Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

João Gomes de Araújo

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 07.02.2017
05.08.1846 Brasil / São Paulo / Pindamonhangaba
08.09.1943 Brasil / São Paulo / São Paulo
João Gomes de Araújo (Pindamonhangaba, São Paulo, 1846 - São Paulo, São Paulo, 1943). Compositor, professor e regente. Depois de estudar em sua cidade natal, ingressa, em 1861, no Conservatório do Rio de Janeiro, onde tem teoria com Francisco Manuel da Silva (1795-1865) e violino com Demétrio Rivera. Chamado pelo pai, que precisa de ajuda no com...

Texto

Abrir módulo

Biografia

João Gomes de Araújo (Pindamonhangaba, São Paulo, 1846 - São Paulo, São Paulo, 1943). Compositor, professor e regente. Depois de estudar em sua cidade natal, ingressa, em 1861, no Conservatório do Rio de Janeiro, onde tem teoria com Francisco Manuel da Silva (1795-1865) e violino com Demétrio Rivera. Chamado pelo pai, que precisa de ajuda no comércio, regressa em 1863 a Pindamonhangaba. Lá, junto com o clarinetista José Maria Leite, cria um conservatório, organiza uma banda e funda uma orquestra. Em 1884, o sucesso de sua Missa de São Benedito, cantada na inauguração da igreja de São Benedito, em Lorena, São paulo, garante-lhe o apoio financeiro do imperador D. Pedro II. Graças a isso, viaja com a família para a Itália. Em Milão, junto com o filho, o futuro compositor João Gomes Jr., é discípulo de Cesare Dominicetti (1821-1888). Compõe as óperas Edméia (1886), que não é encenada, e Carmosina (1888), que obtém grande sucesso no Teatro dal Verme, com a presença da Família Real brasileira na estreia. No mesmo ano, retorna ao Brasil e passa a viver na capital paulista. Em 1906, funda o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, ao lado de Pedro Augusto Gomes Cardim (1865-1932). Leciona na instituição por muitos anos, trabalhando, ainda, com Alfredo Sangiorgi, pela criação de um curso de música para cegos. Entre 1899 e 1923, escreve seis sinfonias, com destaque  para a última, a Sinfonia Militar. Além das óperas e das partituras sinfônicas, compõe dez missas, cerca de 60 canções, e dois poemas para vozes e orquestra: Trilogia da Noite e Pátria. É o patrono da cadeira n. 20 da Academia Brasileira de Música.

Análise

Ainda aluno do Conservatório do Rio de Janeiro, Araújo faz transcrições de sucessos operísticos para a banda militar. Em 1884, sua reputação é suficiente para que críticos musicais de São Paulo e do Rio de Janeiro viajem a Lorena para ouvir a Missa de São Benedito. Graças a ela o autor se transfere para a Europa, conseguindo êxito com a ópera Carmosina que estreia em Milão. O final do primeiro ato é bisado, e o autor, chamado à cena 11 vezes.

Em 1903, regressa à Itália, para tentar a sorte com outra ópera: Maria Petrowna, ambientada na Rússia de Catarina, a Grande, com libreto de Ferdinando Fontana (1850-1919). Não consegue encená-la, devido ao alto custo da produção. Em 1905, viaja à Suíça e volta para o Brasil no ano seguinte. Definida pelo Dicionário Grove como “sua melhor ópera”1, Maria Petrowna estreia no Teatro Municipal de São Paulo, em 1929. Luiz Heitor Corrêa de Azevedo (1905-1992) sintetiza: “o caráter dominante da música de Maria Petrowna é a simplicidade. Os que conheceram João Gomes de Araújo descrevem-no tímido, sorridente, a bondade refletida no rosto amável, olhos vivos, inteligentes, mas que não sustentavam o olhar de uma criança, quase se escondendo, sempre, esquerdo em todos os movimentos, encantadoramente simples: assim é a sua música”2. Em 1908, compõe outra ópera, Helena, que se passa em uma fazenda de café, e cuja estreia ocorre em 14 de julho de 1916 no Teatro Municipal de São Paulo.

Notas

1 SADIE, Stanley (ed.). The New Grove Dictionary of Music and Musicians. London: Macmillan Publishers, 1995.

2 AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. Música e Músicos do Brasil. Rio de Janeiro: Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1950.

Fontes de pesquisa 8

Abrir módulo
  • AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. 150 Anos de Música no Brasil (1800-1950). Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.
  • AZEVEDO, Luiz Heitor Corrêa de. Música e músicos do Brasil. Rio de Janeiro: Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil, 1950.
  • CACCIATORE, Olga G. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
  • CERNICCHIARO, Vincenzo. Storia della Musica nel Brasile. Milano: Frattelli Riccioni, 1926.
  • CERQUEIRA, Paulo de Oliveira Castro. Um século de ópera em São Paulo. São Paulo: edição do autor, 1954.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • KIEFER, Bruno. História da música brasileira dos primórdios ao início do século XX. 3. ed. Porto Alegre: Editora Movimento, 1977.
  • SADIE, Stanley (Ed.). The New Grove dictionary of music and musicians. London: Macmillan Publishers, 1995.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: