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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Silvio Tendler

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 18.11.2016
12.03.1950 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Os Anos JK: uma trajetória política [cartaz], 1980
Fernando Pimenta
Fotografia
60,00 cm x 90,00 cm

Silvio Tendler (Rio de Janeiro RJ 1950). Cineasta, professor e historiador. Aproxima-se do cinema em 1965 pela atividade cineclubista e, em 1968, torna-se presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro. Trabalha como assistente de direção na produtora Mapa Filmes. Em 1968, entrevista o marinheiro João Cândido (1880 - 1969), líder da Rev...

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Biografia
Silvio Tendler (Rio de Janeiro RJ 1950). Cineasta, professor e historiador. Aproxima-se do cinema em 1965 pela atividade cineclubista e, em 1968, torna-se presidente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro. Trabalha como assistente de direção na produtora Mapa Filmes. Em 1968, entrevista o marinheiro João Cândido (1880 - 1969), líder da Revolta da Chibata (1910), mas não realiza o projeto cinematográfico. Após o Ato Constitucional nº 5 (AI-5), de 1968, viaja para o Chile no fim do ano de 1970, e se inicia em fotografia e edição, participando de produções de cunho popular.

Muda-se para Paris em 1972, e lá completa sua formação acadêmica. Aproxima-se do coletivo Sociedade para o Lançamento de Obras Novas (Slon), criado pelo cineasta francês Chris Maker (1921), com quem trabalha na realização do filme La Spirale (1975), sobre o golpe civil-militar no Chile, de 1973. Matricula-se no curso de história da Universidade de Paris 7, e se gradua em 1975, com orientação do historiador Marc Ferro (1924). Em 1976, torna-se mestre em cinema e história pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS), com dissertação sobre a obra do cineasta holandês Joris Ivens (1898 - 1989).

De volta ao Rio de Janeiro, em 1976, inicia a pesquisa e entrevistas para seu primeiro longa-metragem: o documentário Os Anos JK, uma Trajetória Política, concluído em 1980. Desde 1979 é professor de cinema no Departamento de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Realiza seu segundo longa-metragem, O Mundo Mágico dos Trapalhões, em 1981, e, no mesmo ano, funda a Caliban Produções Cinematográficas e inicia o seu terceiro longa-metragem, que retoma o caráter político biográfico da trajetória de outro ex-presidente da República: Jango, finalizado em 1984. Dirige a TV Brasília em 1995 e, no ano seguinte, a Secretaria de Cultura e Esporte do Distrito Federal. Entre 1997 e 2000 assume a Coordenação de Audiovisual para o Brasil e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Volta à direção, em 1998, com o longa-metragem Retrato Falado de Castro Alves, sua única ficção. Realiza o média-metragem Marighella, Retrato Falado do Guerrilheiro em 2001, e um ano depois o longa-metragem Glauber o Filme, Labirinto do Brasil, em que apresenta uma série de depoimentos e imagens de arquivo, entre as quais cenas do velório e do enterro do cineasta.

Finaliza, em 2006, o sexto longa-metragem, Encontro com Milton Santos ou o Mundo Global Visto do Lado de Cá, filme que traz uma das últimas entrevistas concedidas pelo professor e geógrafo Milton Santos (1926 - 2001). Lança Utopia e Barbárie em 2010, filme que sintetiza, em duas horas, importantes acontecimentos ocorridos entre os anos 1960 e a primeira década dos anos 2000. Seu mais recente trabalho é Tancredo: A Travessia (2011), a biografia e a trajetória política do presidente da República eleito em 1985.

Análise de trajetória
Os aspectos históricos e políticos com que Silvio Tendler aborda personagens e contextos nos documentários decorrem da formação de historiador, daí a pesquisa em imagens de arquivos, entrevistas e demais fontes documentais em seus filmes. Nesse sentido, credita ao cinema o status de expressão artística privilegiada para o relato e debate de questões históricas, pois supõe ilusória a ideia de neutralidade na narrativa documental. Suas opções, segundo o próprio cineasta, se revestem de posicionamentos políticos perante os temas tratados, procurando novos ângulos na abordagem de figuras como os ex-presidentes Juscelino Kubitschek (1902 - 1976) e João Goulart (1919 - 1976), o guerrilheiro Carlos Marighella (1911 - 1969), o cineasta Glauber Rocha (1939 - 1981), o geógrafo Milton Santos (1926 - 2001).

O "cinema-verdade" de Joris Ivens, proposta engajada de documentário com posicionamento político em relação àquilo que apresenta, é a maior inspiração de Silvio Tendler, que se espelha na coerência da trajetória do documentarista holandês, sempre preocupada em legitimar suas narrativas abertamente ideológicas em relação aos fatos. O que se reforça, inclusive, pela formação acadêmica e artística de Tendler na França, em parte motivada pela censura e perseguição no cenário político brasileiro e em parte pela pesquisa e convivência com o próprio Ivens. Soma-se a sua formação outra grande presença: a do cineasta francês Chris Marker (1921), com quem tem a primeira experiência na realização de um documentário, o filme La Spirale (1975). Entre os brasileiros, o documentarista Vladimir Carvalho (1935), que conhece ainda antes de deixar o Brasil, em 1970, é sua primeira referência.

Seus três primeiros longas-metragens marcam o alcance do diálogo que estabelece com o público, até hoje as melhores bilheterias de documentários no Brasil: 1 milhão com Jango (1984), 800 mil com Os Anos JK, uma Trajetória Política (1980) e 1,8 milhão de espectadores com O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981). O primeiro trabalho, Os Anos JK, além de boa recepção do público, é premiado pela crítica. Para o crítico de cinema Jean-Claude Bernardet (1936), em Os Anos JK é clara a opção do diretor pela valorização da imagem de um "presidente liberal", na articulação entre cenas de cinejornais e os comentários do locutor. O sociólogo José Mário Ortiz Ramos, ao comparar Os Anos JK a Jango - filme mais premiado de Tendler -, identifica no primeiro a marca de uma narrativa fria (acentuada pela voz off) pontuada pelo eixo "desenvolvimento e democracia" e, em Jango, o papel da montagem que expressa o posicionamento político do diretor na composição de imagens, fotografias, depoimentos, textos e trilhas musicais que tornam a narrativa mais dinâmica.

Em Encontro com Milton Santos ou o Mundo Globalizado Visto do Lado de Cá (2006) e Utopia e Barbárie (2010), Tendler muda a forma de suas abordagens. No primeiro, resgata o momento histórico da virada do século não mais pela trajetória política de um personagem, mas pelas próprias ideias do geógrafo; em Utopia e Barbárie, apresenta importantes eventos políticos dos últimos 50 anos, enfatizando sua experiência e observação pessoal, a partir da reinterpretação de sequências de obras cinematográficas incorporadas e de depoimentos.

Tal como no conjunto de sua obra, agrega aqui a perspectiva "cinema e história" como exposição de um ponto de vista para além do aspecto puramente documental.

Obras 3

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Debates 1

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Mostras audiovisuais 8

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Mídias (2)

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Silvio Tendler - Série Cinema - Jogo de Ideias (2012) - Parte 1/2
Produção Itaú Cultural
Silvio Tendler - Série Cinema - Jogo de Ideias (2012) - Parte 2/2
Produção Itaú Cultural

Fontes de pesquisa 34

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