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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Cao Guimarães

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 23.07.2020
09.01.1965 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Arquivo do artista

Gambiarras 01, 2005
Cao Guimarães
Fotografia
45,00 cm x 60,00 cm

Claudio Gontijo Guimarães (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1965). Artista visual, cineasta. Ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1983 e, logo depois, transfere-se para o curso de jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), onde estuda até 1986. Inicia o trabalho artístic...

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Biografia    

Claudio Gontijo Guimarães (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1965). Artista visual, cineasta. Ingressa na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1983 e, logo depois, transfere-se para o curso de jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), onde estuda até 1986. Inicia o trabalho artístico com a fotografia e realiza experimentações estéticas em vídeo no fim dos anos 1980.

Aos 32 anos, frequenta aulas de cinema experimental em Londres, onde reside com a então esposa, a artista plástica mineira Rivane Neuenschwander (1967), aluna da Royal College of Art. Com ela, realiza uma série de vídeos, como Sopro (2000) e Word World (2001). Outra colaboração frequente é com o coletivo sonoro O Grivo, de Nelson Soares (1967) e Marco Moreira (1967), responsável pelas trilhas de áudio dos filmes de Cao. Um deles, O Homem das Multidões (2013), realizado com o cineasta recifense Marcelo Gomes (1963); e outro, Acidente (2006), com o artista mineiro Pablo Lobato (1976).

A partir dos anos 2000, sua produção contempla longas-metragens, como O Fim do Sem Fim (2001), Rua de Mão Dupla (2002), A Alma do Osso (2004), Andarilho (2006) e os já citados Acidente e O Homem das Multidões. Andarilho recebe os prêmios de melhor diretor no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro (2007) e de melhor filme no 9o Festival Internacional de Cinema de Las Palmas de Gran Canária (2008), na Espanha.

Participa de exposições coletivas importantes, como a 25a e 27a Bienais de São Paulo (2002 e 2006) e a 11a Bienal de Sharjah nos Emirados Árabes em 2013. Neste mesmo ano, o Itaú Cultural realiza a mostra retrospectiva Ver é Uma Fábula, com trabalhos fotográficos, filmes e seminários do e sobre o artista.       

As obras de Cao estão presentes em acervos públicos, como Instituto Inhotim (Brasil), Modern Art Museum (MoMA) e Museu Guggenheim (Estados Unidos), Fundação Cartier (França), Tate Modern (Reino Unido), Museu Thyssen-Bornemisza (Espanha) e Coleção Jumex (México). Seus filmes são apresentados em festivais internacionais de cinema, como os de Locarno (Suíça), Cannes (França), Sundance (Estados Unidos) e Veneza (Itália).

Análise

A produção de Cao Guimarães inscreve-se em um lugar híbrido, entre artes plásticas e cinema documental. Autodidata, internaliza as questões técnicas dos equipamentos antigos que utiliza em seus trabalhos, como câmeras Super-8 e 16mm. Incorpora também questões conceituais, ao se educar com repertório audiovisual de vanguarda, exposições de arte e literatura. Sem recorrer a roteiro pré-estabelecido, orienta seu processo criativo com proposições ou sugestões. Ao abrir espaço para o acaso na captação das imagens, confia na montagem para reconstruir, com a trilha sonora, realidades que dilatem a percepção por meio do tempo cinematográfico.           

O olhar de Cao tem interesse em revelar o que não é percebido ou valorizado, como na série fotográfica Gambiarras, produzida desde 2001. Como o nome sugere, estes trabalhos evidenciam soluções alternativas e inusitadas, tomadas no cotidiano com materiais que se encontram à mão. É o caso, por exemplo, de compensar a falta das hastes de uma armação de óculos com um fio elétrico rígido e colorido, em Gambiarras, n. 13 (2005), ou do uso de uma tábua de cozinha para manter uma janela basculante aberta, em Gambiarras, n. 1 (2005). Desta maneira, Cao registra os atos criativos que resgatam as pequenas crises cotidianas, e eles passam a existir como obras de arte. Com isso, o artista oferece outro sentido e novo lugar de permanência ao que é desprezado.           

Esta posição de observador atento às realidades, como um documentarista de sutilezas, articula questões poéticas como o desvio, a memória, o tempo e o afastamento. A Alma do Osso, O Andarilho e O Homem das Multidões, este codirigido por Marcelo Gomes, são filmes que compõem a "trilogia da solidão" e debruçam-se sobre aquelas temáticas. O filme O Andarilho apresenta, em suas particularidades, três homens que vagueiam em rodovias no nordeste de Minas Gerais (BR-521, BR 135 e BR-122). Com poucas falas e movimentos de câmera pontuais, o calor do asfalto oferece qualidade incorpórea às imagens, que se dissolvem em longos planos. Há pouca ação: a câmera ora se aproxima ora se distancia dos andarilhos, e a trilha sonora amplia o estado contemplativo sobre personagens que vivem à margem da estrada e da sociedade.   

O vídeo Sin Peso (2007), comissionado para uma exposição coletiva no museu mexicano Carrillo Gil, exibe uma sucessão de imagens quase estáticas de lonas coloridas em uma feira de rua na cidade do México. As vozes dos comerciantes sobrepõem-se aos sons de apitos, buzinas de automóveis, assobios e ruídos indistintos. Quando a perspectiva mais ampla do lugar é mostrada, a feira parece estar distante do observador e, ao mesmo tempo, protegida, em sua efemeridade, entre altos edifícios históricos. A trilha sonora desenvolvida pelo coletivo O Grivo aumenta a cacofonia da situação: a retórica da venda é emudecida pelo distanciamento que a língua estrangeira oferece. Predominam planos de cor na geometria formada pelas sobreposições das tendas, e o movimento que elas produzem permite que, eventualmente, perceba-se o céu azul com nuvens brancas. O título faz menção à moeda mexicana desvalorizada, como também à leveza das lonas que estruturam de modo provisório aquele comércio.

