Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Dança

Rodrigo Pederneiras

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.09.2021
23.01.1955 Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte
Rodrigo Pederneiras Barbosa (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1955). Coreógrafo e bailarino. Enquanto coreógrafo residente do Grupo Corpo, desenvolve importante pesquisa sobre a relação entre a cultura erudita e a cultura popular no contexto da busca por uma identidade brasileira na dança contemporânea, imprimindo em seus espetáculos peculiar const...

Texto

Abrir módulo

Rodrigo Pederneiras Barbosa (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1955). Coreógrafo e bailarino. Enquanto coreógrafo residente do Grupo Corpo, desenvolve importante pesquisa sobre a relação entre a cultura erudita e a cultura popular no contexto da busca por uma identidade brasileira na dança contemporânea, imprimindo em seus espetáculos peculiar construção gestual e cênica.

Ressalta da infância o intenso interesse por música clássica, tendo origem nesse momento a prática de escutar exaustivamente, de forma obsessiva e isolada, faixas musicais. Inicia-se na dança na década de 1970 por influência da irmã Miriam Pederneiras (1958), que então frequenta as aulas de balé da escola de dança de Marilene Martins (1935), diretora do Grupo Transforma. Encantado pela atividade, recebe uma bolsa de estudos da mesma escola e decide se profissionalizar no balé, sendo apoiado pela família, mesmo com as adversidades por ser um homem bailarino em uma cidade como Belo Horizonte. Participa de oficinas de dança da programação do Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais com o coreógrafo argentino Oscar Araiz (1940), que o convida a estudar dança moderna em Buenos Aires, Argentina, onde participa do espetáculo Agitor Lucens V. Passa temporadas também no Rio de Janeiro, onde aprimora a técnica clássica do balé com a russa Tatiana Leskova (1922).

Em 1975, ao retornar a Belo Horizonte, funda com os irmãos o Grupo Corpo. Sem um espaço próprio, transformam a casa dos pais, no bairro de Serra, na primeira sede da companhia. Lá, constroem salas de aula onde são realizados cursos de danças com professores convidados e também um espaço para exposições de arte.

O primeiro espetáculo do Grupo, do qual Rodrigo participa como bailarino, é Maria Maria (1975), com trilha sonora de Milton Nascimento (1942), roteiro de Fernando Brant (1946-2015) e coreografia de Oscar Araiz. Com grande comparecimento de público, o espetáculo é executado por nove anos, com turnê por 14 países. A crítica Helena Katz (1964) ressalta a importância do episódio, por ser a primeira vez que um grupo fora do eixo Rio-São Paulo ganha tamanha relevância no cenário nacional da dança.

A fim de conquistarem mais autonomia artística, o Grupo deixa de colaborar com a companhia de Araiz, e Rodrigo Pederneiras assume como coreógrafo residente. Sua primeira peça autoral é Cantares (1978), cuja trilha sonora é composta por Marco Antônio Araújo (1949-1986). O espetáculo é realizado por ocasião da abertura da nova sede do Grupo Corpo, no bairro das Mangabeiras, uma edificação que reúne as instalações da escola, uma galeria de arte, um laboratório de fotografia e o teatro do Grupo Corpo.

Cantares inicia uma tendência que marca a companhia durante a década de 1980, durante a qual o coreógrafo intensifica a busca por uma identidade brasileira na dança e, para isso, inspira-se em manifestações populares como as festas religiosas do interior de Minas Gerais. Retomando a base em música clássica de sua infância, as trilhas são centradas nos compositores eruditos brasileiros, como Villa-Lobos (1887-1959) e Carlos Gomes (1936-1896). Esteticamente, uma ruptura importante em relação ao momento anterior do Grupo é a ênfase que os corpos e a dança passam a receber nas coreografias. Pederneiras afirma que a dança não é sobre narrativas ou interpretação, mas sobre movimento.

A partir de 1992, o Grupo adota como critério da direção artística trabalhar com trilhas originais, especialmente compostas para os espetáculos (à exceção de Lecuona, de 2004), para as quais convidam grandes nomes da música brasileira popular e erudita. Ainda em 1992, estreia o espetáculo 21, considerado por Pederneiras um divisor de águas tanto em sua trajetória como coreógrafo quanto na história do Grupo. 21 investiga combinações rítmicas e matemáticas em torno do número 21, reproduzido na escritura coreográfica e nas partituras de Marco Antônio Guimarães (1948).

Nesse momento, identifica-se o estilo de dança específico do Grupo Corpo, caracterizado pela progressiva quebra das técnicas do balé clássico para a construção de uma técnica que sintetiza a mescla africana, indígena e europeia do país e imprime aspectos como a malemolência e a sedução que, segundo Pederneiras, são intrínsecos à cultura brasileira. Seu processo começa pela escuta exaustiva das trilhas sonoras, enquanto esboça a atmosfera que pretende exibir, assim como a disposição espacial dos componentes em cena. Contudo, as sequências não são exploradas até a reunião do grupo na sala de ensaios, quando reproduzidas pelo coreógrafo aos bailarinos. Pederneiras afirma que, ao longo do tempo, diminui a dedicação àquela etapa preparatória porque prefere não se prender a ideias pré-concebidas, mas explorar as possibilidades da criação contínua.

Em 2017, estreia outro grande sucesso, Gira, cuja temática base são as religiões de matriz africana. Durante a pesquisa, Rodrigo passa a frequentar terreiros de umbanda e encanta-se pelos movimentos das entidades quando manifestadas, buscando reproduzi-los com a trilha do grupo Metá Metá. O coreógrafo ressalta a importância política de trabalhos como esse no combate à intolerância religiosa, enfatizando a oportunidade de apresentar temáticas marginalizadas a públicos desconhecedores ou distantes dos temas, seja o público da dança nacional seja os estrangeiros. 

As trajetórias de Rodrigo Pederneiras e do Grupo Corpo são inseparáveis, com o coreógrafo contribuindo de forma inequívoca para a sedimentação da companhia junto ao público no país e no exterior, a partir de uma estética própria aclamada pela crítica e pelos espectadores.

Espetáculos 1

Abrir módulo

Espetáculos de dança 36

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 3

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: