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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Lima Duarte

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.12.2021
29.03.1930 Brasil / Minas Gerais / Sacramento / Desemboque
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Lima Duarte, 1972

Ariclenes Venâncio Martins (Sacramento, Minas Gerais, 1930). Ator, diretor, dublador, narrador, sonoplasta, roteirista, apresentador. Pioneiro da televisão brasileira, é reconhecido pelo investimento na composição do perfil psicológico de seus personagens, interpretados em radionovelas, espetáculos do Teatro de Arena, na TV e em diversos filmes....

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Ariclenes Venâncio Martins (Sacramento, Minas Gerais, 1930). Ator, diretor, dublador, narrador, sonoplasta, roteirista, apresentador. Pioneiro da televisão brasileira, é reconhecido pelo investimento na composição do perfil psicológico de seus personagens, interpretados em radionovelas, espetáculos do Teatro de Arena, na TV e em diversos filmes. Consagra-se como ator de novelas ao criar tipos cômicos marcantes, como Sinhozinho Malta, de Roque Santeiro (1985).

Filho de um boiadeiro e de uma artista circense, na juventude ajuda ocasionalmente a mãe nos picadeiros, que influencia significativamente sua carreira de ator e é a primeira pessoa a fazê-lo perceber o sentido das artes cênicas.

Em 1946, Lima vai para São Paulo sozinho, na boleia de um caminhão de mangas. Com o sonho de trabalhar em rádio, é reprovado em um teste para a TV Tupi por causa do sotaque acentuado, mas ingressa na rádio como estagiário de sonoplastia. Faz imitações que chamam a atenção do dramaturgo Oduvaldo Vianna (1892-1972), que o convida a atuar em uma radionovela.

Adota o nome Lima Duarte por sugestão da mãe. Participa do programa inaugural da televisão, na TV Tupi, em 1950, um show de variedades dirigido por Cassiano Gabus Mendes (1929-1993), com artistas como Hebe Camargo (1929-2012) e Lolita Rodrigues (1929), e da primeira telenovela brasileira, Sua Vida me Pertence (1951).

Na mesma emissora, faz a primeira adaptação televisiva de Hamlet no teleteatro TV de Vanguarda, nos anos 1950. O crítico Guilherme de Almeida (1890-1969) descreve no Estado de S. Paulo seu trabalho como “patético, mas nunca ridículo”1, definição na qual Lima Duarte se reconhece e assume para sua carreira.

A origem rural é determinante para que ingresse no Teatro de Arena (1953-1972), nos anos 1960, a convite de Augusto Boal (1931-2009), Chico de Assis (1933-2015) e Oduvaldo Vianna, pois converge com a ambição dos fundadores do Arena de apresentar um teatro nacional, feito com “brasileiros típicos” que conheçam os modos de andar, falar e sentir habituais da população do país, em oposição à tradição europeia celebrada no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) (1948-1964).

Segundo Décio de Almeida Prado (1917-2000), o ator chega “pronto ao teatro”, “É inteiramente cálculo, premeditação, mas dá a impressão contrária”2. Por O Testamento do Cangaceiro (1961), Lima Duarte recebe o prêmio Saci de melhor ator e uma bolsa de estudos em Nancy, na França.

Atua em peças emblemáticas como Arena Conta Zumbi (1965), sobre a luta quilombola em Palmares e os conflitos de poder no Brasil. O musical inaugura o Sistema Curinga proposto por Boal, em que cada ator pode desempenhar qualquer personagem. Lima permanece no grupo até o fechamento imposto pela ditadura em 1971. “Devo ao Arena todo meu entendimento de compor um personagem, de entender sua psicologia, essa coisa que Constantin Stanislavski (1863-1938) nos ensinou: pessoa, personagem, personalidade, ou seja, a psicologia e o papel social do ator”3.

Na TV Tupi, faz sucesso em novelas como O Direito de Nascer (1964) e Beto Rockfeller (1968) ⎼ esta se diferencia por “personagens críveis, sem maneirismos ou impostações”4, em um contexto predominante de folhetins mexicanos e de outros países.

Estreia nas novelas da TV Globo em 1972 como diretor de O Bofe, mas fracassa na audiência. Já em O Bem-Amado (1973), na pele de Zeca Diabo, surpreende com o contraste cômico entre a voz fina e a violência do jagunço. Em Roque Santeiro, ostensivamente censurada pela ditadura, proporciona a Sinhozinho Malta um gesto marcante da teledramaturgia brasileira, o balançar da pulseira.

Em O Salvador da Pátria (1989), novamente representa a síntese do brasileiro comum ao interpretar Sassá Mutema, cuja trajetória de boia-fria que ganha popularidade e ingressa na política é associada às eleições presidenciais daquele ano.

Nesse mesmo período, apresenta o programa Som Brasil (1984-1989), contando histórias literárias. Apresenta também o Você Decide (1993). A habilidade vocal para imitações e caricaturas permite que se torne dublador de personagens memoráveis de desenhos animados, como o Catatau, de Zé Colmeia, e o protagonista de Manda-Chuva.

No cinema, embora faça dezenas de filmes, não obtém o mesmo reconhecimento que na televisão. Com o truculento protagonista de Sargento Getúlio (1983), baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), recebe o kikito de melhor ator no Festival de Gramado. Imprime ao personagem a capacidade de provocar medo, sobretudo pelo olhar feroz capturado pela câmera como se fosse seu adversário.

Também filma Os Sete Gatinhos (1980), que ressalta o grotesco do texto de Nelson Rodrigues (1912-1980), ao qual o ator responde “dançando à beira do abismo da caricatura”5. Em Palavra e Utopia (2000), do consagrado diretor português Manoel de Oliveira (1908-2015), faz o Padre Antônio Vieira na velhice e “impressiona ao retratar o desencanto e a decadência física do personagem, declamando seus sermões de maneira por vezes arrebatadora”6.

Com personagens tão díspares como um milionário de Da Cor do Pecado (2004) e o sacerdote indiano de Caminho das Índias (2009), na TV Globo, Lima Duarte sustenta uma longa carreira transitando entre papéis cômicos, histriônicos e dramáticos.

Nutrido por sua origem rural e pela memória afetiva, constrói uma ampla galeria de personagens de sotaques e subjetividades diversas, criando ações físicas e outras marcas que os distinguem na memória do público.

Notas

1. REVISTA BRASILEIROS. 85 anos de Lima Duarte. [S.l., s.d.]. Disponível em: https://limaduarteoficial.wordpress.com/2015/03/29/85-anos-de-lima-duarte-releia-a-entrevista-do-ator-a-brasileiros/. Acesso em: 1 dez. 2019.

2. PRADO, Décio de Almeida. Teatro em progresso: crítica teatral (1955-1964). São Paulo: Perspectiva, 1964.

3. Idem 1.

4. Idem 1.

5. ORICCHIO, Luiz Zanin. No cinema, Lima Duarte é eclético e espontâneo no drama e na comédia. Estadão, [s.l.], 2 set. 2019.  Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,na-cinema-lima-duarte-e-ecletico-e-espontaneo-no-drama-e-na-comedia,70002993860. Acesso em: 1 dez. 2019.

6. SILVA Jr., Gilberto. Palavra e Utopia, de Manoel de Oliveira. Contracampo, [s.l., s.d.]. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/criticas/palavraeutopia.htm. Acesso em: 1 dez. 2019.

Espetáculos 19

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Exposições 1

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Mídias (13)

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A Desemboque de Lima Duarte
Em animação criada a partir de fotografias pessoais, o ator Lima Duarte relembra a cidade de Desemboque (MG), cenário de sua infância.

Com curadoria das equipes do Itaú Cultural e cocuradoria de Amilton Pinheiro, a Ocupação Lima Duarte fica em cartaz na sede do instituto de 18 de novembro de 2020 a 10 de janeiro de 2021, com entrada gratuita. Acesse mais conteúdos sobre o homenageado no site da Ocupação Lima Duarte: https://www.itaucultural.org.br/ocupa....

Ocupação Lima Duarte
quarta 18 de novembro de 2020
até domingo 10 de janeiro de 2021
terça a sexta 13h às 19h
sábado, domingo e feriado 10h às 16h

piso 2

As visitas acontecem mediante agendamento prévio em https://www.sympla.com.br/agendamentoic.

Entrada gratuita
[livre para todos os públicos]

Saiba mais sobre a Ocupação Lima Duarte: https://www.itaucultural.org.br/ocupa....

Confira o verbete sobre o ator na Enciclopédia Itaú Cultural: http://bit.ly/verbetelimaduarte.

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Coordenadora do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Kety Fernandes Nassar
Produção audiovisual: Ana Paula Fiorotto
Ilustração: Girafa Não Fala (terceirizada)
Animação: João Zanetti (terceirizado)
Roteiro: Amanda Rigamonti e Richner Allan
Edição: Richner Allan

O Itaú Cultural (IC), em 2019, passou a integrar a Fundação Itaú para Educação e Cultura, com o objetivo de garantir ainda mais perenidade às suas ações e o seu legado no mundo da cultura, ampliando e fortalecendo o seu propósito de inspirar o poder criativo para a transformação das pessoas.
A infância de Lima Duarte em Desemboque
O homenageado da 50ª Ocupação Itaú Cultural, Lima Duarte, fala sobre sua infância, a relação com sua mãe e conta histórias daquela época.

Com a curadoria das equipes do Itaú Cultural e cocuradoria de Amilton Pinheiro, a Ocupação Lima Duarte fica em cartaz na sede do instituto de 18 de novembro de 2020 a 10 de janeiro de 2021, com entrada gratuita.

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quarta 18 de novembro de 2020
até domingo 10 de janeiro de 2020
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As visitas acontecem mediante agendamento prévio – https://www.sympla.com.br/agendamentoic

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Entrevistas: Amanda Rigamonti, Heloísa Iaconis e William Nunes de Santana
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Coordenadora do Núcleo de Audiovisual e Literatura: Kety Fernandes Nassar
Produção audiovisual: Ana Paula Fiorotto
Captação audiovisual: Werger Produções Artísticas (terceirizada)
Edição: Richner Allan
Trilha musical: Hablando, male vocal, loop, 100 bpm, Bb Sound, de Artlist Original

O Itaú Cultural (IC), em 2019, passou a integrar a Fundação Itaú para Educação e Cultura, com o objetivo de garantir ainda mais perenidade às suas ações e o seu legado no mundo da cultura, ampliando e fortalecendo o seu propósito de inspirar o poder criativo para a transformação das pessoas.

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