Artigo da seção pessoas Cecil Thiré

Cecil Thiré

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deCecil Thiré: 28-05-1943 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 09-10-2020 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Cecil Thiré (Pitou) no espetáculo A Divina Sarah, de John Murrell, direção de João Bethencourt. , 1985 , Emidio Luisi
Registro fotográfico Emidio Luisi

Cecil Aldery Thiré (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1943 - idem, 2020). Diretor e ator. Desenvolve uma carreira profícua de intérprete, mas é como diretor que amplia os conteúdos dos textos que encena, junto à capacidade de tirar o melhor dos atores que dirige, que Cecil Thiré firma seu espaço no teatro.

Filho da atriz Tônia Carrero (1922-2018), estuda interpretação com Adolfo Celi (1922-1986), no Patronato da Gávea, no início dos anos 1960. Depois de atuar sob a direção de Ziembinski (1908-1978) em Descalços no Parque, 1964, de Neil Simon (1927-2018), integra o elenco de Pequenos Burgueses, 1965, de Máximo Gorki (1868-1936), no Teatro Oficina. No ano seguinte, participa do Teatro Jovem, na montagem de América Injusta, de Martim B. Dukerman. Em 1967, é dirigido por Ademar Guerra (1933-1993), em Oh, que Delícia de Guerra!, de Joan Littlewood (1914-2002). Em 1970 atua na histórica montagem de Cemitério dos Automóveis, de Fernando Arrabal (1932), dirigida por Victor García (1934-1982). Realiza sua primeira direção em 1971, em Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen (1828-1906), pela qual recebe o Prêmio Estado da Guanabara. Já neste espetáculo de estreia, mostra capacidade para unir visão pessoal e fidelidade ao texto, relacionando os conflitos psicológicos e familiares propostos pelo autor às suas origens sociais e ideológicas. Assim, a montagem transcende o universo norueguês e a leitura feminista com que comumente se aborda o texto: a ideologia capitalista e burguesa de Helmer encontra em Nora a resistência contracultural, e a partida da mulher se torna a crença na possibilidade de um novo sistema. Segundo o crítico José Arrabal, "a revisão crítica de Cecil com a obra de Henrik Ibsen alcança, desta maneira, toda uma importância maior, ao produzir bom conhecimento, obrigação do teatro como diversão".1

Em 1974 está como ator em A Gaivota, de Anton Tchekhov (1860-1904), com direção de Jorge Lavelli (1932). No ano seguinte, recebe o Prêmio Molière de melhor direção, novo reconhecimento pela capacidade de teatralizar a dramaturgia. Em A Noite dos Campeões, de Jason Miller (1939-2001), o eixo da ação é sustentado por cinco atores, cuja relação faz lentamente crescer a tensão da narrativa. Reduzindo a movimentação de cena ao mínimo indispensável, Cecil Thiré realiza, na opinião do crítico Yan Michalski, sua melhor encenação: "Nenhum brilhareco de direção, nenhum vôo autônomo, mas uma constante compreensão do conteúdo a ser transmitido e adequação dos recursos através dos quais essa transmissão pode operar-se com maior eficiência".2

O crítico Flávio Marinho analisa que a principal característica da direção é uma unidade organicamente sólida: "Trata-se de uma mise-en-scène amarrada e vigorosa, de ritmo permanentemente tenso, onde a ênfase no humor cáustico do texto leva ao riso amargo. Ou o riso que também faz pensar".3

Em 1978, estréia, em São Paulo, um texto de Maria Adelaide Amaral, Bodas de Papel. Obtendo um rendimento coeso de todo o elenco, Cecil confirma sua vocação para a construção do trabalho interpretativo. O diretor busca nas entrelinhas a veia crítica do texto e explora, ao máximo, seu humor. Em 1979, recebe o Prêmio Molière pela direção de dois espetáculos: O Fado e a Sina de Matheus e Catirina, de Benjamin Santos, e um novo texto de Maria Adelaide Amaral, A Resistência, que lhe vale também o Prêmio da Associação Paulista de Críticos Teatrais, APCT. Em A Resistência, em que reúne as funções de diretor e intérprete, Cecil Thiré firma-se como diretor de ator e encenador capaz de ampliar os conteúdos da dramaturgia. O crítico Flávio Marinho analisa as qualidades do espetáculo:

"Numa encenação assumidamente naturalista, o diretor valoriza cada linha do texto através de pausas expressivas, absoluta noção de timing e domínio total do ritmo do espetáculo. O resultado é pleno de detalhes de mise-en-scène que garantem um sopro de vida a personagens quase de cartolina. Enquanto isso, Cecil volta a brilhar como diretor de intérpretes, extraindo do elenco um rendimento altamente homogêneo, onde os pontos altos estariam nos verdadeiros duelos interpretativos travados".4

A partir daí, Cecil Thiré passa a trabalhar como ator em espetáculos que dirige, aparentemente sem prejuízo dessas funções. Mas em 1984 se afasta do palco, retornando à direção dez anos depois, quando realiza três espetáculos seguidos. Mantém na televisão uma participação constante, embora espaçada, como ator e diretor, e inicia, no final dos anos 90, um trabalho constante como professor de interpretação em curso profissionalizante.

Notas

1. ARRABAL, José. Casa de bonecas. O Jornal, Rio de Janeiro, 31 out. 1971.

2. MICHALSKI, Yan. Quinteto de campeões. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 ago. 1975.

3. MARINHO, Flávio. A noite dos campeões. Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, 14 ago. 1975.

4. MARINHO, Flávio. A resistência. Desfile, Rio de Janeiro, n. 31, out. 1979.

Outras informações de Cecil Thiré:

Representação (1)

Espetáculos (69)

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Fontes de pesquisa (9)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Cecil Thiré (ficha curricular). In: _______. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: A Visita da Velha Senhora - 2002; Um Barco para o Sonho - 2007. Não catalogado
  • FRASER, Etty. Etty Fraser. São Paulo: [s.n.], s.d. Entrevista concedida a Rosy Farias, pesquisadora da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. Não Catalogado
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Bodas de Papel - 1978 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Constantina - 1977 Não catalogado
  • THIRÉ, Cecil. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CECIL Thiré. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa14504/cecil-thire>. Acesso em: 18 de Mai. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7