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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ascânio MMM

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 10.10.2019
1941 Portugal / Braga / Braga
Registro fotográfico Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Múltiplo 17, 1978
Ascânio MMM
Madeira pintada
35,00 cm x 70,00 cm

Ascânio Maria Martins Monteiro (Fão, Portugal, 1941). Escultor e arquiteto. Nascido em Portugal, aos 17 anos muda-se de para o Rio de Janeiro. Frequenta a Escola de Belas Artes entre 1963 e 1964 para aperfeiçoar-se em técnicas de desenho. Em 1969, forma-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como arquitet...

Texto

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Ascânio Maria Martins Monteiro (Fão, Portugal, 1941). Escultor e arquiteto. Nascido em Portugal, aos 17 anos muda-se de para o Rio de Janeiro. Frequenta a Escola de Belas Artes entre 1963 e 1964 para aperfeiçoar-se em técnicas de desenho. Em 1969, forma-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atua como arquiteto até 197

Durante os anos 1970, inicia experimentações volumétricas com ripas de madeira em módulos pintados de branco, organizadas em eixo, emblemáticas em sua produção artística. Essas progressões verticais e horizontais articulam-se para propor uma volumetria escultórica que, em alguns trabalhos, contam com o espectador para configurar outros arranjos formais. Na década seguinte, explora as possibilidades oferecidas por madeiras como ipê, freijó, mogno em estado cru para a construção de relevos e esculturas. Sua pesquisa subsequente continua priorizando a linguagem abstrata construtiva e introduz outros materiais industriais, como alumínio e arame inox. A escala das obras é ampliada, e esculturas públicas são comissionadas para as cidades de Lisboa, Tóquio, São Paulo e Rio de Janeiro.

Ao longo da carreira, Ascânio MMM participa de duas Bienais de São Paulo (1967 e 1979), da 2a Bienal da Bahia (1968) e da 1a Bienal do Mercosul em Porto Alegre (1997). Além delas, também participa de exposições individuais no Rio de Janeiro (Museu de Arte Moderna 1976, 1984, 1999 e 2008), Belo Horizonte e São Paulo e faz parte de diversas mostras. Em 1972, ganha o Grande Prêmio para Escultura, no 4º Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1997, é condecorado como comendador com a Ordem do Mérito pelo presidente de Portugal. Suas obras fazem parte de coleções, como da Fundação Edson Queiroz, em Fortaleza, e do Itaú Cultural, e de acervos do Museo de Arte Contemporáneo de Buenos Aires, Museu de Arte Moderna e Museu Nacional de Belas Artes, ambos no Rio de Janeiro, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Nos anos 2000, são publicados os livros Ascânio MMM: Poética da Razão e Ascânio MMM, que oferecem análise crítica de sua trajetória artística, feita por diversos curadores.

Análise

O pensamento arquitetônico pressupõe atenção à volumetria nascida da geometria. Ascânio MMM projeta e executa a obra escultórica associando o rigor matemático à intuição lírica, com resultado harmônico. Sua trajetória é impulsionada pela formação acadêmica: “foi através da arquitetura que cheguei à arte”1. No entanto, se as aulas de geometria descritiva e matemática possibilitam organização do pensamento tridimensional, a sensibilidade do artista opera construindo formas que se projetam no espaço de modo calculadamente barroco.

Sua filiação estética – a abstração geométrica – é vinculada ao pensamento moderno da arquitetura e urbanismo, como o sistema modular para escala humana do arquiteto suíço Le Corbusier (1887-1965). Também acomoda a influência das vanguardas de arte concreta e neoconcreta dos anos 1950 e 1960, como dos artistas brasileiros Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937-1980), do escultor suíço Max Bill (1908-1994) e do francês Jean Arp (1887-1966).      

O jogo de luz e sombra proposto pelas esculturas brancas da década de 1970 articula ritmo, ora em progressão ora em ruptura, com torções sempre relacionadas com a escala humana.

Nos anos 1980, a madeira é destituída da pintura branca. As características de cada tipo de madeira escolhida – texturas e cores – são incorporadas às esculturas e aos objetos tridimensionais, como a série Fitangulares, desenvolvida nos anos 1980. Nessa obra, o módulo – fundamental na poética de Ascânio – aparece nas partições graduais que criam um compasso regido pela forma delimitada pela própria matéria, a madeira.  

A série Piramidais utiliza alumínio na construção de volumes que se apresentam ao mesmo tempo densos e ocos. Neste trabalho, o módulo, que em seu conjunto remete à colmeias metálicas, constrói e encapsula o vazio do interior. Marca, em um de seus lados, a organização estrutural por empilhamento e, de modo concomitante, a insuficiência de matéria. Além da força da matéria presente na forma robusta que se instala, a forma piramidal é impregnada de carga simbólica, que sinaliza a problemática da escala que Ascânio explora em suas obras públicas.

Tubos de alumínio retangulares seccionados formam a unidade construtiva de obras que produz para diferentes cidades. É o caso de Piramidal 12.5 (1991-1999), instalada em Fão, Portugal, às margens do rio Cávado. Nesta obra, Ascânio retoma com veemência o debate sobre densidade e permeabilidade. A maneira com que o ângulo da ponta da pirâmide se projeta, como a proa de um navio, apresenta registro afetivo da ligação do artista com o mar.    

Nas esculturas desenvolvidas nos anos 2000, o olhar atravessa-as, como em Flexo 3 (2004), construída com malha de alumínio e arame inox. A estrutura, apoiada no chão, tem as pontas retorcidas, apontando para o centro. Mais uma vez, resistência e permanência são possíveis pela característica do material, que é reorganizado em sua escala e forma pelas mãos do artista.

Na série Qualas (2007), o alumínio torna-se maleável pelo uso de argolas de tamanhos variados, que fixam a trama em módulos construídos para que se desprendam a partir de um tubo rígido, feito do mesmo material e preso ao teto.  A gravidade permite que as formas descendam e atravessem planos espaciais, em uma topografia não ensaiada, como se o diálogo entre formas retas e torcidas fosse repercutido pelo tempo. Assim, a escultura adquire imaterialidade e imprevisibilidade.

Notas

1 ASCÂNIO MMM. Ascânio MMM: poética da razão. São Paulo: Beĩ, 2012, p. 20.

Obras 8

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Registro fotográfico Sérgio Guerini

Caixa 2

Madeira pintada (edição 1/5)
Reprodução Fotográfica Romulo Fialdini

Formação Um

Pinho envernizado
Registro fotográfico Sérgio Guerini/Itaú Cultural

Múltiplo 17

Madeira pintada
Reprodução Fotográfica João Bosco

Piramidal 12

Ripas de cedro coladas

Exposições 130

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Feiras de arte 3

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Fontes de pesquisa 27

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  • AMARAL, Aracy (org.). Projeto Construtivo Brasileiro na arte (1950-1962). Rio de Janeiro: Museu de Arte Moderna; São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1977. LR 709.8104 P964
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  • ASCÂNIO MMM. Ascânio MMM. Rio de Janeiro: Galeria Paulo Klabin, 1981. il. p.b. A811 1981
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  • ASCÂNIO MMM. Ascânio MMM: obras. Texto de Francisco Bittencourt. São Paulo: Galeria Arte Global, 1976.
  • ASCÂNIO MMM. Ascânio MMM: piramidais. São Paulo, SP: Subdistrito Comercial de Arte, 1991. 16 p., il. p&b. color. A811 1991
  • ASCÂNIO MMM. Piramidais : ASCÂNIO MMM. Rio de Janeiro: IAB, 1989. il. p.b. color. A811 1989
  • ASCÂNIO MMM. Piramidais IV. Texto Fernando Cocchiarale; fotografia Wilton Montenegro; projeto gráfico Nair de Paula Soares, João Fonseca Fernandes; versão em inglês Courtney Smith. Rio de Janeiro : MAM, 2000.
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