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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Augusto Malta

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.08.2021
14.04.1864 Brasil / Alagoas / Mata Grande
30.06.1957 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica César Barreto/Itaú Cultural

Praça da República, 1906
Augusto Malta
Matriz - negativo
Coleção Gilberto Ferrez, Acervo Instituto Moreira Salles

Augusto Cesar Malta de Campos (Mata Grande1, Alagoas, 1864 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Fotógrafo. Um dos primeiros fotógrafos da paisagem urbana no Brasil, Augusto Malta registra as paisagens e transformações da cidade do Rio de Janeiro, o cotidiano de seus moradores e importantes eventos históricos do começo do século XX. 

Texto

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Augusto Cesar Malta de Campos (Mata Grande1, Alagoas, 1864 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1957). Fotógrafo. Um dos primeiros fotógrafos da paisagem urbana no Brasil, Augusto Malta registra as paisagens e transformações da cidade do Rio de Janeiro, o cotidiano de seus moradores e importantes eventos históricos do começo do século XX. 

Transfere-se para o Rio de Janeiro em 1888 e integra a Guarda Municipal entre 1889 e 1893. Após tentar a sorte, sem muito sucesso, como guarda-livros, comerciante de secos e molhados e de tecidos finos, encontra vocação na fotografia, ao que tudo indica, em 1900.2

Em 1903, é apresentado ao então prefeito do Rio de Janeiro Pereira Passos, que o nomeia fotógrafo oficial da diretoria geral de obras e viação da Prefeitura do Distrito Federal. Nessa função, suas atribuições consistem, principalmente, no preparo da documentação visual dos logradouros que sofrem alteração na grande reforma urbanística conduzida pela gestão municipal. Também registra o andamento de obras, eventos e monumentos da cidade, sendo responsável pela imagem oficial da modernização fluminense. 

No mesmo ano, inaugura seu estúdio fotográfico, onde atende a clientes particulares. Realiza, sobretudo, o que é chamado de "reportagem social e comercial", registrando festas e acontecimentos importantes das famílias abastadas do Rio de Janeiro e fazendo retratos de seus membros. Em 1904, torna-se sócio-fundador da Sociedade Cartophila Internacional Emanuel Hermann, e cede imagens para cartões-postais. A partir de 1909, edita os próprios postais. 

Segundo o historiador Antonio Ribeiro de Oliveira Junior, Malta "acompanha passo a passo e foto a foto a transformação da cidade"3. O registro das mudanças urbanas envolve o acompanhamento da modernização dos meios de transporte coletivos e da iluminação pública, quando é contratado, em 1905, pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Limited. Tem também um importante trabalho de captação de imagens da rotina da cidade e de alguns acontecimentos extraordinários, como uma ressaca na Avenida Atlântica, em 1903, e outra na Praia do Flamengo, em 1906.

Realiza a cobertura da Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, em 1908. No mesmo ano, acompanha um grupo de centenas de marinheiros norte-americanos que desembarca no Rio de Janeiro e realiza uma de suas grandes reportagens fotográficas quando registra uma visita às regiões de meretrício. 

Segundo o estudioso Oliveira Junior, essas cenas antecipam "precocemente a especificidade da fotografia de imprensa ao procurar imagens do cotidiano, centrar o interesse no ser humano, acompanhar bem de perto o desenrolar dos acontecimentos, produzir fotografias sequenciais, induzir o leitor a vislumbrar a realidade que somente a imagem pode representar"4. As cenas da cidade, menos compromissadas com os interesses do Estado, também são produzidas para periódicos como O Malho, Careta, Kosmos, Correio da Manhã e Jornal do Brasil.

Malta documenta em imagens acontecimentos históricos como a Revolta da Chibata, em 1910. Entre 1913 e 1919, registra cenas da zona rural do Rio de Janeiro, fotografa a pavimentação da Estrada Real de Santa Cruz e faz imagens das escolas da região. Documenta também a Exposição do Centenário da Independência e o desmonte do Morro do Castelo, ambos em 1922. Em 1931 cobre a inauguração do Cristo Redentor. 

A partir de 1932, é encarregado pela prefeitura da organização do arquivo com as imagens de todo o processo de urbanização e de cerimônias realizadas na cidade. Entre 1903 e 1936, quando se aposenta da função de fotógrafo oficial do Rio de Janeiro, produz mais de 30 mil fotografias, registrando diversos aspectos da vida carioca, como o carnaval de rua, a prostituição da zona portuária, e ainda retratos de artistas, políticos e intelectuais.

