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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Buza Ferraz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.03.2017
01.05.1950 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
03.04.2010 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Registro fotográfico Teresa Pinheiro

Buza Ferraz (Vendedor) em cena de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, 1979
Teresa Pinheiro, Buza Ferraz
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Alberto Paulo Ferraz (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1950 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010). Diretor e ator. Encenador ligado ao teatro de grupo e à criação coletiva dos anos 1970 e início dos 1980, funda e dirige os grupos Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração e Pessoal do Cabaré.

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Biografia

Alberto Paulo Ferraz (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1950 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010). Diretor e ator. Encenador ligado ao teatro de grupo e à criação coletiva dos anos 1970 e início dos 1980, funda e dirige os grupos Companhia Tragicômica Jaz-o-Coração e Pessoal do Cabaré.

Estréia como ator em 1969, no musical Hair, dirigido por Ademar Guerra (1933-1993). Com o mesmo diretor, em 1972, atua em Missa Leiga, de Chico de Assis (1933-2015). No mesmo ano, participa de Bordel da Salvação, de Brendan Behan (1923-1964), no Teatro Opinião. Seu primeiro trabalho de expressão como intérprete acontece em 1975, na elogiada montagem de Pano de Boca, de Fauzi Arap (1938-2013). No ano seguinte, é dirigido por Antônio Pedro Borges (1940) em Síndica, Qual é a Tua?, de Luiz Carlos Góes (1945-2014).

Em 1978, organiza o grupo Jaz-o-Coração, integrado por jovens atores, que estréia em São Paulo e a seguir, com maior sucesso, no Rio de Janeiro, com uma adaptação autoral do romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1881-1922), que a crítica louva pela inteligência e teatralidade. Tanto a qualidade da adaptação, de sua autoria, como o vigor e a linguagem pessoal da sua encenação, projetam Buza Ferraz para a primeira linha dos jovens criadores teatrais da sua geração. Com esse espetáculo de estréia do grupo angaria o Prêmio Molière em categoria especial, a indicação para o Mambembe de melhor diretor e de Jaz-o-Coração como melhor grupo e a inclusão de Policarpo entre os dez melhores espetáculos do ano, em premiação organizada pelo Jornal do Brasil. No espetáculo seguinte, Mistério Bufo, 1979, Buza Ferraz coordena e dirige uma criação coletiva elaborada em oito meses de trabalho. O grupo dá continuidade à pesquisa de linguagem cênica de forte teatralidade e humor contundente iniciada com Policarpo, e confirma a personalidade criativa do encenador. O espetáculo figura nas listas dos melhores do ano, organizadas pela revista Veja e pelo Serviço Nacional de Teatro (SNT).

Cabaré Valentin, coletânea de esquetes do comediante alemão Karl Valentin, marca, em 1980, o início das atividades de um outro grupo, que a partir do sucesso do espetáculo toma o nome de O Pessoal do Cabaré, e compõe, com o Pessoal do Despertar, a linha de frente do jovem teatro carioca na virada das décadas 1970/1980. Levando para o novo conjunto alguns dos seus principais colaboradores da fase anterior, Buza, também tradutor e adaptador dos textos, cria um espetáculo de diversão, despretensioso, mas de contagiante alegria. O espetáculo é incluído nas listas de melhores do ano. Em Poleiro dos Anjos, 1981, definido pelo autor como 'folhetim afetivo de uma geração', ele estreia como autor, redigindo uma série de pequenos textos em torno das lembranças de infância e são confrontados, no presente, com as perplexidades dos jovens atores no seu processo de montagem. Dessa forma, o Pessoal do Cabaré se coloca como sujeito da cena, metaforizando, por extensão, os jovens da sua faixa etária. Na direção, Buza Ferraz aprofunda sua linha de trabalho a partir da estrutura dramatúrgica fragmentada. Novamente uma série de prêmios e indicações coroam o trabalho do grupo. O crítico Yan Michalski (1932-1990) o considera um dos maiores criadores de imagens cênicas do país.

Os dois últimos trabalhos que dirige para o grupo, em 1982, Serafim Ponte Grande, adaptado de Oswald de Andrade (1890-1954), e, em 1984, O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues (1912-1980), embora coerentes com as buscas anteriores do artista, não produzem o mesmo impacto. Com a dispersão do Pessoal do Cabaré, Buza Ferraz se ausenta do panorama teatral da segunda metade dos anos 1980 e interrompe sua trajetória como encenador. Durante esse período, atua na televisão e no cinema.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 11

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  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • Disponível em: [http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1555655-7084,00-ATOR+BUZA+FERRAZ+MORRE+AOS+ANOS+NO+RIO.html]. Acesso em: 05/04/2010. G1 Globo
  • FERRAZ, Buza. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • LUIZ, Macksen. Serafim sem provocação. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 ago. 1982. Caderno B.
  • MARINHO, Flávio. Um Serafim criativo porém desigual. O Globo, Rio de Janeiro, 17 ago. 1982. Segundo Caderno.
  • MICHALSKI, Yan. Karl Valentim, cômico e filósofo popular. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 jul. 1980. Caderno B.
  • MICHALSKI. Buza Ferraz. In:_________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • MISSA Leiga. São Paulo: Fábrica da Lacta, 1972. 1 programa do espetáculo. Não catalogado
  • O GLOBO, Rio de Janeiro, 9 ago. 1984. Segundo Caderno, p. 4.
  • PESSOAL do Cabaré. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Grupos Artes Cenicas.
  • POLEIRO dos Anjos. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Espetáculos Teatro Adulto.

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