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Literatura

João Gilberto Noll

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.10.2019
15.04.1946 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
29.03.2017 Brasil / Rio Grande do Sul / Porto Alegre
João Gilberto Noll (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1946 – Idem, 2017). Romancista e contista. Em 1967, ingressa na Escola de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, curso que abandona dois anos depois. Em 1969, transfere-se para o Rio de Janeiro e inicia o curso de letras da Faculdade Notre Dame, concluído em 1979.  Na cidade cari...

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João Gilberto Noll (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 1946 – Idem, 2017). Romancista e contista. Em 1967, ingressa na Escola de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, curso que abandona dois anos depois. Em 1969, transfere-se para o Rio de Janeiro e inicia o curso de letras da Faculdade Notre Dame, concluído em 1979.  Na cidade carioca, colabora com os jornais Folha da manhã e Última hora. Publica seu primeiro conto em uma antologia lançada em Porto Alegre, em 1970. 

Atua como revisor de provas, coordena oficinas literárias e leciona no Curso de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, em 1975.  Seu primeiro livro, O Cego e a Dançarina, é lançado em 1980. Em 1986, retorna a Porto Alegre e, a partir de 2004, colabora com o jornal Correio Braziliense, publicando contos no caderno “Pensar”. 

Publica 13 livros até 2010, seis deles com traduções para o espanhol, o italiano, ou o inglês. É contemplado com bolsas concedidas pela universidade de Iowa e pela Fundação Vitae, além de ser convidado por universidades nos Estados Unidos e na Europa como conferencista e escritor-residente. Recebe diversos prêmios, entre eles o Prêmio da Fundação Guggenheim, em 2002, e o Prêmio ABL de Ficção de 2004.

 

Análise

João Gilberto Noll é autor de uma literatura errante. Seus protagonistas carregam identidades mal delineadas, carecem de um passado bem determinado e de destinos certo para seus percursos. Daí a configuração das narrativas como itinerários de buscas incertas, cujos personagens encontram-se submetidos aos impulsos do corpo e ao desnorteamento. Habitam um mundo esvaziado de sentido, traço revelador da presença formadora de Clarice Lispector (1920-1977). A linguagem direta busca apreender a concretude da vida em detrimento de voos psicologizantes, com fluxos linguísticos vertiginosos em que a apresentação da realidade confunde-se com digressões de caráter poético.

A trama apresenta-se secundária, suporte para o trabalho com a linguagem, mais do que como centro de gravidade dos textos. “Palavras em pássaro”, que voam sem que a língua “possa freá-las”, tal como afirma o narrador do conto “O Cego e a Dançarina”, que fecha o livro de estreia. Nele, já se anuncia a proliferação verbal que permite a alternância entre tempos e espaços, ocorrida em livros como A Céu Aberto (1996), em que também se entrevê a depuração da linguagem. O procedimento é central em Hotel Atlântico (1989). Trata-se do relato percurso errante de um ex-ator desconhecido, cuja morte é narrada com a mesma ausência de profundidade psicológica que caracteriza as relações humanas mantidas por ele. Críticos como Flora Sussekind (1955) destacam a obra de Noll como renovadora da ficção brasileira nos anos 1980, responsável por uma revitalização da pesquisa formal das estratégias narrativas.

Espetáculos 3

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Fontes de pesquisa 10

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  • AGOSTINI MELLO, Jefferson. O interstício poético da obra de João Gilberto Noll. Disponível em: http//www.joaogilbertonoll.com.br.
  • AVELAR, Idelber. João Gilberto Noll e o fim da Viagem. In: JOÃO Gilberto Noll. Site oficial do escritor. Rio Grande do Sul, 2000. Disponível em: http://www.joaogilbertonoll.com.br. Acesso em: 18 maio 2011.
  • Escritor João Gilberto Noll morre aos 70 anos em Porto Alegre. Folha de São Paulo. São Paulo, 29 mar. 2017. Ilustrada. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/03/1870740-escritor-joao-gilberto-noll-morre-aos-70-anos-em-porto-alegre.shtml . Acesso em: 29 de mar. 2017.
  • JOÃO Gilberto Noll. Site oficial do escritor. Disponível em: Disponível em: http://www.joaogilbertonoll.com.br. Acesso em: 18 maio 2011.
  • NOLL, João Gilberto. Harmada. Orelha de Flora Sussekind. São Paulo: Cia das Letras, 1993.
  • OTSUKA, Edu Teruki. Marcas da cataśtrofe: experiência urbana e indústria cultural em Rubem Fonseca, João Gilberto Noll e Chico Buarque. São Paulo, Nankin Editorial, 2001.
  • REZENDE, Beatriz. O súbito desaparecimento da cidade na ficção brasileira dos anos 90. Revista Semear 3. In: JOÃO Gilberto Noll. Site oficial do escritor. Rio Grande do Sul, 2000. Disponível em: http://www.joaogilbertonoll.com.br. Acesso em: 18 maio 2011.
  • SANTIAGO, Silviano. O evangelho segundo João. In: ______. Nas malhas da letra. Rio de Janeiro, Rocco, 2002.
  • SUSSEKIND, Flora. Ficção 80: Dobradiças e Vitrines. In: Revista do Brasil, ano 2, nº 5. Rio de Janeiro, Departamento de Cultura da Secretaria de Ciência e Cultura do Estado do Rio de Janeiro, 1986.
  • SUSSEKIND, Flora. Literatura e vida literária. Polêmicas, diários & relatos. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editora, 1985.

Como citar

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