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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Arcangelo Ianelli

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.07.2020
18.07.1922 Brasil / São Paulo / São Paulo
26.05.2009 Brasil / São Paulo / São Paulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

[Sem Título], 1990
Arcangelo Ianelli

Arcangelo Ianelli (São Paulo, São Paulo, 1922 - idem 2009). Pintor, escultor, ilustrador e desenhista. Inicia-se no desenho como autodidata. Em 1940, estuda perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, recebe orientação em pintura de Colette Pujol (1913-1999). Dois anos depois, freqüenta o ateliê de Waldemar da Costa (1904-1982)...

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Biografia

Arcangelo Ianelli (São Paulo, São Paulo, 1922 - idem 2009). Pintor, escultor, ilustrador e desenhista. Inicia-se no desenho como autodidata. Em 1940, estuda perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, recebe orientação em pintura de Colette Pujol (1913-1999). Dois anos depois, freqüenta o ateliê de Waldemar da Costa (1904-1982) com Lothar Charoux (1912-1987), Hermelindo Fiaminghi (1920-2004) e Maria Leontina (1917-1984). Durante a década de 1950 integra o Grupo Guanabara juntamente com Manabu Mabe (1924-1997), Yoshiya Takaoka (1909-1978), Jorge Mori (1932), Tomoo Handa (1906-1996), Tikashi Fukushima (1920-2001) e Wega Nery (1912-2007), entre outros. A partir da década de 1940, produz cenas cotidianas, paisagens urbanas e marinhas, que revelam grande síntese formal e uma gama cromática em tons rebaixados. Por volta dos anos 1960, volta-se ao abstracionismo informal e produz telas que apresentam densidade matérica e cores escuras. No fim dos anos 1960, sua obra é ao mesmo tempo linear e pictórica, onde se destaca o uso de grafismos. Já a partir de 1970, volta-se à abstração geométrica e emprega principalmente retângulos e quadrados, que se apresentam como planos superpostos e interpenetrados. Atua ainda como escultor, desde a metade da década de 1970, quando realiza obras em mármore e em madeira, nas quais retoma questões constantes na obra pictórica. Em 2002, comemora os seus 80 anos com retrospectiva montada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp).

Análise

Arcangelo Ianelli começa a desenhar na adolescência. No princípio da década de 1940, tem aulas de arte na Associação Paulista de Belas Artes e inicia curso de pintura com Colette Pujol. Nesse período, faz pinturas e desenhos realistas, estruturados de acordo com as características percebidas na pintura paulistana. Entre o fim da década de 1940 e início da década de 1950, passa a demonstrar interesse por outras propostas estilísticas, aproximando-se progressivamente de soluções alinhadas ao debate sobre a arte construtiva, muito embora se mantenha ligado à figuração.

Nas marinhas, realizadas em 1957, a tendência à simplificação formal se aprofunda. O artista reduz sua paleta de cores e se concentra em formas lineares e bem contornadas. Nesse trabalho, as formas são planas, sem o sombreado tradicional. Os primeiros quadros da década de 1960 são feitos com formas geométricas simples e fechadas. Ianelli usa esse vocabulário para criar paisagens e retratos. Em 1961, a pintura torna-se francamente abstrata. No entanto, as cores ralas e a pincelada suave são trocadas por manchas espessas de tinta e cores escuras. Três anos mais tarde, ganha o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna (SNAM). Passa de 1965 a 1967 na Europa. Nesse período, o artista insere linhas e outros grafismos em sua pintura, as formas vão se tornando mais regulares e contornadas, as manchas são suavizadas.

Em 1973, Ianelli radicaliza o processo de estruturação de suas telas e parte para a abstração geométrica. Divide a tela em formas regulares e busca uma relação rítmica entre elas. As pinturas guardam semelhanças com alguns trabalhos do concretismo. No mesmo ano, inicia séries de pintura, como Transparências e Superposições, em que trabalha com retângulos sobrepostos, com colorido discreto e vibrante. Em 1974, começa a realizar obra tridimensional. Como em suas pinturas, sobrepõe retângulos em planos diferentes de uma superfície contínua.

A partir de 1983, o artista relaciona essas formas geométricas com zonas de cor menos lineares. As manchas passam a escapar do contorno. Em alguns trabalhos, somem as linhas que separam uma cor da outra e as manchas regulares de tinta são sobrepostas às formas retangulares, as passagens de cor se tornam mais tonais. Durante a década de 1980, alterna essas pinturas mais informais a outras em que relaciona as manchas com retângulos.

Em 1995, Ianelli volta à escultura. Realiza volumes brancos enxutos e bem definidos de mármore. Ao mesmo tempo, sua pintura caminha para a simplificação. Em trabalhos feitos entre 1999 e 2000, chamados Vibrações, reduz o número de cores e de manchas na pintura. A aplicação da tinta é suave, como se fosse borrifada na tela. As obras têm semelhanças com o trabalho de artistas norte-americanos, como Mark Rothko e Jules Olitski.

Obras 124

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

[Estaleiro]

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

[Barcos a Vela]

Óleo sobre tela

Exposições 394

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Feiras de arte 1

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Mídias (1)

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Arcângelo Ianelli - Enciclopédia Itaú Cultural
A observação da natureza, de suas cores e texturas foi uma prática importante na formação de Arcângelo Ianelli. “Em grupos de artistas, tomávamos o bonde na praça da Sé e íamos aos arredores de São Paulo”, conta ele. “Então, a gente observava na natureza, por exemplo, o verde. Mas o verde tem tantas nuances, tantas diferenças de um para outro [tom]”, completa. Em sua fase figurativa, além de observar a cor, Ianelli se vale de uma importante lição do pintor ngelo Simeone, que defende ser mais importante a interpretação do pintor no quadro do que a reprodução fiel da cena ou do objeto retratado. Ao aderir ao abstracionismo, Ianelli experimenta primeiro uma fase ligada à matéria e, em seguida, dedica-se cada vez mais à pesquisa da cor e de suas vibrações. Em seu processo de criação, as pinturas têm origem em um estudo. “É como um escritor fazendo anotações do que ele está vendo para depois iniciar o texto”.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 20

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  • ALMEIDA, Paulo Mendes de. Ianelli:do figurativo ao abstrato. Apresentação Aracy Amaral; texto Aracy Amaral; Juan Acha; Marc Berkowitz; Jacob Klintowitz. São Paulo: [s. n. ], 1978.
  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. Dicion?rio de pintores brasileiros. 2.ed. rev. Curitiba: UFPR, 1997.
  • BRAZILIANART Book II. São Paulo: Jardim Contemporâneo, [2001].
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • IANELLI, Arcangelo. Ianelli. Tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1987.
  • IANELLI, Arcangelo. Ianelli: 40 anos de pintura. Rio de Janeiro: MAM, 1984.
  • IANELLI, Arcangelo. Ianelli: do figurativo ao abstrato. São Paulo: MAM,1978.
  • KLINTOWITZ, Jacob. A Cor na arte brasileira: 27 artistas representativos. São Paulo: Volkswagen do Brasil, 1982.
  • LEIRNER, Sheila. Arte como medida: críticas selecionadas. São Paulo: Perspectiva, 1982.
  • LEITE, Jos? Roberto Teixeira. Dicion?rio cr?tico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral, LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1996: seu mercado, seus leilões. São Paulo: Júlio Louzada, 1996.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral, LOUZADA, Júlio. Artes plásticas Brasil 1999. São Paulo: Júlio Louzada, 1999.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes Plásticas Brasil 2000. São Paulo: Júlio Louzada, 1999. v. 12.
  • LOUZADA, Maria Alice do Amaral. Artes Plásticas Brasil 2002. São Paulo: Júlio Louzada, 2002. v. 13.
  • MORAIS, Frederico. Ianelli: forma e cor. Prefácio Juan Acha. São Paulo: Artestilo, 1984.
  • PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.

Como citar

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