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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Ciccillo Matarazzo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.10.2015
20.02.1898 Brasil / São Paulo / São Paulo
16.04.1977 Brasil / São Paulo / São Paulo
Francisco Matarazzo Sobrinho (São Paulo SP 1898 - idem 1977). Industrial, mecenas. Vive na Europa dos 10 aos 20 anos de idade. Em 1908, é enviado a Nápoles, Itália, para completar o ensino médio, e depois a Liège, Bélgica, onde cursa engenharia. Sobrinho do conde Francisco Matarazzo (1854 - 1937), italiano que construiu um dos maiores complexos ...

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Biografia

Francisco Matarazzo Sobrinho (São Paulo SP 1898 - idem 1977). Industrial, mecenas. Vive na Europa dos 10 aos 20 anos de idade. Em 1908, é enviado a Nápoles, Itália, para completar o ensino médio, e depois a Liège, Bélgica, onde cursa engenharia. Sobrinho do conde Francisco Matarazzo (1854 - 1937), italiano que construiu um dos maiores complexos industriais do Brasil, comanda parte do conglomerado de indústrias metalúrgicas da família. Com o desmembramento das empresas, na década de 1930, torna-se o único proprietário da Metalúrgica Matarazzo-Metalma.

A partir de meados da década de 1940, estreita relações com intelectuais de projeção da Universidade de São Paulo - USP. O contato com personalidades como o crítico de arte Sérgio Milliet (1898 - 1966) e o arquiteto Eduardo Kneese de Mello (1906 - 1994) faz crescer seu interesse pelas artes e alimenta seu plano de criar em São Paulo um museu dedicado à produção artística moderna. Em 1947, casa-se com Yolanda Penteado (1903 - 1983), pertencente a uma tradicional família cafeicultora paulista. Nesse mesmo ano, por motivos de saúde, passa uma temporada em um sanatório em Davos, Suíça, onde conhece Karl Nierendorf (1889 - 1947), galerista alemão atuante nos Estados Unidos. Com ele idealiza a montagem de uma exposição de arte abstrata para a abertura do museu que pretende fundar.

Por intermédio do industrial norte-americano Nelson Rockefeller (1908 - 1979), da Standard Oil, obtém um acordo de cooperação com o Museum of Modern Art - MoMA [Museu de Arte Moderna] de Nova York. Assume então a liderança do projeto de criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, valendo-se de entendimentos mantidos entre Milliet e Rockefeller desde 1942. O estatuto do MAM, pautado no funcionamento do MoMA, é estabelecido em 1948. No ano seguinte o museu é inaugurado, na rua Sete de Abril 230, no mesmo prédio, de propriedade de Assis Chateaubriand (1892 - 1968), onde funciona o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Em 1958, o MAM é transferido para o parque do Ibirapuera.

Ciccillo convida Léon Degand (1907 - 1958), crítico belga residente em Paris, para organizar a exposição inaugural do museu, Do Figurativismo ao Abstracionismo, primeira mostra coletiva de arte não figurativa realizada no Brasil, com artistas europeus como Jean Arp (1887 - 1966), Alexandre Calder (1898 - 1976), Robert Delaunay (1885 - 1941), Wassily Kandinsky (1866 - 1944), Francis Picabia (1879 - 1953), Victor Vasarely (1908 - 1997) e Flexor (1907 - 1971) além dos brasileiros Cicero Dias (1907 - 2003) e Waldemar Cordeiro (1925 - 1973). Apesar de não esconder seu gosto inicial pela arte acadêmica,¹ reconhece a importância da abstração artística e antevê o impacto da mostra, que, em suas palavras, iria "levantar o diabo nell´acqua morta".² Orientado pelo artista italiano Alberto Magnelli (1888 - 1971) e pela marchande Margherita Sarfatti (1880 - 1961), Ciccillo adquire diversas obras do chamado Novecento, de futuristas italianos, bem como obras de tendências ligadas ao cubismo, de artistas de formação francesa. A curta permanência de Degand na diretoria do MAM estimula-o a incrementar o acervo da exposição com uma produção moderna internacional, de caráter figurativo e abstrato, e com incentivo de Lourival Gomes Machado (1917 - 1967) forma o núcleo inicial de sua coleção brasileira.

Com o amigo de infância e engenheiro Franco Zampari (1898 - 1966), cria em 1948 o Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, e em 1949 a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Paulo.

Ciccillo preside a Comissão do IV Centenário da cidade. O local escolhido para sediar a maior parte dos eventos é o Ibirapuera, onde se planeja construir um grande parque, e para projetar o conjunto de edificações é convidado o arquiteto Oscar Niemeyer (1907 - 2012).

O mecenas é o idealizador e principal responsável pela realização da Bienal Internacional de São Paulo. A primeira edição ocorre em 1951 na área do recém-demolido Trianon, na avenida Paulista, e tem como eventos integrados a Exposição Internacional de Arquitetura e o Festival Internacional de Cinema. Leva à frente essa iniciativa, amparado inicialmente pela atuação de Milliet e Gomes Machado, diretores artísticos das primeiras bienais, e motivado a relacionar a arte moderna do Brasil com a arte internacional, propiciar ao público o contato com os diversos movimentos artísticos do século XX e projetar a cidade de São Paulo como centro artístico mundial.³ Em 1962, resolve separar a bienal do MAM, e cria a Fundação Bienal. No ano seguinte, decide doar o acervo do MAM à USP, apesar das tentativas de diversos conselheiros e do diretor artístico do museu, o crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981), de dissuadi-lo do propósito. Em janeiro de 1963, o MAM é extinto e seu patrimônio transferido para a USP, e, em reconhecimento a essa doação, recebe da reitoria da universidade o título de doutor honoris causa. Na ocasião, é concedido a Yolanda Penteado o diploma de benemerência. Ciccillo renuncia à presidência da Fundação Bienal em 1975, dois anos antes de sua morte.

 

Notas

¹ "Devo confessar que, quando comecei, era o acadêmico mais acadêmico de todos. Gostava de pintura clássica, de tudo o que se parecesse o mais possível comigo. Depois comecei a ver a evolução da arte." Depoimento de Ciccillo Matarazzo Sobrinho apud ALMEIDA, Fernando Azevedo de. O franciscano Ciccillo. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1976, p. 31.
 
² ALMEIDA, Fernando Azevedo de. O franciscano Ciccillo. São Paulo: Livraria Pioneira Editora, 1976, p. 33.

³ Conforme o texto do catálogo da 1ª Bienal, de autoria de Lourival Gomes Machado, In: MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: MAM, 1951, p. 14.

Exposições 2

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Fontes de pesquisa 8

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  • ALMEIDA, Fernando Azevedo de. O Franciscano Ciccillo. São Paulo: Pioneira, 1976. 282 p., il. p&b. (Novos umbrais).
  • AMARAL, Aracy (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Texto Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p., il.color.
  • AMARANTE, Leonor. As Bienais de São Paulo: 1951-1987. São Paulo: Projeto, 1989. 408 p., il. p&b., color.
  • ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Empreendedores culturais imigrantes em São Paulo de 1950. Tempo social - revista de sociologia da USP, v. 17, n. 1, 2005.
  • ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Metrópole e cultura: São Paulo no meio século XX. Bauru: Edusc, 2001. 482 p., il. color., p&b. (Ciências Sociais).
  • Disponível em: [http://bienalsaopaulo.terra.com.br/hist_cicci.asp]. Acesso em: 01/mar/2004. Fundação Bienal de São Paulo
  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno. São Paulo: Edusp, 1999. 293 p., il. p&b. (Acadêmica, 26).
  • MAM: Museu de Arte Moderna de São Paulo. Texto Vera D'Horta. São Paulo: DBA, 1995. [163] p., il. color.

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