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Artes visuais

Carlos Nader

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 16.08.2021
1964 Brasil / São Paulo / São Paulo
Carlos Aziz Nader (São Paulo, São Paulo, 1964). Documentarista, diretor e videomaker. Em sua produção autoral no cinema e nas artes plásticas, Carlos Nader realiza várias possibilidades de ensaio visual e de diluição entre fato do documentário e ficção. Assim, a partir de representações aparentemente diretas da realidade, procura criar distancia...

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Carlos Aziz Nader (São Paulo, São Paulo, 1964). Documentarista, diretor e videomaker. Em sua produção autoral no cinema e nas artes plásticas, Carlos Nader realiza várias possibilidades de ensaio visual e de diluição entre fato do documentário e ficção. Assim, a partir de representações aparentemente diretas da realidade, procura criar distanciamento, estimulando novos olhares para o já conhecido.

Forma-se em Rádio e TV na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), em 1984, e trabalha como editor da Revista Caos, em São Paulo, de 1986 a 1989. Inicia a carreira produzindo documentários de curta-metragem, como Os Judeus-Caboclos da Amazônia (1990), e O Expresso Transiberiano (1991), ambos em parceria com o diretor de cinema Henrique Goldman (1962). 

Lança em 1992 seu primeiro trabalho autoral, o média-metragem O Beijoqueiro, Retrato de um Serial Kisser, que retrata o português José Alves de Moura (1940), conhecido por beijar – na frente das câmeras da imprensa – personalidades como o cantor norte-americano Frank Sinatra (1915-1998), o Papa João Paulo II (1920-2005), Pelé (1940) e diversas figuras políticas. O olhar acostumado a perceber o Beijoqueiro como um ícone midiático, alguém em busca de fama imediata, surpreende-se com o adensamento que o documentarista realiza sobre sua figura.

O documentário O Fim da Viagem (1996), em que acompanha um motorista de caminhão de transporte de porcos vivos do Paraná até a Baixada Fluminense, calca-se no que é aceito como “real” para desafiar o registro visual do cotidiano. No média-metragem, nascido de uma inquietação existencialista do diretor, Nader entrevista motoristas nas estradas, perguntando se consideram a vida algo absurdo. Surpreendido com a resposta negativa dos entrevistados e com a confiança com que afirmam que não há nada de absurdo na vida, o documentarista passa a acompanhar o protagonista em sua rotina diária. Para além de qualquer leitura que se concentre no desconforto de assistir aos momentos finais da vida dos suínos, O Fim da Viagem aprofunda, pelo tempo e no tempo, o que poderia ser banal em tais imagens.

Em 1994, Nader realiza sua primeira videoinstalação, atividade que se torna mais consistente a partir de 1997, quando produz trabalhos como Bestiário, com o poeta e produtor Waly Salomão (1943-2003). Vento Luz II (1999), apresentada na Casa das Rosas, em São Paulo, revela sutilezas de movimentos e sensações captadas pelo diretor: com projeções de movimentos de piruetas e fouettés do bailarino russo Mikhail Baryshnikov (1948) em um grande ventilador, parece estender a amplitude sensível da imagem.

Porto do Céu (2012), feita especialmente para a celebração dos 70 anos do cantor e compositor Gilberto Gil (1942), é outra obra instalativa que lida com o movimento circular: a câmera, instalada em uma faixa de areia do litoral baiano, tem o mar à sua frente. Com um giro vertical de 360 graus, a cena registra o movimento de transição do mar para o céu, e retorna à cena inicial, na faixa de areia. A brevidade de sua duração e a simplicidade da ideia do artista abrem um momento de poesia e transcendência sobre o que poderia ser a imagem convencional de uma paisagem.

A parceria com Salomão se repete em diversos trabalhos por mais de uma década. A longa e prolífera amizade permite ao documentarista colecionar registros de momentos importantes da vida do artista: vídeos íntimos, públicos, artísticos ou de seu tempo cotidiano. A partir dessa enorme coleção de imagens, depoimentos e de aparições do poeta da TV brasileira e internacional, o diretor cria, em 2008, cinco anos após a morte do amigo, Waly e a Vida ou Pan Cinema Permanente. Obra mais conhecida de Nader, elabora um retrato da personalidade barroca e expansiva de Waly Salomão. Como é característico desde suas primeiras produções, o filme deixa claras as construções ficcionais que o circundam, dispensando a autoridade de um documentário que se pretende verossímil ou científico.

Os ensaios do diretor, como descreve o poeta Antonio Cícero (1945), “não se restringem a documentar pessoas e fatos, mas, através do estabelecimento de um certo modo de olhar e de uma certa sintaxe espaço-temporal produzida pela montagem, revelam-nos, à maneira de poemas verbais, um novo mundo, a sair do já conhecido”1. A abordagem poética se faz presente até mesmo em produções comerciais, como Soberano (2010) e Soberano 2 (2012), encomendadas pelo São Paulo Futebol Clube.

Unindo vocação ficcional, parcialidade e sentimentalismo pelo objeto, o trabalho documental de Carlos Nader deixa clara a impossibilidade de criação artística livre de toda subjetividade. Suas obras ecoam a afirmação de que existe uma experiência estética própria, uma catarse que se manifesta pela produção audiovisual.

Nota

1. CÍCERO, Antonio. Os vídeos poéticos de Carlos Nader. Folha de S.Paulo, São Paulo, 4 abr. 2009. Ilustrada.

Eventos multiculturais 1

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Mostras audiovisuais 45

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Mídias (1)

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Carlos Nader - Encontros de Cinema (2013)
Depoimento gravado durante o Encontros de Cinema, em setembro de 2013, no Itaú Cultural, em São Paulo/SP.

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