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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Burle Marx

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.12.2018
04.08.1909 Brasil / São Paulo / São Paulo
04.06.1994 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Sem Título, 1983
Burle Marx
Óleo sobre tela, c.i.d.
147,00 cm x 112,00 cm

Roberto Burle Marx (São Paulo, São Paulo, 1909 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994). Paisagista, arquiteto, desenhista, pintor, gravador, litógrafo, escultor, tapeceiro, ceramista, designer de jóias, decorador. Durante a infância vive no Rio de Janeiro. Vai com a família para a Alemanha, em 1928. Em Berlim, estuda canto e se integra à vida cu...

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Biografia

Roberto Burle Marx (São Paulo, São Paulo, 1909 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994). Paisagista, arquiteto, desenhista, pintor, gravador, litógrafo, escultor, tapeceiro, ceramista, designer de jóias, decorador. Durante a infância vive no Rio de Janeiro. Vai com a família para a Alemanha, em 1928. Em Berlim, estuda canto e se integra à vida cultural da cidade, freqüenta teatros, óperas, museus e galerias de arte. Entra em contato com as obras de Vincent van Gogh (1853-1890), Pablo Picasso (1881-1973) e Paul Klee (1879-1940). Em 1929, freqüenta o ateliê de pintura de Degner Klemn. Nos jardins e museus botânicos de Dahlen, em Berlim, entusiasma-se ao encontrar exemplares da flora brasileira. De volta ao Brasil, faz curso de pintura e arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), Rio de Janeiro, entre 1930 e 1934, onde é aluno de Leo Putz (1869-1940), Augusto Bracet (1881-1960) e Celso Antônio (1896-1984). Em 1932, realiza seu primeiro projeto de jardim para a residência da família Schwartz, no Rio de Janeiro, a convite do arquiteto Lucio Costa (1902-1998), que realiza o projeto de arquitetura com Gregori Warchavchik (1896-1972). Entre 1934 e 1937, ocupa o cargo de diretor de parques e jardins do Recife, Pernambuco, onde passa a residir. Nesse período, vai com freqüência ao Rio de Janeiro e tem aulas com Candido Portinari (1903-1962) e com o escritor Mário de Andrade (1893-1945), no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal. Em 1937, retorna ao Rio de Janeiro e trabalha como assistente de Candido Portinari. O final da década de 1930 arca a integração de sua obra paisagística à arquitetura moderna, época em que o artista experimenta formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos. Sua paixão por plantas remonta à juventude, quando se interessa por botânica e jardinagem, mas é em 1949 que Roberto Burle Marx organiza uma grande coleção, quando adquire um sítio de 800.000 m², em Campo Grande, Rio de Janeiro. Em companhia de botânicos, realiza inúmeras viagens por diversas regiões do país, para coletar e catalogar exemplares de plantas, reproduzindo em sua obra a diversidade fitogeográfica brasileira.

Análise

O estudo da paisagem natural brasileira é um elemento fundamental nos projetos de Burle Marx, desde o início da carreira. Sua obra tem caráter inovador: trabalha como botânico e pesquisador - realiza excursões pelo país, descobre espécies vegetais, incorpora as plantas do cerrado, espécies amazônicas e do sertão nordestino em suas obras. Inclui em seus parques e jardins elementos arquitetônicos como colunas e arcadas, encontrados em demolições; utiliza ainda mosaicos e painéis de azulejos, recuperando a tradição portuguesa.

Destaca-se em seus projetos a preocupação com as massas de cor, obtidas pela disposição de arbustos e árvores em grupos homogêneos, de acordo com seu potencial de mudanças cromáticas, ao longo das estações do ano. Essa mesma atenção em relação à cor, é conferida aos materiais minerais empregados: pedras, seixos e areias.  Cria jardins de formas orgânicas, delineados por um contorno preciso, como pode ser visto, por exemplo, no Conjunto da Pampulha (Belo Horizonte, 1942-1945). Na Fazenda Marambaia (Petrópolis, 1948) e no Rancho da Pedra Azul (Teresópolis, 1956) integra a paisagem construída ao cenário natural: os jardins se expandem e incorporam a natureza local. Em 1949, Burle Marx adquire o Sítio Santo Antônio da Bica, nas proximidades do Rio de Janeiro, onde reúne e estuda exemplares, muitas vezes raros, da flora brasileira. A partir da década de 1950, utiliza em seus trabalhos uma ordenação mais geometrizante, como ocorre na Praça da Independência (João Pessoa, 1952).

Burle Marx colabora com arquitetos modernos em projetos em que a arquitetura e o paisagismo são integrados. Trabalha com Lucio Costa no projeto dos jardins do Ministério da Educação e Saúde (MES) (Rio de Janeiro, 1938-1944) e do eixo monumental de Brasília (1961-1962); com Rino Levi (1901-1965) na residência Olivo Gomes (atual Parque da Cidade Roberto Burle Marx, São José dos Campos, 1950-1953 e 1965); com Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) nos jardins do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) (1954-1956) e do Parque do Flamengo (1961-1965); e com Oscar Niemeyer (1907-2012) no conjunto da Pampulha.

