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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Mario Ramiro

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 22.10.2019
1957 Brasil / São Paulo / Taubaté
Foto: Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Pescaria II, 2005
Mario Ramiro

Mario Celso Ramiro de Andrade (Taubaté, São Paulo, 1957). Artista multimídia e professor. Interessa-se por artes plásticas aos 17 anos, quando é premiado com bolsa de estudos em um salão de arte de Taubaté. No ano seguinte, recebe a medalha de bronze do mesmo salão e, incentivado por professores, muda-se para São Paulo. Na capital, cursa artes p...

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Mario Celso Ramiro de Andrade (Taubaté, São Paulo, 1957). Artista multimídia e professor. Interessa-se por artes plásticas aos 17 anos, quando é premiado com bolsa de estudos em um salão de arte de Taubaté. No ano seguinte, recebe a medalha de bronze do mesmo salão e, incentivado por professores, muda-se para São Paulo. Na capital, cursa artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), entre 1978 e 1982. Aluno de Julio Plaza (1938-2003), Regina Silveira (1939) e Walter Zanini (1925-2013), interga o 3NÓS3, com atividades de intervenção urbana ao lado de Hudinilson Jr. (1957-2013) e Rafael França (1957-1991). Com a dissolução do grupo em 1982, volta-se para experiências envolvendo meios eletrônicos de reprodução e transmissão de imagem e texto. Em 1983, funda em São Paulo o Núcleo de Arte e Tecnologia (NAT), ativo até 1985, do qual participam o professor Fredric Litto (1939) e o arquiteto José Wagner Garcia (1956). Na década de 1980, participa de exposições sobre arte e tecnologia, como Arte Xerox Brasil (1984) na Pinacoteca do Estado de São Paulo e Arte Novos Meios/Multimeios: Brasil 70/80 (1985) no Museu de Arte Brasileira e participa das edições de 1981, 1983, 1985 e 1989 da Bienal Internacional de São Paulo. Em 1987, ministra o curso “O Uso dos Sistemas de Telecomunicação na Arte”, nas Oficinas Culturais Oswald de Andrade, em São Paulo. Nos anos 1990, volta-se para pesquisas de técnicas fotográficas, incentivado pelo filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser (1920-1991), que o indica para programa de intercâmbio na Kunstakademie Düsseldorf, Alemanha, entre 1992 e 1993. É mestre em arte e mídia pela Kunsthochschule für Medien Köln em Colônia, Alemanha, em 1997. Desde 2002, é professor do Departamento de Artes Visuais da ECA/USP. Em 2007, atua como diretor da Divisão de Ação Cultural e Educativa do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e, no ano seguinte, obtém o título de doutor em artes visuais pela ECA/USP. 

 

Análise

O potencial criativo dos meios eletrônicos de reprodução e difusão de imagens orienta grande parte da produção artística de Mario Ramiro entre as 1980 e 1990. Nesse período, o país implanta as novas tecnologias de telecomunicação, como sistemas de videotexto em São Paulo e Rio de Janeiro e o lançamento do satélite doméstico brasileiro, BrasilSat, em 1985. A geração de jovens artistas da época busca integrá-las à criação artística. Uma das primeiras experiências de Ramiro nesse sentido é Clones – uma Rede Simultânea de Rádio, Televisão e Videotexto, projeto realizado em parceria com José Wagner Garcia e exibido no Museu da Imagem e do Som (MIS/SP) em 1983. Nele, a representação de um mesmo objeto (uma barra horizontal vermelha), trafega pelos três sistemas envolvidos, configurando uma rede intermídia. Em 1988, ao lado do artista Eduardo Kac (1962), participa de Retrato Suposto-Rosto Roto. Nessa obra, desde os estúdios da TV Cultura, em São Paulo, Ramiro transmite, via fax, um conjunto de informações para o ateliê de Kac, no Rio de Janeiro. Com base nas informações, Kac realiza uma espécie de retrato falado. O desenho é enviado de volta, também por fax, e exibido em transmissão ao vivo.

O interesse pelas relações entre arte e tecnologia amplia-se para trabalhos escultóricos de formas e forças inacessíveis à visão, como a que irradia o calor dos corpos em Campo de Força (1986). Nele, há uma fonte irradiarora de calor que cria variações térmicas no ar ao redor do objeto contemplado. Tais variações não são visíveis a olho nu, mas perceptíveis pelo tato. Por meio das sensações na própria pele, o observador sente as variações na massa de ar e “modela” a escultura, composta pelo objeto e pelas ondas de calor ao redor dele.

Nessa direção segue também a série Light Turbulence (1995), realizada durante estágio na Kunstakademie Düsseldorf. As imagens registram, pela técnica fotográfica Schlieren, os deslocamentos ou turbulências de ar promovidas por corpos no espaço, num questionamento sobre fronteiras e coexistências entre matéria e energia, visível e invisível. 

No limite, é possível afirmar que, desde as intervenções urbanas realizadas com o grupo 3NÓS3, o cerne das pesquisas de Mario Ramiro é o questionamento dos limites do conceito de escultura.

Obras 1

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Exposições 68

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Fontes de pesquisa 6

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  • ANDRADE, Mario Celso Ramiro. Matéria e/a energia irradiante. São Paulo, 2009-2010. Memorial Circunstanciado apresentado para o concurso público para o provimento de cargo de Professor Doutor na área de Escultura junto ao Departamento de Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
  • APROPRIAÇÕES 91. Curadoria Tadeu Chiarelli. São Paulo: Paço das Artes, 1991. Catálogo de exposição.
  • KAC, Eduardo. “Arte e satélite”; “Novos meios / Multimeios”; “Ramiro: arte pelo telefone”. In: KAC, Eduardo. Luz & Letra: ensaios de arte, literatura e comunicação. Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria, 2004.
  • PANORAMA da Arte Brasileira, 1995. Curadoria Ivo Mesquita. São Paulo: MAM, 1995. Catálogo de exposição.
  • RAMIRO, Mario. Between form and force: connecting architectonic, telematic and thermal spaces. Trad. Stephen Sinsley e Simone Osthoff. Leonardo/ ISAST, San Francisco, v. 31, n. 4, p. 263-282. Versão on-line. Disponível em: http://leonardo.info/isast/spec.projects/ramiro/ramiro.html. Acesso em: 19 set. 2019.
  • RAMIRO, Mario. Currículo do artista. Plataforma Lattes, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Disponível em: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4796109Z4. Acesso em: 19 set. 2019.

Como citar

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