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Enciclopédia Itaú Cultural
Literatura

Walnice Nogueira Galvão

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 15.03.2022
04.02.1937 Brasil / São Paulo / Araraquara
Walnice Nogueira Galvão (São Paulo, São Paulo, 1937). Crítica literária, pesquisadora, professora. Galvão é uma das principais referências brasileiras em estudos teóricos sobre Guimarães Rosa (1908-1967) e Euclides da Cunha (1866-1909). Sua proposta de análise literária abrange a gênese do texto, seu contexto de produção, as variações editoriais...

Texto

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Walnice Nogueira Galvão (São Paulo, São Paulo, 1937). Crítica literária, pesquisadora, professora. Galvão é uma das principais referências brasileiras em estudos teóricos sobre Guimarães Rosa (1908-1967) e Euclides da Cunha (1866-1909). Sua proposta de análise literária abrange a gênese do texto, seu contexto de produção, as variações editoriais e a recepção pelo público. A crítica literária é tomada como instrumento de compreensão da cultura e de transformação da realidade.

Em 1961, conclui o curso de bacharelado de Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL)1 da Universidade de São Paulo (USP). Em 1966, ingressa no doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada, também na USP. A tese resultante é As formas do falso: um estudo sobre a ambiguidade no Grande Sertão: veredas, defendida em 1970 e publicada em forma de livro em 1972.

Nesta obra, Galvão apresenta uma leitura crítica de Grande sertão: veredas (1956), em que debate a ambivalência do romance no qual a linguagem oral convive com a escrita, mesclando o discurso erudito e o popular. A tese se divide em três partes: "A condição jagunça", "A forjadura das formas do falso" e "O ponteador de opostos". A primeira trata do espaço romanesco, nomeadamente o sertão, com suas estruturas sociais e as relações de poder entre os tipos que o habitam. A segunda aborda a persistência do imaginário medieval no sertão brasileiro, que compõe o conjunto de valores e mitologias do protagonista Riobaldo. A terceira aprofunda um aspecto dual de Riobaldo: sua experiência como jagunço e sua busca por absolvição por meio da narrativa dos eventos vividos.

Em 1972, Galvão obtém o título de livre-docência pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP com a tese No calor da hora: a guerra de Canudos nos jornais. A obra apresenta um levantamento crítico da cobertura jornalística da Guerra de Canudos (1896-1897). A autora analisa o discurso e as inconsistências factuais de matérias publicadas naquele período, enfatizando a parcialidade da imprensa em favor do exército.

A tese é realizada a partir de extensa pesquisa de arquivos e inclui em anexo a reprodução das reportagens publicadas na época sobre o tema. O trabalho contribui para a elucidação das narrativas sobre o evento histórico e também para a análise crítica de Os sertões (1902), que apresenta intertextualidade significativa com essas reportagens. Euclides da Cunha foi enviado especial d' O Estado de S.Paulo para cobrir a Guerra de Canudos, além de ser um assíduo leitor do que se publicava durante esse período.

Em 1978, Galvão ministra cursos de graduação e pós-graduação como professora visitante na University of Texas System, nos Estados Unidos. No mesmo ano, publica Mitológica rosiana, obra em que aborda as relações entre natureza e cultura na literatura de Guimarães Rosa a partir de uma perspectiva de mitos e tradições.

Em 1985, atua como professora visitante da Columbia University, também nos Estados Unidos. Entre 1986 e 1987, torna-se professora visitante do curso de pós-graduação da Université Paris 8, em Vincennes-Saint-Denis, na França.

É possível verificar a  expansão do campo de estudos na trajetória intelectual de Galvão. Em 1981, publica “Ao som do samba: uma leitura do Carnaval carioca”, ensaio dedicado ao futebol na coletânea Gatos de outro saco. Em 1998, publica A donzela guerreira, um estudo da representação dessa figura feminina em diversas manifestações culturais. Em 2008, Minima Mimica traz texto sobre a presença do sertão no teatro, na música e no cinema brasileiro. 

Em 2010, recebe o prêmio da Academia Brasileira de Letras pelo livro Euclidiana: ensaios sobre Euclides da Cunha (2009). O livro é uma antologia de quinze ensaios publicados por Galvão entre 1984 e 2009 sobre a obra do autor pré-modernista. Os ensaios estão organizados em quatro partes: a primeira trata da análise literária da obra de Euclides; a segunda estabelece também um diálogo com outros pesquisadores da obra euclidiana e aborda aspectos da biografia do autor que influenciam seu estilo literário, como sua formação militar e acadêmica; a terceira parte trata da correspondência de Euclides; e a última parte se concentra no trabalho de edição da obra euclidiana a partir da comparação entre as sucessivas edições e revisões de Os sertões.

Em 2016, Galvão publica Edição crítica de Os Sertões, trabalho resultante de uma pesquisa vasta e minuciosa sobre a obra euclidiana. A edição traz uma fortuna crítica que analisa comparativamente as diferentes versões e revisões realizadas pelo autor.

Walnice Galvão é uma pesquisadora pioneira e de vasta produção no campo da crítica, seja em literatura, seja em cinema e seja em outras artes, além de contribuir com a divulgação de obras nacionais no cenário acadêmico internacional. 

Nota

1. Passa-se a chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas (FFLCH) durante a reforma universitária em 1969.

Obras 19

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Palestras 1

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Fontes de pesquisa 3

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  • CARVALHO, Candice Angélica Borborema de. Antonio Cândido e a fortuna crítica de Guimarães Rosa: a recepção de Grande sertão: veredas. São Paulo, 2016. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2016.
  • GALVÃO, Walnice Nogueira. Currículo do sistema currículo Lattes. [Brasília], 02 fev. 2021. Disponível em http://lattes.cnpq.br/6873910101919463. Acesso em: 21 set. 2021.
  • VELLOZO, Júlio. "Um banquete euclidiano". Resenha de Euclidiana, ensaios sobre Euclides da Cunha, de Walnice Galvão. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, n. 51, pp. 151-154, mar.-set. 2010. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=405641273007. Acesso em: 21 set. 2021.

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