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Helvécio Ratton

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.12.2016
14.05.1949 Brasil / Minas Gerais / Divinópolis
Helvécio Ratton (Divinópolis, Minas Gerais, 1949). Diretor, produtor e roteirista. Até os 7 anos vive no interior de Minas, quando se muda para Belo Horizonte. A partir de 1966, torna-se militante na oposição à ditadura militar (1964-1985). Ingressa na luta armada em 1968. Em 1970, parte para o exílio no Chile, onde trabalha com exibição itinera...

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Biografia
Helvécio Ratton (Divinópolis, Minas Gerais, 1949). Diretor, produtor e roteirista. Até os 7 anos vive no interior de Minas, quando se muda para Belo Horizonte. A partir de 1966, torna-se militante na oposição à ditadura militar (1964-1985). Ingressa na luta armada em 1968. Em 1970, parte para o exílio no Chile, onde trabalha com exibição itinerante e produção de filmes. Em 1974, retorna ao Brasil e é preso no Rio de Janeiro. Permanece quarenta dias na prisão do Destacamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI)[1]. Retorna a Belo Horizonte e, em 1975, ingressa no curso de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais e se forma em 1978.

No mesmo ano, dirige o curta Criação (1977). Inicia sua parceria com o produtor Tarcísio Vidigal (1950) para realizar curtas, com destaque para o premiado Em Nome da Razão (1979), sobre o hospício de Barbacena. Dirige o premiado longa infantil A Dança dos Bonecos em 1986. O segundo longa é Menino Maluquinho, o Filme (1995), baseado na obra de Ziraldo (1932), que obtém sucesso de público e crítica. Nos anos seguintes realiza: Amor & Cia. (1998); baseado na obra Alves & Cia. (1995) de Eça de Queirós (1845-1900), Uma Onda no Ar (2002) sobre a história de uma rádio clandestina de Belo Horizonte; Batismo de Sangue (2006), baseado no livro homônimo de Frei Beto (1944), publicado em 1983; o longa infantil, Pequenas Histórias (2008); o documentário O Mineiro e o Queijo (2011) e o infanto-juvenil O Segredo dos Diamantes (2014).

Comentário Crítico
Nos filmes de Helvécio Ratton há referências à militância, à infância no interior de Minas Gerais, e à cultura mineira. Opta por um cinema narrativo de maior comunicação com o público. Suas lembranças de  infância são encontradas, entre outros, em O Menino Maluquinho, o Filme, que narra a experiência do protagonista, e a relação da criança com o tempo de brincadeiras vivido na Belo Horizonte dos anos 1960. A experiência de Ratton no cinema infanto juvenil, presente também no longa A Dança dos Bonecos, faz do diretor o responsável pelas mais elogiadas obras do gênero nos anos 1980 e 1990[2].

A heterogeneidade de temas tratados pelo diretor é confirmada, com o Batismo de Sangue, sua obra de maior destaque, na qual reencontra sua trajetória de militante de oposição à ditadura, apresentando a incursão de um grupo de padres beneditinos na luta armada no Brasil no final dos anos 1960, a fim de mostrar, segundo o diretor, a participação da igreja na luta contra a ditadura, até então, não explorada pelo cinema[3].  Em João Rosa (1980), curta documental, narra a biografia de João Guimarães Rosa (1908-1967) por meio de entrevistas de seu personagem clássico: Manuelzão. O filme acentua as referências culturais de Minas na obra do escritor. 

[1]O Destacamento de Operações Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) foi um órgão de inteligência e repressão do governo brasileiro, subordinado ao Exército, durante a ditadura militar.
[2] CARVALHO, Jailson Dias Helvécio Ratton e o Cinema Brasileiro. Revista Fênix. Vol. 5. Ano V. nº 4. Out/Nov/Dez. 2008. Disponível em: http://www.revistafenix.pro.br/PDF17/RESENHA_3_JAILSON_DIAS_CARVALHO_FENIX_OUT_NOV_DEZ_2008.pdf. Acesso em: 14 abr. 2016.
[3] VILLAÇA, Pablo. Helvécio Ratton: o cinema além das montanhas. São Paulo : Imprensa Oficial do Estado de São Paulo : Cultura – Fundação Padre Anchieta, 2005. p. 414.

 

Obras 1

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Exposições 1

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Eventos relacionados 8

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Fontes de pesquisa 3

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  • MIRANDA, Luiz F. A. Dicionário de cineastas. São Paulo: Art Editora, 1990.
  • NAGIB, Lúcia. O cinema da retomada: depoimentos de 90 cineastas dos anos 90. São Paulo: Editora 34, 2002.
  • VILLAÇA, Pablo. Helvécio Ratton: o cinema além das montanhas. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo : Cultura – Fundação Padre Anchieta, 2005.

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