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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Raquel Arnaud

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.08.2022
05.07.1935 Brasil / São Paulo / Guaratinguetá
Raquel Barbosa Arnaud (Guaratinguetá, São Paulo, 1935). Marchand, galerista. Tem papel importante no desenvolvimento da arte contemporânea e na consolidação das artes plásticas de maneira geral no Brasil, seja abrindo espaço para artistas iniciantes, seja criando formas de valorizar aqueles já renomados.

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Raquel Barbosa Arnaud (Guaratinguetá, São Paulo, 1935). Marchand, galerista. Tem papel importante no desenvolvimento da arte contemporânea e na consolidação das artes plásticas de maneira geral no Brasil, seja abrindo espaço para artistas iniciantes, seja criando formas de valorizar aqueles já renomados.

Aos 10 anos de idade, Arnaud migra com a família de Guaratinguetá para São Paulo, onde o pai esperava que ela tivesse uma formação de alta qualidade. Durante o colegial, como era chamado antigamente o ensino médio, torna-se frequentadora do então recém-inaugurado Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), onde faz curso de História da Arte. Em 1954, ingressa na Escola Livre de Sociologia e Política, onde estuda Sociologia e Ciência Política, curso que lhe ajuda a ter uma visão mais ampla sobre as questões universais.

Após a morte de Lasar Segall (1891-1957), cujo ateliê ela costumava frequentar, ajuda a família Segall a organizar os trabalhos do artista lituano e viaja pela Europa acompanhando exposições das obras dele. De volta ao Brasil, começa a trabalhar no Masp, onde organiza feiras e exposições, e colabora com Pietro Maria Bardi (1900-1999), fundador do museu ao lado de Assis Chateaubriand (1892-1968).

Após a experiência no Masp, Arnaud faz estágio na galeria e casa de leilões Collectio, onde conhece a marchand Mônica Filgueiras (1944-2011) e toma contato com o trabalho de Sergio Camargo (1930-1990), que a deixa impressionada.

Em 1973, associa-se a Filgueiras para fundar o Gabinete de Artes Gráficas, especializado em trabalhos com papel e pequenos formatos, onde eram expostas obras de artistas como Mira Schendel (1919-1988) e León Ferrari (1920-2013), entre outros.

Simultaneamente, trabalha como diretora executiva na Arte Global, uma galeria da Rede Globo que realiza exposições anunciadas em horário nobre na televisão. O apelo midiático, somado à venda de gravuras a preços acessíveis, contribui para aumentar o apelo das artes plásticas junto ao público.

Em 1977, Arnaud lança a obra Caixa Preta, com desenhos do artista espanhol Julio Plaza (1938-2003) e poemas do escritor Augusto de Campos (1931) recitados em um disco pelo cantor Caetano Veloso (1942).

O material, que reúne diversas linguagens, é referência para a arte neoconcreta, estilo que marca presença na galeria de Raquel, por meio das obras de artistas como Willys de Castro (1926-1988), Lygia Clark (1920-1988) e Sérgio Camargo – nos anos 1990, Arnaud se tornaria responsável pelo espólio de Camargo, cujas obras posteriormente seriam alojadas na casa HUM, outro espaço criado por ela.

Em 1980, Arnaud desfaz a sociedade com Mônica Filgueiras e abre o Gabinete de Arte Raquel Arnaud, onde trabalha com artistas como Amilcar de Castro (1920-2002) e Carlos Fajardo (1941), além de apresentar nomes novos, como Nuno Ramos (1960) e Tunga (1952-2016), o que se revela uma novidade numa época em que colecionadores de arte no Brasil, via de regra, não davam muita importância para a arte contemporânea.

Nesse aspecto, seu trabalho por vezes é comparado ao da galerista francesa Denise René (1913-2012), figura central para o reconhecimento da arte contemporânea na França. Em 1997, Arnaud funda o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), centro de documentação e pesquisa que preserva e disponibiliza para pesquisa uma coleção de documentos relacionados à trajetória e à obra de artistas visuais brasileiros, além de promover exposições, cursos e seminários.

Toda essa dedicação às artes faz com que a trajetória de Raquel Arnaud seja eternizada por mais de uma iniciativa. No ano de 2005, a editora Cosac Naify lança o livro Raquel Arnaud e O Olhar Contemporâneo, que aborda a trajetória dela, composta de entrevista e estudos críticos. Em 2014, o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, realiza a exposição Afinidades: Raquel Arnaud 40 anos. Nela, são expostas obras de 45 artistas plásticos que passaram pela Galeria Raquel Arnaud – inaugurada em 2011, após uma série de mudanças de nome e endereço da iniciativa criada em 1980.

Segundo o crítico Ronaldo Brito (1949), a Galeria Raquel Arnaud representa um lugar de consolidação da modernidade brasileira, onde convivem obras clássicas e trabalhos renovadores.

É também um espaço que fomenta o hábito de se colecionar e expor obras de arte. Prova disso é que alguns compradores da galeria tornam-se, posteriormente, galeristas, caso de João Satamini e Marcantonio Vilaça (1962-2000).

Raquel Arnaud promove uma espécie de popularização de uma linguagem artística que não é exatamente popular. Construiu pontes que aumentaram o trânsito de artistas em início de carreira junto ao mercado e também levou os produtos desse mercado a um público que não estava acostumado a ele.

Exposições 4

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Fontes de pesquisa 2

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  • ARNAUD, Raquel. Afinidades: Raquel Arnaud. Textos: Raquel Arnaud, Antonio Gonçalves Filho, José Olympio Pereira, José Carlos Figueiredo Ferraz, Ronaldo Brito. São Paulo: Cosac Naify: 2014.
  • ARNAUD, Raquel. Raquel Arnaud e o olhar contemporâneo. Apresentação e entrevista Rodrigo Naves. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

Como citar

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