Paralelamente, trabalha como pintor, dedicando-se, na década de 1930, a naturezas-mortas com motivos da flora brasileira, em traços sinuosos e uma paleta de tons sóbrios. Produz quadros em que incorpora soluções formais do cubismo, como na obra Abóboras com Bananas (1933). Na pintura mantém diálogo com Picasso e com os muralistas mexicanos, representando figuras do povo, cenas de trabalho e favelas. Em seus retratos aproxima-se da obra de Candido Portinari, com quem estuda em 1935, e Di Cavalcanti (1897-1976), na representação realista dos personagens.

Emprega o geometrismo ao pintar cidades, construídas em linhas retas, com uma paleta sóbria, em que predominam tons amarelo, cinza e preto, como em Morro do Querosene (1936) e Morro de São Diogo (1941). Paralelamente, um novo tratamento formal é percebido em alguns quadros: a passagem gradual para o abstracionismo, como em Cataventos (1940), Figura em Cadeira de Balanço (1941) e Peixes (1944).

A obra de Burle Marx atinge uma linguagem particular a partir da década de 1950. A tendência para a abstração consolida-se e a paleta muda, passando a incluir muitas nuances de azul, verde e amarelo mais vivos. Em suas telas o trabalho com a cor está associado ao desenho, que se sobrepõe e estrutura a composição. Nos anos 1980, passa a realizar composições geométricas em acrílico, os contornos são desenhados com a cor, as telas adquirem um aspecto fluído, flexível e ganham leveza.

Ao longo de sua carreira são numerosos os desenhos a nanquim, nos quais, muitas vezes, trabalha com motivos tirados da trama finíssima de folhagens e galhos. Embora tenha como base a natureza, seus desenhos são, essencialmente, de caráter abstrato, com a predominância de elementos lineares. Utiliza o nanquim para obter gradações em tonalidades diversas, como pode ser visto no desenho Dia e Noite (Série 1973, 1).

Inspirando-se constantemente em formas da natureza, suas pinturas e desenhos refletem a indissociável experiência de paisagista e botânico. Na década de 1970, tem marcante atuação como ecologista, defendendo a necessidade da formação de uma consciência crítica em relação à destruição do meio ambiente. O Sítio Santo Antônio da Bica é doado ao governo federal em 1985, passando a chamar-se Sítio Roberto Burle Marx, e constitui um valioso patrimônio paisagístico, arquitetônico e botânico.

Obras 21

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Reprodução fotográfica João L. Musa/Itaú Cultural

Anna Piacsek

Litografia
Reprodução fotográfica Marcel Gautherot

Composição

Acrílica sobre tela

Espetáculos de dança 1

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Exposições 225

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Feiras de arte 1

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Fontes de pesquisa 19

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  • ARTE no Brasil. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
  • AYALA, Walmir. O Brasil por seus artistas. Tradução John Stephen Morris, Ida Cecília Raiche de Araújo, Zuleika Santos Andrade. Rio de Janeiro, Círculo do Livro, s.d.
  • BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 5., 1959, São Paulo, SP. Catálogo geral. São Paulo: MAM, 1959.
  • DOURADO, Guilherme Mazza. Modernidade verde: jardins de Burle Marx, 2000. 254 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, São Carlos, 2000.
  • FLEMING, Laurence. Roberto Burle Marx: um retrato. Apresentação Rony Lyrio, Lucio Costa. Rio de Janeiro: Index, 1996. 160 p., il. color.
  • FROTA, Lélia Coelho. Burle Marx landscape design in Brasil = Burle Marx: paisagismo no Brasil. Tradução Marion Fleischer; Clare Charity; apresentação Enno Dorscht. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1994. 127 p., il., p&b. color. (Brasiliana de Frankfurt).
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEMOS, Paulo, SCHWARZTEIN, Eduardo C. Roberto Burle Marx. São Paulo: Lemos, 1996. 78 p., il., figs. foto.
  • MARX, Burle. Arte e paisagem: a estética de Roberto Burle Marx. São Paulo: MAC/USP, 1997. 60 p., il., figs. color.
  • MARX, Burle. Arte e paisagem: conferências escolhidas. Prefácio José Tabacow. São Paulo: Nobel, 1987.
  • MARX, Burle. Roberto Burle Marx. São Paulo: MAM, 1974. il. p.b. color., fot.
  • MOTTA, Flávio. Roberto Burle Marx e a nova visão da paisagem. São Paulo: Nobel, 1983. 247 p., il. p.b. color.
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • R. BURLE Marx na pintura: exposição em homenagem aos 80 anos do artista. Apresentação de Lélia Coelho Frota. Rio de Janeiro: Escola de Artes Visuais do Parque Lage, 1989.
  • ROBERTO Burle Marx. Comentário Lélia Coelho Frota. Sabará: Fundação Belgo-Mineira, 1993. 79 p., il. p&b, color.
  • SIQUEIRA, Vera Beatriz, EUVALDO, Célia (coord.). Burle Marx. Apresentação Pedro Henrique Mariani. São Paulo: Cosac & Naify, 2001. 128 p., il. color. (Espaços da arte brasileira).
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Roberto Burle Marx em 1974. In: MARX, Burle. Roberto Burle Marx. São Paulo: MAM, 1974. il. p.b. color., fot.
  • VALLADARES, Clarival do Prado. Roberto Burle Marx: pintura em forma de jardim. In: MARX, Roberto Burle. Roberto Burle Marx: homenagem à natureza. São Paulo: Vozes, 1979.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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