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Música

Almir Sater

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 25.05.2017
14.11.1956 Brasil / Mato Grosso do Sul / Campo Grande
Almir Eduardo Melke Sater (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1956). Cantor, compositor e violeiro. Filho de um comerciante e uma professora de inglês, começa a tocar violão ainda criança. Com 20 anos, muda-se para o Rio de Janeiro para estudar direito na Faculdade Cândido Mendes. Na capital fluminense, assiste à apresentação de uma dupla de viol...

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Biografia

Almir Eduardo Melke Sater (Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 1956). Cantor, compositor e violeiro. Filho de um comerciante e uma professora de inglês, começa a tocar violão ainda criança. Com 20 anos, muda-se para o Rio de Janeiro para estudar direito na Faculdade Cândido Mendes. Na capital fluminense, assiste à apresentação de uma dupla de violeiros mineiros numa feira nordestina no Largo do Machado e se encanta com a sonoridade e os recursos da viola caipira.  A paixão pelo novo instrumento o faz abandonar o curso de direito e o sonho da família de vê-lo como profissional liberal. Estuda a viola caipira e torna-se fã do violeiro Tião Carreiro.

De volta a Campo Grande, forma com o amigo Maurício Barros a dupla Lupe e Lampião e conquista o quarto lugar no Festival Sertanejo na TV Record em 1978. Um ano depois, parte para São Paulo, e faz alguns shows com o grupo Lírio Selvagem, liderado pela cantora sul-mato-grossense Tetê Espíndola, e, posteriormente, acompanha a cantora e compositora Diana Pequeno. Apresenta suas músicas em teatros paulistanos e desperta a atenção da gravadora Continental, que o convida a gravar seu primeiro disco em 1981. No ano seguinte, lança o álbum Doma, pela gravadora RGE, que sela a parceria com o carioca radicado em Campo Grande Paulo Simões. Cria, em 1984, a Comitiva Esperança - que batiza uma de suas músicas mais conhecidas - e cruza a região do Pantanal pesquisando a cultura mato-grossense. Dessa empreitada nascem, em 1985, um documentário e o álbum Almir Sater Instrumental. Revela suas primeiras composições com o santista Renato Teixeira no álbum Cria (3M, 1986), e estreia como ator no drama As Bellas da Billings (1987), de Ozualdo Candeias.

Participa do Free Jazz Festival, no Rio de Janeiro, em 1989, e viaja para Nashville, a capital da música country nos Estados Unidos, onde grava o disco Rasta Bonito (Continental, 1989). Seu nome e sua música ganham projeção nacional ao atuar na novela Pantanal (TV Manchete, 1990), de Benedito Ruy Barbosa.  Participa de outras novelas - A História de Ana Raio e Zé Trovão (TV Manchete, 1990/1991), O Rei do Gado (TV Globo, 1996), Bicho do Mato (TV Record, 2006). Conquista o Prêmio Sharp de melhor disco instrumental em 1990 com o álbum Instrumental II (Eldorado) e de melhor música (Tocando em Frente, composta com Renato Teixeira e interpretada por Maria Bethânia). Cumpre uma intensa agenda de shows pelo Brasil, que registra no disco Almir Sater ao Vivo (Sony Music, 1992), com músicas autorais e clássicos caipiras, como Moreninha Linda (Tonico, Priminho e Maninho). Em 1994 lança o disco Terra dos Sonhos (Velas), seguido de Caminhos Me Levem (Som Livre, 1997) e Sete Sinais (Velas, 2006).

Análise

Almir Sater é um artista de fronteira. No primeiro momento, de fronteira geográfica: assume as influências da música paraguaia e pantaneira com as da cidade grande. Em segundo, a fronteira artística: sintetiza ritmos regionais, como o chamamé e o rasqueado, com urbanos (rock, pop, MPB e jazz). O próprio músico se define roqueiro e afirma que "ser violeiro é ser instrumentista". Para Sater, a viola não determina o que se toca; é apenas o instrumento que viabiliza sua música de difícil categorização.

Até o início dos anos 1990, a viola ainda está diretamente ligada à música caipira. O surgimento de programas televisivos que focalizam o universo rural, como Viola Minha Viola (TV Cultura, 1980) e Som Brasil (TV Globo, 1981), reforça essa compreensão. Para localizar sua obra, Sater tem à disposição apenas suas composições, que percorrem diferentes estilos musicais: da moda de viola ao jazz; da música paraguaia à canção e ao pop; da música instrumental a country music.

O cenário muda a partir de 1990 quando participa de novelas televisivas de grande audiência. O fato de ser jovem, bonito, bem articulado e instrumentista virtuoso faz com que o grande público veja a viola de forma diferente daquela empunhada pelo "matuto convencional". Surge, então, um novo panorama para violeiros contemporâneos (Roberto Correa, Paulo Freire, Tavinho Moura, Ivan Vilela, Chico Lobo e Pereira da Viola), como também para veteranos (Renato Andrade, Tião Carreiro, Zé Coco do Riachão, Pena Branca e Xavantinho e Zé Mulato e Cassiano).

Apesar do apelo rural das novelas, a trajetória musical de Sater mantém a diversidade erguida até então. Cancionista que empunha a viola, prima por arranjos sofisticados, pelo canto em que as palavras são emitidas de forma clara, por temáticas universais que fogem de letras bem-humoradas ou meramente narrativas (como em parte da obra cantada de Tião Carreiro) e do romantismo exacerbado que caracteriza a geração de músicos sertanejos pós-Chitãozinho & Xororó (1982). Mesmo quando interpreta a música de terceiros, como Moreninha Linda (Tonico, Priminho e Maninho), Cabecinha no Ombro (Paulo Borges), Sodade Matadeira (Dorival Caymmi), Rio de Lágrimas (Tião Carreiro e Lourival dos Santos) e Chalana (Mário Zan e Arlindo Pinto), Sater redimensiona o gênero musical de origem.

Sua música urbana não deixa de citar as referências diretas da viola e do campo. Elas surgem em segundo plano para exaltar sentimentos sem fronteiras, como o amor e a saudade. A canção Tocando em Frente, parceria com Renato Teixeira, exemplifica bem esse recurso. Como o título sugere, a letra trata da superação pessoal. "Ando devagar / Porque já tive pressa / Levo esse sorriso / Porque já chorei demais". Os compositores "suspendem" a sofisticação literária e concretizam a mensagem ao utilizar o campo como recurso metafórico. "Como um velho boiadeiro / Levando a boiada / Eu vou tocando os dias / Pela longa estrada, eu vou / Estrada eu sou." Autor do clássico Romaria, e representante do sincretismo entre MPB e a música caipira, Renato Teixeira é um dos parceiros mais constantes de Sater (Trem de Lata, 1986, e Um Violeiro Toca, 1989).

Nas composições criadas com Paulo Simões, Sater mantém os mesmos recursos estilísticos. Em Semente, 1981, com o toque da harpa paraguaia, canta os desenganos e a sabedoria da natureza; na canção romântica Varandas, 1982, relaciona o anoitecer à saudade; Água que Correu, 1986, canção pop, com guitarras e teclados, tem refrão que lembra uma cantiga infantil; em Comitiva Esperança, narra a "expedição" que empreende por Mato Grosso do Sul.

Da sua obra cantada, há músicas gravadas por Fábio Jr. (A Vida É um Rio, 1988), Tetê Espíndola (Ave Marinha, 1987), Tavinho Moura (Inhoma Pantaneira, 1995), Papete (Luzeiro, 1981), Alzira Espíndola (Terra Boa, 1983), Maria Bethânia (Tocando em Frente, 1990) e Leandro e Leonardo (Um Violeiro Toca, 1995).

Graças ao seu papel na popularização da viola, Almir Sater percorre uma trilha similar à do seu ídolo, Tião Carreiro, que nos anos 1960 dá ao instrumento status solístico. Mas, por sua origem e suas referências contemporâneas, urbaniza a viola, ampliando suas possibilidades musicais.

Obras 18

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Fontes de pesquisa 9

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  • CLIQUEMUSIC. Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: <http://www.cliquemusic.com.br>. Acesso em: 24 out. 2009.
  • DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin, 2002. Disponível em: [http://www.dicionariompb.com.br/]. Acesso em: 24 out. 2009.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998.
  • HIGA, Evandro. Os Gêneros Musicais “Polca Paraguaya”, “Guarânia” e “Chamamé”: Formas de Ocorrência em Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Comunicações e Artes da Universidade e São Paulo, São Paulo, 2005.
  • MEMÓRIA MUSICAL. Site do Instituto Memória Musical Brasileira. Rio de Janeiro, 2007. Disponível em: < http://www.memoriamusical.com.br>. Acesso em: 24 out. 2009.
  • NEPOMUCENO, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • SATER, Almir. Entrevista concedida pelo artista a Rodrigo Teixeira. Campo Grande, mai.2007. Disponível em: <http://www.overmundo.com.br/banco/entrevista-almir-sater-para-overmundo-exclusivo>. Acesso em: 16 out. 2009.
  • SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo: 85 anos de músicas brasileiras (vol. 2: 1958-1985). São Paulo: Editora 34, 1998. (Coleção Ouvido Musical).
  • TAUBKIN, Myriam. Violeiros do Brasil. São Paulo: Myriam Taubkin, 2008.

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