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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Glauco Rodrigues

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 29.03.2021
05.03.1929 Brasil / Rio Grande do Sul / Bagé
19.03.2004 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

No Campo de Futebol, 1952
Glauco Rodrigues
Linoleogravura
20,10 cm x 24,00 cm
Acervo Instituto Itaú Cultural (São Paulo, SP)

Glauco Otávio Castilhos Rodrigues (Bagé, Rio Grande do Sul, 1929 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004). Pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cenógrafo. Começa a pintar, como autodidata, em 1945. Em 1949, recebe bolsa de estudos da Prefeitura de Bagé e freqüenta, por três meses, a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. E...

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Biografia

Glauco Otávio Castilhos Rodrigues (Bagé, Rio Grande do Sul, 1929 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004). Pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cenógrafo. Começa a pintar, como autodidata, em 1945. Em 1949, recebe bolsa de estudos da Prefeitura de Bagé e freqüenta, por três meses, a Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro. Em 1951, funda o Clube de Gravura de Bagé, com Glênio Bianchetti (1928) e Danúbio Gonçalves (1925). Fixa-se em Porto Alegre e participa do Clube de Gravura de Porto Alegre, fundado por Carlos Scliar (1920 - 2001) e Vasco Prado (1914 - 1998). Em 1958, muda-se para o Rio de Janeiro e integra a primeira equipe da revista Senhor. Reside em Roma entre 1962 e 1965. Ao retornar ao Brasil, participa de importantes exposições, como Opinião 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. No fim da década de 1950, sua produção se aproxima da abstração. Volta à figuração no início dos anos 1960, e produz obras sob o impacto da arte pop, tratando, com humor, de temas nacionais como a imagem do índio, o carnaval, o futebol, a natureza tropical e a história do Brasil, que inspiram séries como Terra Brasilis, 1970, Carta de Pero Vaz de Caminha, 1971, No País do Carnaval, 1982 ou Sete Vícios Capitais, 1985. Na década de 1980, recebe o Prêmio Golfinho de Ouro Artes Plásticas do Governo do Estado do Rio de Janeiro e publica o livro Glauco Rodrigues, que reúne toda sua obra. Em 1999, recebe o Prêmio Ministério da Cultura Candido Portinari - Artes Plásticas.

Análise

Glauco Rodrigues inicia-se em pintura em 1945, como autodidata. Em 1949, tem aulas com o pintor José Moraes (1921 - 2003), que instala um ateliê coletivo nas proximidades de Bagé, Rio Grande do Sul. Nesse ano, recebe bolsa de estudo da Prefeitura de Bagé e freqüenta por três meses a Escola Nacional de Belas Artes - Enba, no Rio de Janeiro. Com os artistas Glênio Bianchetti (1928) e Danúbio Gonçalves (1925), cria o Clube de Gravura de Bagé, em 1951. Três anos depois, integra o Clube de Gravura de Porto Alegre. No período em que freqüenta essas associações de gravadores, seus trabalhos são voltados para a representação do homem do campo e para os tipos e costumes regionais. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1959, quando, como ilustrador, faz parte da primeira equipe da revista Senhor. Reside em Roma entre 1962 e 1965. Ao retornar ao Brasil, participa de importantes exposições, como Opinião 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ.

Desde o fim da década de 1950 e no período em que reside na Itália, sua produção se aproxima da abstração, como em Paisagem de Porto Alegre, 1957, ou assume caráter declaradamente abstrato, como ocorre na série de aquarelas realizadas em Roma. Volta à figuração no início dos anos 1960 e produz obras sob o impacto da arte pop, como O Mito, 1964/1965 e Pão de Açúcar, 1968 ou a série Carta de Pero Vaz Caminha, 1971, na qual o descobrimento do Brasil é narrado como história em quadrinhos. A partir dos anos 1970, passa a incorporar em seus trabalhos personagens históricos, juntamente com figuras contemporâneas. Utiliza freqüentemente citações de quadros consagrados, como a figura do O Derrubador Brasileiro, 1879, de Almeida Júnior (1850 - 1899), presente em Abrasileirar-Se, 1986 e Paz na Tarde, 1989, ou Primeira Missa no Brasil, 1860, de Victor Meirelles (1832 - 1903), retomada em obra de mesmo nome, datada de 1980. Na tela A Ira, 1985 estão presentes as figuras do afresco Expulsão do Paraíso, do pintor renascentista Masaccio (1401 - 1428).

Em seus quadros nota-se um processo de carnavalização crítica da cultura visual brasileira: é constante a presença do índio, do carnaval, do futebol e da natureza tropical, como em De Natureza Tão Sutil, 1970 ou Abaporu, 1981, além das imagens apropriadas de artistas significativos do século XIX. Alguns críticos destacam o caráter hiper-realista de seus quadros, como em A Juventude, 1970. Revela em várias obras o interesse pela paisagem brasileira, como ocorre em Icatu-Água Boa, 1975.

Segundo o crítico Roberto Pontual, a obra de Glauco Rodrigues mostra um caráter de "tropicalismo crítico", questionando o contexto social e político brasileiro por meio de personagens identificáveis do passado histórico e empregando uma leve ironia. Ele parte de fontes fotográficas, postais ou reproduções, considerando a fotografia como fixadora de fatos e reunindo na superfície da tela signos de uma realidade que se apresenta como inegavelmente brasileira: o samba ou o índio, por exemplo. Em suas telas utiliza constantemente o verde e o amarelo e a própria bandeira do Brasil. Na opinião do crítico, o humor e a festa são táticas pelas quais o artista questiona uma série de clichês associados à imagem do país.

Obras 24

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Reprodução Fotográfica Paulo Góes

Abaporu

Acrílica sobre tela colada em madepan
Reprodução Fotográfica Paulo Góes

Canibales Brasilis

Acrílica sobre tela colada em madepan

Espetáculos 6

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Exposições 232

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Feiras de arte 1

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Mostras 1

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Fontes de pesquisa 24

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  • 3) PAIXÃO do olhar: instalação, pintura, fotografia e vídeo. Rio de Janeiro: MAM, 1993. 32 p., il. RJmam 1993/p
  • 8) UNIVERSIDADE DA REGIÃO DA CAMPANHA, BAGÉ, RS. Catálogo Pinacoteca. Bagé, s.d. s.p. il. RSurcamp s.d./c
  • 9) Site Folha de S. Paulo. Disponível em: [http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u42572.shtml]. Acesso em: 19 mar. 2004. Folha de S. Paulo
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  • DICIONÁRIO brasileiro de artistas plásticos. Organização Carlos Cavalcanti e Walmir Ayala. Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1973-1980. 4v. (Dicionários especializados, 5).
  • DUARTE, Paulo Sérgio. Anos 60: transformações da arte no Brasil. Rio de Janeiro: Lech, 1998. 709.81 D812a
  • GRAVURA moderna brasileira: acervo Museu Nacional de Belas Artes. Curadoria Rubem Grilo. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1999.
  • GRAVURA: arte brasileira do século XX. São Paulo: Itaú Cultural: Cosac & Naify, 2000.
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  • LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. R759.981 L533d
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  • OBJETO na arte: Brasil anos 60. Coordenação Daisy Valle Machado Peccinini de Alvarado. São Paulo: FAAP, 1978. 709.04 O12p
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • RODRIGUES, Glauco. Apoteose Tropical: desfile-exposição com pinturas de Glauco Rodrigues. Rio de Janeiro: Fundação Casa-França Brasil, 1991.
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  • RODRIGUES, Glauco. Glauco Rodrigues: accuratissima Brasilae Tabula. São Paulo: Galeria de Arte Ipanema, 1974. il. p.b. color.
  • RODRIGUES, Glauco. Glauco Rodrigues: pinturas e aquarelas. São Paulo: Galeria de Arte São Paulo, 1990.
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