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Artes visuais

Eder Santos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.03.2017
23.09.1960 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Frame do vídeo Cimena de Eder Santos/Divulgação

Cinema, 2009
Eder Santos
Vídeo canal único (cor/som) hdcam

Eder José dos Santos Junior (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1960). Videoartista, cineasta, roteirista, designer gráfico. Em 1979, inicia  o curso de artes plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas troca-o por programação visual na Fundação Mineira de Arte Aleijadinho (Fuma), onde se gradua em 1984.

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Biografia

Eder José dos Santos Junior (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1960). Videoartista, cineasta, roteirista, designer gráfico. Em 1979, inicia  o curso de artes plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas troca-o por programação visual na Fundação Mineira de Arte Aleijadinho (Fuma), onde se gradua em 1984.

Ainda adolescente, realiza pesquisas visuais com câmeras de vídeo amadoras, mas é nos anos 1980 que passa a trabalhar como artista. Alia suas experimentações a uma poética consistente, em uma época em que a videoarte organiza-se como meio de expressão nas artes plásticas. É reconhecido como videoartista depois do convite do curador Nelson Brissac (1952) para participar da primeira exposição Arte/Cidade I (1994), em São Paulo. A partir de então, trabalha com grande variedade de mídias como: um só canal (single channel), videoinstalações, videoesculturas e exibe, em circuito comercial, longas-metragens. Desenvolve, também, trabalhos comerciais e videoclipes em sua produtora.

Entre suas obras, podemos destacar a premiada Janaúba (1993), a instalação Call Waiting (2006), trabalhos em vídeo como Tumitinhas (1998), Eu Não Vou à Africa Porque Tenho Plantão (1990) e Mentiras & Humilhações (1988). Realiza dois longas-metragens: Enredando Pessoas (1995) e Deserto Azul (2014). Estas obras apresentam temas existencialistas, religiosidade mística, crítica social e memória.

Seu percurso esta entrelaçado com a história do Festival Videobrasil (1982), São Paulo, para o qual Eder Santos é selecionado desde a 2a edição e ganha diversos prêmios. Participa da Bienal de São Paulo (1996) e da Mostra Bienal 50 anos (2001). Suas obras fazem parte de acervos brasileiros e internacionais. No Brasil, fazem parte da Coleção Itaú, São Paulo; dos Museus de Arte Moderna da Bahia, de São Paulo e do Rio de Janeiro; e museus de Arte Contemporânea do Paraná e de Arte da Pampulha, Belo Horizonte. Pelo mundo, estão em coleções como: Museu de arte Moderna de Nova York (MoMA); Centre Georges Pompidou, Paris; Cisneros Fontanals Art Foundation, Estados Unidos; Colección de la Fundación Arco (Espanha). Acumula prêmios em festivais internacionais e nacionais, dentre os quais podemos destacar Prêmio Sergio Motta, Petrobras, Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano e Festival del Cine de Cuba, Havana, Fest Rio e Rio Cine Festival. Realiza exposições individuais na feira de arte Arco (2009) em Madri, Espanha; no Centro Cultural Banco do Brasil (2010), Rio de Janeiro, entre outras realizadas na Galeria Luciana Brito, que o representa em São Paulo.

Análise

Eder Santos é um dos pioneiros da videoarte nacional. Cria uma linguagem baseada na observação dos aspectos técnicos do vídeo: incorpora-os e transforma-os em elementos de sua obra. Sua produção é abrangente: além de vídeos, faz videoinstalações, videoesculturas, performances e  dois longas-metragens.

Sua trajetória confunde-se com o início da produção audiovisual nas artes plásticas nos anos 1980, entre o padrão estabelecido pelas televisões e as experimentações com vídeo amador. Nesse período, Minas Gerais torna-se o polo de vídeo protegido das influências estéticas do eixo Rio-São Paulo, o que lhe possibilita a invenção de novas formas e abordagens conceituais e técnicas.

Eder Santos escolhe o vídeo como veículo para sua expressão poética. O traço distintivo é a amplificação das imagens em projeções que vão além da relação single channel, produção tradicional de vídeo para monitores. Subverte a relação espectador vídeo/monitor e inova ao incorporar imagens antes consideradas como defeitos técnicos. Esses experimentos chegam ao limite da visibilidade da imagem. Tais recursos plásticos aliam-se a aspectos simbólicos e possibilitam novas forma de envolvimento do espectador ao propor uma discussão ideológica a respeito da subordinação da imagem ao discurso da mídia.

Em oposição ao trabalho comercial de vídeo, com edição, captação e pós-produção realizadas de maneira sistemática e roteirizada, Santos se aproxima da maneira aleatória e intuitiva da pintura, conforme entendido pela crítica de arte norte-americana Barbara London (1946), que o considera o Pintor da Luz1. Apesar disso, o artista prioriza o aspecto colaborativo do trabalho em vídeo, oposto à pintura como exercício solitário.

A maior parte da obra de Eder Santos é produzida com os equipamentos de sua empresa. Ser sócio de uma produtora de vídeo desde o final dos anos 1970 viabiliza o contato com equipamentos eletrônicos. Os trabalhos comerciais desenvolvidos para publicidade, vinhetas de TV, vídeos institucionais e videoclips de música lhe conferem agilidade e repertório. As ‘sujeiras’, interferências e distorções percebidas como imperfeições do vídeo são evidenciadas e incorporadas em sua produção. Essa mesma gramática se manifesta nas videoinstalações e nas performances com imagens e música ao vivo. A música e o som têm destaque em seu trabalho, seja ele manipulado nas ilhas de edição analógicas ou produzido especificamente para cada obra. Na música, faz várias parcerias com o músico Paulo Santos (1954) do grupo mineiro de música experimental Uakti. Nos anos 1990, sua obra encontra dificuldade de ser bem recebida por seus pares do cinema ou das artes visuais: “os artistas plásticos o consideravam videomaker, os videomakers o acusam de ter traído o meio e os cineastas não o consideram nada”2.

A videoinstalação The Desert in My Mind (1992), é montada para que os espectadores caminhem sobre as imagens e insere manchas e luz que pulsam na superfície, com interferências parecidas com a dos filmes do começo do século 20. Além disso, o tremido da imagem sugere a captação de vídeo feita por amadores, embora seja realizada com equipamentos profissionais.

Premiado no 10o Videobrasil (1994), como melhor vídeo, inspirado no filme mudo brasileiro Limite (1930), de Mario Peixoto (1908-1992), Janaúba (1993) evoca uma volta às origens do audiovisual e retoma valores esquecidos pela civilização: “ao mesmo tempo projeta novos parâmetros para a escritura eletrônica, dialoga também com os mecanismos provenientes da exploração cinematográfica da linguagem (…) alarga horizontes, empreende ao vídeo sua própria forma de diálogo e ruptura audiovisual”3.

A instalação Call Waiting, composta de 50 gaiolas e imagens de pássaros projetados, remete a memórias de infância e às aves que o pai do artista criava. O nome ‘Chamada em espera’ faz referência ao fato de os pássaros estarem pousados em fios de telefone, esperando, até voarem, para depois voltarem a pousar nos cabos. O trabalho amplia-se por meio da sombra da imagem da gaiola na parede, onde se percebe a projeção das linhas/fios.

Seu primeiro longa-metragem, Enredando as Pessoas, mescla formatos distintos como película e vídeo. Filmado em 16 mm, é transformado em vídeo para que Santos possa manipular as imagens eletronicamente. As preocupações coletivas e existenciais, as relações individuais com as instituições e as muitas formas de abandono, são discutidas com base nos depoimentos colhidos no Brasil e na Espanha. O filme ganha prêmio no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano, em Havana, Cuba, e no Forum International des Nouvelles Images, em Locarno, Suíça.

Deserto Azul, seu segundo longa-metragem, é uma ficção cientifica que tem colaboração de onze artistas plásticos, entre eles a carioca Adriana Varejão (1964). Utiliza como cenário uma exposição com vários de seus vídeos-objeto, montados no Centro Cultura Banco do Brasil de Brasília. Ambientado no futuro, o protagonista de nome “Ele” busca a elevação de sua consciência, por meio de sonhos e intuições e tem a sensação de se projetar a outra dimensão. Seu objetivo é a transcendência, pois a religião, as atividades físicas, as memórias e todos os dogmas acabaram. Ficam os questionamentos sobre o propósito da existência.

Notas:
1 LONDON, Barbara. O vernáculo na luz in Eder Santos. Catálogo Galeria Luciana Brito, p. 21-22.

2 JUNIOR, Gabriel Bastos. Eder Santos ultrapassa os limites do monitor. O Estado de S. Paulo,  São Paulo, 13 mar. 1996. Caderno 2, p. D-8.

3 MELLO, Christine. Extremidades do vídeo. Tese (Doutorado em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2004. p. 47.

Obras 2

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Frame do vídeo Cimena de Eder Santos/Divulgação

Cinema

Vídeo canal único (cor/som) hdcam
Registro fotográfico João L. Musa/Itaú Cultural

Memória - Cristaleira

Vídeo instalação [vitrine e objetos de cristal]

Eventos multiculturais 1

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Exposições 65

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Feiras de arte 4

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Festivais 2

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Mostras audiovisuais 25

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