Após sua morte, a obra de Malta é apresentada em diversos eventos no Brasil e no exterior. Seu trabalho também se constitui em referência para pesquisas, teses e estudos, originando uma série de publicações, entre elas Malta: O Fotógrafo do Rio Antigo, lançado em 1983 pela Rio Gráfica; Um fotógrafo, Uma Cidade: Augusto Malta (1987), de Fernando Ferreira Campos, pela Maison Graphique; e Augusto Malta: Catálogo da Série Negativo em Vidro (1995), assinado por seu filho Aristógiton Malta, publicado pela Biblioteca Carioca da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.

Expressivo cronista visual da vida e da paisagem carioca na primeira metade do século XX, Augusto Malta capta a pluralidade da rotina de uma cidade em transformação e fotografa momentos decisivos do Rio de Janeiro. 

Notas

1. Em 1902, a localidade Mata Grande passa a se chamar Paulo Afonso, época que conquista sua autonomia. Entretanto, em 1929, volta a adotar a denominação original. Isso explica o motivo de muitas fontes apontarem Paulo Afonso como local de nascimento do fotógrafo.

2. Cf. LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa). p. 15.

3. OLIVEIRA JUNIOR, Antonio Ribeiro de. O visível e o invisível: um fotógrafo e o Rio de Janeiro no início do século XX. In: SAMAIN, Etienne (org.). O Fotográfico. São Paulo: Hucitec, 1998. (Linguagem e Cultura, 29). p. 80.

4. Idem, p. 83.

Obras 15

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Exposições 48

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Fontes de pesquisa 17

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  • Augusto Malta. In: Instituto Moreira Salles. Rio de Janeiro: IMS, 2017. Disponível em:. https://ims.com.br/2017/06/01/sobre-augusto-malta/. Acesso em: 24 jun. 2021.
  • BERGER, Paulo (org.). Fotografias do Rio de ontem: A. Malta. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade, s.d. (Coleção memória do Rio, 7).
  • BILLETER, Erika. Fotografie Lateinamerika von 1860 bis heute. Berna: Benteli, 1981.
  • CAMPOS, Fernando Ferreira. Um fotógrafo, uma cidade: Augusto Malta. Rio de Janeiro: Maison Graphique, 1987.
  • FERREZ, Gilberto; NAEF, Weston J. Pioneer photographers of Brazil: 1840 - 1920. New York: The Center for Inter-American Relations, 1976.
  • HOFFENBERG, H. L. Nineteenth-century South America in photographs. New York: Dover Publications, 1982. 152 p., il. p&b.
  • KOSSOY, Boris. Origens e expansão da fotografia no Brasil: século XIX. Prefácio Boris Kossoy. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 128 p.
  • LEVY, Carlos Roberto Maciel (Coord.); SILVEIRA, Márcia Saad (Org.); PEIXOTO, Elizabete (Org.). Universo do carnaval: imagens e reflexões. Rio de Janeiro: Acervo Galeria de Arte, 1981.
  • LOUREIRO, Elizabeth Cristina Marques de (coord.). Augusto Malta, Aristógiton Malta: catálogo da série negativo em vidro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1994. 124p. il. (Biblioteca carioca, 29. Instrumentos de pesquisa).
  • MALTA, Augusto. Mostra de fotografia 4: carnaval de Malta. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. 12 folhas.
  • MALTA: fotógrafo do Rio antigo. Rio de Janeiro: RioGráfica, 1983.
  • MELO, Murilo Fiuza. Postais resgatam história do Rio neste século. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 04 abr 1999. Cidades, C6.
  • O BRASIL na máquina do tempo: coleção referencial da história da fotografia brasileira. São Paulo: Instituto Cultural Itaú, 1997. (Fotografia no Brasil) .
  • SAMAIN, Etienne (org.). O Fotográfico. São Paulo: Hucitec, 1998. 357p., il. (Linguagem e Cultura, 29).
  • TELLES, Augusto Carlos da Silva. Rio de Janeiro 1862-1927: álbum fotográfico da formação da cidade. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1999.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Mestres da fotografia no Brasil: Coleção Gilberto Ferrez. Tradução Bill Gallagher. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 1995.
  • VASQUEZ, Pedro Karp. Niterói e a fotografia: 1858-1958. Prefácio Luiz Antonio de Farias Mello; apresentação João Sampaio. Niterói: Funiarte, 1994. 151 p., il. p&b.

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