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Cinema

Armando Bógus

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 28.01.2021
19.04.1930 Brasil / São Paulo / São Paulo
02.05.1993 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Armando Bógus

Armando Bógus (Walter) [à esquerda] e Lima Duarte (Bonifácio) [à direita] em cena de Bonifácio Bilhões, 1976
Ruth Toledo, Armando Bógus
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Armando Assad Bógus (São Paulo, São Paulo, 1930 - Idem, 1993). Ator. Intérprete de grande expressividade e sinceridade cênica, constrói uma carreira alternando participações no teatro e na televisão, com personagens simpáticos e muito próximos dos espectadores.

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Armando Assad Bógus (São Paulo, São Paulo, 1930 - Idem, 1993). Ator. Intérprete de grande expressividade e sinceridade cênica, constrói uma carreira alternando participações no teatro e na televisão, com personagens simpáticos e muito próximos dos espectadores.

Estréia em teatro fazendo uma ponta em Pif-Paf (A Dama de Copas), de Abílio Pereira de Almeida (1906-1977), com direção do autor, 1949. Integra, as equipes de Esses Fantasmas, de Eduardo De Filippo; e Moral em Concordata, novo texto de Abílio Pereira de Almeida, ambos produzidos pelo Teatro Maria Della Costa (TMDC), com direção de Flaminio Bollini (1924-1978), em 1956.

Seu primeiro destaque surge como o João Grilo de Auto da Compadecida (Auto Sacramental Nordestino), original de Ariano Suassuna (1927-2014), dirigido por Hermilo Borba Filho (1917-1976), produção de 1957. No ano seguinte, com Antunes Filho (1929) e outros companheiros, funda o Pequeno Teatro de Comédia, equipe responsável por algumas boas realizações nas quais Bógus encontra excelentes oportunidades de criação: Alô ...36-5499, de Abílio Pereira de Almeida, em 1958; Pic-Nic, de William Inge, em 1959; e sobretudo Plantão 21, de Sidney Kingsley, no mesmo ano, espetáculo que eletriza a platéia.

Em 1964, Bógus sobe ao palco para interpretar o monólogo O Ovo com direção de Jean-Luc Descaves, em grande forma, arrebatando prêmios. No ano seguinte, novamente com Antunes Filho e outros artistas, funda o Teatro da Esquina, iniciando suas atividades com excelentes criações: Oh, Que Delícia de Guerra!, de Charles Chilton em colaboração com Joan Littlewood e o grupo Theatre Workshop, numa direção de Ademar Guerra (1933-1993), 1966; A Megera Domada, de Wlliam Shakespeare, encenação cheia de verve de Antunes Filho que destaca Irina Grecco, mulher de Bógus, no desempenho central. A mesma companhia lança, em 1967, o excepcional Marat-Sade, de Peter Weiss, competente encenação de Ademar Guerra que conta com os primorosos trabalhos de Bógus, vivendo Marat, e Rubens Corrêa (1931-1996), como Sade, num duelo de interpretações que resulta em prêmios.

Destaque na montagem brasileira de Hair, em 1969, sob o comando de Ademar Guerra, volta, em 1972, com o mesmo diretor, a capitanear a montagem de Missa Leiga, polêmico texto de Chico de Assis, singela mas emocionante encenação realizada numa fábrica desativada, numa produção de Ruth Escobar (1936), desdobrada em temporadas no Rio de Janeiro, na Europa e na África.

Ao longo dos anos 70 integra os elencos de El Grande de Coca-Cola, dirigido por Luiz Sérgio Person no recém-inaugurado Auditório Augusta; Brecht Segundo Brecht, coletânea de poemas e canções do autor alemão encenada por Ademar Guerra, em 1974; e Caminho de Volta, de Consuelo de Castro (1946-2016), montagem de Fernando Peixoto (1937-2012) para a companhia de Othon Bastos (1933), em 1975.

Em 1986, alcança grande sucesso de público com a montagem de Bonifácio Bilhões, de João Bethencourt (1924-2006), lotando durante anos os teatros que ocupa. Em 1974, novamente ao lado de Irina Grecco, está em Lulu, de Frank Wedekind, numa sensível composição dramática.

Armando Bógus atua também na TV, tornando-se querido do grande público ao interpretar o turco apaixonado Nacib, na novela da TV Globo Gabriela, inspirada na obra de Jorge Amado. Na apreciação da crítica Regina Helena, tratando de Missa Leiga: "Quanto a Armando Bógus, este é seu mais importante papel e sua mais eficiente e madura criação. Bógus domina o papel. Com segurança, muita técnica e ao mesmo tempo muita emoção. Uma emoção medida, profunda, exata. Não há nada a mais ou a menos na atuação deste ator que há muito tempo pode ser considerado como um dos melhores do país e que encontra, agora, a melhor oportunidade de sua carreira".1

Nota

1 HELENA, Regina. Missa Leiga. In: ANUÁRIO das Artes. São Paulo: APCA, 1972. p. 23.

Obras 1

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Eventos relacionados 28

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Fontes de pesquisa 15

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  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial).
  • CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Divisão de Pesquisas. Cronologia das artes em São Paulo 1975-1995: Artes cênicas - Teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. (Cronologia das artes em São Paulo, 3).
  • GÓES, Marta. Armando Bógus. O Estado de São Paulo, São Paulo, 13 maio 1993. Caderno 2.
  • HELENA, Regina. Missa Leiga. In: ANUÁRIO das Artes. São Paulo: APCA, 1972.
  • LULU. São Paulo: Teatro Sesc Anchieta, 1974. 1 programa do espetáculo.
  • MENDES, Oswaldo. Ademar Guerra: o teatro de um homem só. São Paulo: Senac, 1997.
  • MILARÉ, Sebastião. Antunes Filho e a dimensão utópica. São Paulo: Perspectiva, 1994.
  • MISSA Leiga. São Paulo: Fábrica da Lacta, 1972. 1 programa do espetáculo.
  • O Ovo. São Paulo: s.l., 1964. 1 programa do espetáculo.
  • Oh, Que Delícia de Guerra!. São Paulo: Teatro Bela Vista, 1966. 1 programa do espetáculo.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço.
  • Programa do Espetáculo - Caminho de Volta - 1974.
  • Programa do Espetáculo - Marat Sade - 1967.
  • Programa do Espetáculo - O Grande Amor de Nossas Vidas - 1978.
  • Programa do Espetáculo A Megera Domada - 1965.

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