Obras 12

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Exposições 244

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Feiras de arte 7

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Festivais 8

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Mostras audiovisuais 63

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Workshops 1

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Mídias (1)

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Cao Guimarães - Enciclopédia Itaú Cultural
Videomaker e fotógrafo, Cao Guimarães define seu trabalho como um híbrido que caminha entre as artes plásticas e o cinema. O tom experimental e autoral de seus filmes o leva a expor suas produções não apenas em festivais de cinema, como Sundance (EUA) e Rotterdam (Holanda), mas também em importantes eventos de artes plásticas, entre eles, a Bienal de São Paulo e a mostra Panorama da Arte Brasileira, realizada pelo MAM/SP. “O mundo das artes plásticas tem essa função interessantíssima de buscar trabalhos mais investigativos e experimentais, com uma narrativa autoral, para formar espectadores para um tipo de cinema que só está nascendo agora”, diz. O filme Acidente (2006), por exemplo, é uma parceria do artista com Pablo Lobato e cria uma narrativa a partir dos nomes de vinte cidades mineiras. Cada município recebe a visita da equipe, que registra cenas aleatórias, acidentalmente – daí o nome da obra.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Fontes de pesquisa 20

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  • A IDENTIDADE virtual, a pedra sabão. Tradução Graciela Ravetti, Sara Rojo. Ouro Preto: Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, 1994. , il. color.
  • ALMEIDA, Carlos H. Cao Guimarães foca na solidão do século XXI em ‘O Homem das multidões’. O Gobo, Rio de Janeiro, 31 jul. 2014. Disponível em: < https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/cao-guimaraes-foca-na-solidao-do-seculo-xxi-em-homem-das-multidoes-13434713 >. Acesso em: jun. 2017.
  • ANJOS, Moacir dos. Pessoas deitadas. Caderno Sesc_Videobrasil 08. Edições SESC. São Paulo, n.8, 2012. p. 71-74.
  • ARTE/CIDADE 3: a cidade e suas histórias. Texto Nelson Brissac Peixoto, Lorenzo Mammì. São Paulo: Marca D'Água, 1997. 124 p., il. p.b. color.
  • BITTENCOURT, Sandra. Entrevista com Cao Guimarães, 24 junho de 2017. Rádio CBN de Recife. Disponível em: < https://soundcloud.com/cbnrecife-com/sandra-bittencourt-conversa-com-o-cineasta-cao-guimaraes >. Acesso em: jul. 2017.
  • CAO GUIMARÃES. Site oficial do artista. Disponível em:< http://www.caoguimaraes.com >. Acesso em: jul. 2017.
  • CHÃO e parede. Belo Horizonte: EMBRA, 1994.
  • COTIDIANO/ARTE: O Objeto Anos 90. Curadoria Lisette Lagnado. São Paulo: Itaú Cultural, 1999. (Eixo Curatorial 1999).
  • GALERIA Nara Roesler. Currículo Cao Guimarães. Disponível em: http://www.nararoesler.com.br/curriculo/cao-guimaraes. Acesso em: 25 fev. 2013.
  • GUIMARÃES, Cao. Cao Guimarães: depoimento. Depoimento concedido para a exposição Ver é uma Fábula (2013).Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=n88Ieqcy1Rw >. Acesso em: jul. 2017.
  • GUIMARÃES, Cao. Cao. São Paulo: Cosac & Naify, 2015.
  • HOMEM sanduíche. São Paulo: Praça Ramos de Azevedo, 1993. , il p&b.
  • HOSNI, Cassia Takahashi. Inventário da obra visual de Cao Guimarães. Dissertação (Mestrado em Multimeios) – Instituto de Artes, Universidade Federal de Campinas (Unicamp), Campinas, 2014. Disponível em: < http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/285239/1/Hosni_CassiaTakahashi_M.pdf >. Acesso em: jun. 2017.
  • MUSEU EYE Film Institute Netherlands. Disponível em: < https://www.eyefilm.nl/en/exhibition/apichatpong-weerasethakul-cao-guimarães >. Acesso em: jul.2017.
  • O CORPO. Entre o público e o privado. Curadoria e texto Arlindo Machado; texto Christine Mello. São Paulo: Paço das Artes, 2004. 32 p., il. p&b color.
  • PANORAMA DA ARTE BRASILEIRA, 2001, São Paulo, SP. Panorama da Arte Brasileira 2001. Curadoria geral Rejane Cintrão; curadoria Ricardo Basbaum, Paulo Reis, Ricardo Resende; versão em inglês John Milton, Maria Lucia Cavalcanti de Albuquerque Cumo. São Paulo: MAM, 2001.
  • PRATA, Isabella e AYDAR, Bia (Orgs.) Antarctica Artes com a Folha. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
  • TERRITÓRIOS: nove artistas empenhados em fundar suas próprias paisagens. Curadoria Agnaldo Farias. São Paulo: Instituto Tomie Ohtake, 2002. 96 p., il. color. (A recente trajetória da arte brasileira, 4). 3 folders.
  • UTOPIAS contemporâneas. Curadoria José Alberto Nemer. Belo Horizonte: Fundação Palácio das Artes, 1992.
  • Videobrasil on-line - curriculum de Cao Guimarães. Disponível em http://www.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/vbonline/bd/index.asp?cd_entidade=39686 . Acesso em 05.12.2005.

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