Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Raul Cortez

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.09.2021
21.08.1931 Brasil / São Paulo / São Paulo
18.07.2006 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Ruth Toledo

Raul Côrtez (Maguary Pistolão ) em cena de Rasga Coração, 1980
Ruth Toledo, Raul Cortez
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Raul Christiano Machado Cortêz (São Paulo SP 1931 - idem 2006). Ator. Dotado de privilegiada personalidade cênica, distingue-se em todo o diapasão da expressividade dramática com desenvoltura e naturalidade, infundindo carisma e simpatia às suas criações.

Texto

Abrir módulo

Biografia

Raul Christiano Machado Cortêz (São Paulo SP 1931 - idem 2006). Ator. Dotado de privilegiada personalidade cênica, distingue-se em todo o diapasão da expressividade dramática com desenvoltura e naturalidade, infundindo carisma e simpatia às suas criações.

Sem ter concluído uma formação em direito, Raul integra-se ao Teatro Paulista de Estudantes, onde se inicia no teatro, estreando profissionalmente em 1956 numa ponta em Eurídice, de Jean Anouilh, no Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, sob a direção de Gianni Ratto. Na casa, participa ainda de As Provas de Amor, de João Bethencourt, A Rainha e os Rebeldes, de Ugo Betti, e Rua São Luís, 27 - 8º Andar, de Abílio Pereira de Almeida, ambos em 1957, e Os Interesses Criados, de Jacinto Benevente, em 1957, e Pedreira das Almas, de Jorge Andrade, em 1958.

No ano seguinte liga-se ao Teatro Cacilda Becker - TCB, com o qual vai à Europa. Está presente em dois espetáculos de Ziembinski: Exercício Para Cinco Dedos, de Peter Shaffer, e Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, em 1960. Volta ao TBC para, sob o comando de Antunes Filho, viver Juan em Yerma, de Federico García Lorca, que destaca Cleyde Yáconis como protagonista, em 1962, recebendo o prêmio de melhor ator da Associação Paulista de Críticos Teatrais - APCT.

Aparece em César e Cleópatra, de Bernard Shaw, novamente com Cacilda Becker, em 1963 para integrar ainda, no mesmo ano, o elenco de Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, bem-sucedida encenação de José Celso Martinez Corrêa para o Teatro Oficina, no desempenho de Teteriev, alcançando um ótimo resultado e expressivas premiações. Em 1964, novamente no TBC, vive o Joaquim de Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, inovadora direção de Antunes Filho.

Em 1966, compõe o elenco da frustrada encenação de Júlio César, no Theatro Municipal de São Paulo, texto de William Shakespeare, dirigido por Antunes Filho e produzido por Ruth Escobar.

Em 1969, participa de duas realizações vanguardistas cheias de ressonâncias: Os Monstros, espetáculo de Jérôme Savary baseado em texto de Denoy de Oliveira, vivendo um debochado travesti e, na seqüência, atua como o Bispo, de O Balcão, encenação de Victor Garcia que redimensiona e engrandece o original de Jean Genet, novas oportunidades para premiações. Em Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley, vive novamente um homossexual, em 1971, dirigido por Maurice Vaneau com expressivo rendimento; ressurge em Greta Garbo, Quem Diria Acabou no Irajá, traduzindo verdade interior e veracidade ao ralo texto de Fernando Mello, em 1974.

A Noite dos Campeões, peça bem-feita de Jason Miller, em 1976, lhe oferece nova oportunidade de brilho; assim como Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? onde, ao lado de Tônia Carrero, transcende tudo o que já havia feito, arrebatando todas as premiações disponíveis em 1978, numa ótima realização de Antunes Filho.

Tendo lutado pelos direitos de representação, vive em 1979 o Manguari Pistolão de Rasga Coração, texto interditado de Oduvaldo Vianna Filho, encenação de José Renato que o confirma como astro absoluto de sua geração.

Como o Salieri de Amadeus, texto de Peter Shaffer centrado na vida do compositor Mozart, em 1982, encontra novo veículo para exprimir-se em grande desenvoltura. Que é aproveitada em 1985, numa longa excursão com o recital de poemas Ah! Mérica.

Como o protagonista de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, mais uma encenação de Antunes realizada com o Centro de Pesquisa Teatral - CPT, em 1986, sobre a obra de Guimarães Rosa, Raul obtém novamente os melhores favores da crítica e do público, num desempenho perfeitamente integrado junto aos jovens da companhia.

Na comédia Drácula, em 1987, interpreta o protagonista com irreverência e em grande estilo, divertindo-se e fazendo o público ir às gargalhadas. Um novo papel dramático, ao lado de Christiane Torloni, o espera em Lobo de Ray-Ban, texto do ator Renato Borghi que enfoca os bastidores do teatro, em 1987, em que é premiado com o Mambembe e Molière de melhor intérprete.

No testemunho do crítico Yan Michalski: "Um ator essencialmente carismático, Raul Cortez é um astro, um protagonista nato: nos seus trabalhos mais significativos, tudo tende a girar em torno dele. Dotado da misteriosa vibração e do narcisismo específico próprios dos monstros sagrados, ele comunica-se com o público de um modo direto e intenso. O caráter predominantemente intuitivo da sua criação não impede que esta comporte também, e cada vez mais, um processo consciente e minucioso na preparação das suas personagens. Estas características marcam também o seu abundante acervo de trabalhos em telenovelas, e as suas participações em numerosos filmes".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Raul Cortez In: __________. PEQUENA Enciclopédia do teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Obras 2

Abrir módulo

Espetáculos 50

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 16

Abrir módulo
  • ALBUQUERQUE, Johana. Raul Cortez (ficha curricular). In: _______. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • AS BOAS. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1991]. 1 programa do espetáculo realizado no Centro Cultural São Paulo.
  • Ah!Mérica com Raul Cortez, Um Retrado da América Latina. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • Chuva. São Paulo: Teatro Sesc Anchieta, 1978. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Sesc Anchieta. Não catalogado
  • Drácula. São Paulo: s.l., 1986. 1 programa de espetáculo. Não catalogado
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Hoje é dia de Rock - 1973. Não catalogado
  • FERNANDES, Rofran. Teatro Ruth Escobar: 20 anos de resistência. São Paulo: Global, 1985.
  • GALILEU Galilei. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1968]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • MILARÉ, Sebastião. Antunes Filho e a dimensão utópica. São Paulo: Perspectiva, 1994.
  • PEIXOTO, Fernando. Teatro oficina (1958-1982): trajetória de uma rebeldia. São Paulo: Brasiliense, 1982. (Tudo é história).
  • PEQUENOS Burgueses. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1963]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • Programa do Espetáculo - A Hora e a Vez de Augusto Matraga - 2004. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Amadeus - SP. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá - 1973. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Rasga Coração - 1980. Não catalogado

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: