Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

A Enciclopédia é o projeto mais antigo do Itaú Cultural. Ela nasce como um banco de dados sobre pintura brasileira, em 1987, e vem sendo construída por muitas mãos.

Se você deseja contribuir com sugestões ou tem dúvidas sobre a Enciclopédia, escreva para nós.

Caso tenha alguma dúvida, sugerimos que você dê uma olhada nas nossas Perguntas Frequentes, onde esclarecemos alguns questionamentos sobre nossa plataforma.

Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eder Santos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.07.2022
23.09.1960 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Registro fotográfico João L. Musa/Itaú Cultural

Memória - Cristaleira, 2001
Eder Santos
Vídeo instalação [vitrine e objetos de cristal]

Eder José dos Santos Junior (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1960). Videoartista, cineasta, roteirista e designer gráfico. Um dos pioneiros da videoarte nacional, Eder Santos mescla diferentes linguagens e inova com experimentos técnicos, provocando rupturas na relação entre público e obra de arte. 

Texto

Abrir módulo

Eder José dos Santos Junior (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1960). Videoartista, cineasta, roteirista e designer gráfico. Um dos pioneiros da videoarte nacional, Eder Santos mescla diferentes linguagens e inova com experimentos técnicos, provocando rupturas na relação entre público e obra de arte. 

Ainda adolescente, realiza pesquisas visuais com câmeras de vídeo amadoras. Em 1979, inicia  o curso de artes plásticas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas o troca por programação visual na Fundação Mineira de Arte Aleijadinho (Fuma), onde se gradua em 1984.

Sua trajetória coincide com o princípio da produção audiovisual nas artes plásticas, nos anos 1980. Sócio de uma produtora de vídeo desde o final da década de 1970, o artista realiza boa parte da sua obra com os equipamentos de sua empresa. Diferentemente do trabalho comercial, com edição, captação e pós-produção sistemáticas, as criações autorais se aproximam de modo intuitivo da pintura, o que lhe garante a alcunha de Pintor da Luz1, atribuída pela crítica de arte Barbara London (1946).

Explora diferentes formatos em vídeo, passando por videoesculturas e videoinstalações, como The Desert in My Mind (1992). O trabalho é concebido para que os espectadores caminhem sobre as imagens, com manchas e luz que pulsam na superfície, criando interferências parecidas com a dos filmes do começo do século XX. A imagem inconstante sugere a captação de vídeo feita por amadores, embora seja realizada com equipamentos profissionais.

O traço distintivo do artista é o experimento que chega ao limite da visibilidade, com a amplificação das imagens em projeções que vão além da relação single channel, produção tradicional de vídeo para monitores. Tais recursos plásticos se aliam a aspectos simbólicos e possibilitam novas formas de envolvimento do espectador, ao  incorporar o que antes era considerado defeito técnico e propor uma discussão ideológica sobre a subordinação da imagem ao discurso da mídia. 

Realiza curtas-metragens, como Janaúba (1993), inspirado no filme mudo brasileiro Limite (1930), de Mário Peixoto (1908-1992), e premiado no 10º Videobrasil (1994) como melhor vídeo. Segundo a pesquisadora Christine Mello, a obra retoma valores esquecidos pela civilização, propondo um diálogo “também com os mecanismos provenientes da exploração cinematográfica da linguagem”.

Embora seja um reconhecido videoartista, sobretudo depois do convite do curador Nelson Brissac Peixoto (1952) para participar da primeira exposição Arte/Cidade I (1994), em São Paulo, sua obra encontra dificuldades de recepção por seus pares do cinema ou das artes visuais. Segundo Gabriel Bastos Junior, “os artistas plásticos o consideravam videomaker, os videomakers o acusam de ter traído o meio e os cineastas não o consideram nada”2

Em 1995, produz o primeiro longa-metragem, Enredando Pessoas. Filmado em 16 mm, é transformado em vídeo para que Santos possa manipular as imagens eletronicamente. As preocupações coletivas e existenciais, as relações individuais com as instituições e as muitas formas de abandono são discutidas com base em depoimentos colhidos no Brasil e na Espanha. Nessa década também realiza curtas-metragens, como Tumitinhas (1998), e participa da Bienal de São Paulo (1996).

A música e o som têm destaque em seu trabalho, tanto manipulados em ilhas de edição analógicas quanto produzidos especificamente para cada obra. Faz várias parcerias com o músico Paulo Santos (1954) do grupo mineiro de música experimental Uakti, entre elas a performance Pincélulas (1998), exibida no 12º Festival Videobrasil.

Em 2001, participa da Mostra Bienal 50 anos. Nessa década, produz a instalação Call Waiting (2008), composta por 50 gaiolas e projeções de imagens de pássaros,sugerindo relação com memórias de infância e as aves que o pai do artista criava. O nome ‘Chamada em espera’ faz referência aos pássaros pousados em fios de telefone, alternando imobilidade e voos. 

O longa Deserto Azul  (2013) é uma ficção científica,  que conta com a  colaboração de onze artistas plásticos, entre eles Adriana Varejão (1964). Ambientado em uma exposição com vídeos-objeto de Santos, montada no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, e num futuro remoto, o protagonista busca a elevação de sua consciência, por meio de sonhos e intuições. O questionamento central do filme é o propósito da vida, já que a religião, as atividades físicas, as memórias e todos os dogmas não existem mais. Realiza exposições individuais na feira de arte Arco (2009) em Madri, Espanha; no Centro Cultural Banco do Brasil (2010), Rio de Janeiro, entre outras. Seu trabalho é reconhecido em premiações nacionais e internacionais e compõe acervos como Coleção Itaú, dos Museus de Arte Moderna da Bahia, de São Paulo e do Rio de Janeiro e do Centre Georges Pompidou, Paris.

Eder Santos parte da observação dos aspectos técnicos do vídeo para transformá-los em elementos de sua obra. Com inventividade, alia provocações existenciais com questionamentos acerca dos padrões da linguagem audiovisual. 

Notas

1. LONDON, Barbara. O vernáculo na luz. In: SANTOS, Eder. Catálogo Galeria Luciana Brito, São Paulo, [s.d.], p. 21-22.

2. JUNIOR, Gabriel Bastos. Eder Santos ultrapassa os limites do monitor. O Estado de S.Paulo,  Caderno 2, p. D8, 13 mar. 1996.

Obras 2

Abrir módulo
Frame do vídeo Cimena de Eder Santos/Divulgação

Cinema

Vídeo canal único (cor/som) hdcam
Registro fotográfico João L. Musa/Itaú Cultural

Memória - Cristaleira

Vídeo instalação [vitrine e objetos de cristal]

Eventos multiculturais 1

Abrir módulo

Exposições 72

Abrir módulo

Feiras de arte 5

Abrir módulo

Festivais 2

Abrir módulo

Mostras audiovisuais 25

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 22

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: