensaios Alegorias Bíblicas (2007), que reflete sobre o caráter formador de comportamento das passagens bíblicas e suas simbologias, e Antífona, sobre o mito de Iemanjá e suas representações, apresentado no Museu Afro Brasil em 2011.

Volta-se novamente para o corpo no ensaio Prata sobre Pele sobre Prata (2002). Apresentado na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina_) em 2003, trata das diferentes interferências no corpo – sejam ornamentais, comportamentais ou até mesmo cirúrgicas –, e encerra a trilogia iniciada com Vestes (MIS-SP, 1989) e Luciana e a Lei da Gravidade, exposto em 1991 nos Rencontres Internationales de la Photographie d’Arles, na França.

A obra de Gal Oppido está também intimamente ligada à cidade de São Paulo, sua arquitetura, seus habitantes, seus personagens e suas idiossincrasias. Destacam-se: a série de retratos Poses Paulistanas (Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1982); o ensaio Cada Centímetro (1998), realizado no apartamento-instalação de um colega arquiteto; Artérias Paulistanas, trabalho permanente de documentação da paisagem urbana; e projetos que incluem a participação ativa das comunidades, como a exposição Ver/Olhar, no Sesc Belenzinho (2001) e Sesc Campo Limpo (2019).

Com Sentidos da Pele (2016), apresentada na Galeria Lume, em São Paulo, recebe o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor exposição. Com diferentes suportes – fotografia, desenho, performances e imagens cinéticas –, Gal Oppido explora a capacidade humana de transformar a matéria e transfigurar o próprio corpo, nele inscrevendo alegorias.

Como designer gráfico, realiza diversas capas de discos, incluindo os oito álbuns do grupo Rumo, em parceria com a artista plástica Edith Derdyk (1955). Em 2019, por iniciativa do Sesc, o grupo Rumo reconstitui a formação inicial e lança o álbum Universo

O corpo e suas interações com o espaço, a arquitetura urbana, as interferências da natureza no cotidiano e o estudo da linguagem são elementos constantes na trajetória de Gal Oppido, presentes na fotografia e em outras expressões artísticas de sua obra.

Obras 53

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Espetáculos 5

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Exposições 81

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Exposições virtuais 1

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Feiras de arte 3

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Workshops 1

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Fontes de pesquisa 16

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  • BRIL, Stefania. São Paulo, chão e céu. Obrigatório. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 26 jun. 1985. p. 19.
  • CARBONCINI, Anna (coord.). Coleção Pirelli / MASP de Fotografias: v. 2. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Masp, 1992.
  • DERDYK, Edith. Disegno. Desenho. Desígnio. São Paulo: Senac, 2007. 311 p.
  • DIVERSO - Gal Oppido - Bloco 01. [s.l.]: DIVERSO, 2014. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=YySjFgLiWZE. Gal Oppido em entrevista cedida ao Canal Diverso. Programa exibido originalmente em 17 maio 2011. Acesso em: 20 abr. 2020.
  • DIVERSO - Gal Oppido - Bloco 02. [s.l.]: DIVERSO, 2014. (10min53s.). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZSHMD8H88Bc&list=PLpdR3KcVNjU9REoO2ge2qXycuS9QMjcqs&index=3. Gal Oppido em entrevista cedida ao Canal Diverso. Programa exibido originalmente em 17 maio 2011. Acesso em: 20 abr. 2020.
  • EDINGER, Claudio. História da Fotografia Autoral e a Pintura Moderna. São Paulo: Ipsis, 2019. 376 p.
  • FOTO.DOC. Gal Oppido. Direção: Camila Garcia e Renato Suzuki. São Paulo: Famiglia Filmes, s.d. (40min51s.), son., color. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=huAi0OccnUI&list=PLpdR3KcVNjU9REoO2ge2qXycuS9QMjcqs. Acesso em: 20 abr. 2020.
  • GAL OPPIDO. Site Oficial do Artista. Disponível em: http://www.galoppido.com.br/. Acesso em: 04 jan 2021.
  • GUARIGLIA, Ana Maria. Fotógrafo reanima "lixo" urbano em ensaio. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 jun. 1994. Especial-1.
  • MACHADO, Arlindo. Mostra de qualidade no 1º Salão Fuji. Folha de S. Paulo, São Paulo, 3 fev. 1985. Ilustrada, p. 61.
  • OPPIDO, Gal. [Currículo]. Enviado pelo artista em: 13 abr. 2020.
  • Programa do Espetáculo - Caixa 2 - 1997.
  • Programa do Espetáculo - Domésticas - 1998.
  • Programa do Espetáculo - O Homem das Galochas 1997.
  • RÁDIO Cultura Brasil. Cada centímetro da matéria. Programa Supersônica. Cultura Brasil cmais, 11 maio 2010. Disponível em: http://culturabrasil.cmais.com.br/programas/supertonica/arquivo/cada-centimetro-da-materia. Acesso em: 20 abr. 2020.
  • TEATRO do Ornitorrinco. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009.

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