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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Eustáquio Neves

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 31.08.2021
10.02.1955 Brasil / Minas Gerais / Juatuba

Vênus II, 1993
Eustáquio Neves
Fotografia construída

José Eustáquio Neves de Paula (Juatuba, Minas Gerais, 1955). Fotógrafo e artista visual. Constrói suas obras por meio de processos de experimentação com a linguagem da fotografia, utilizando camadas de sobreposições de imagens e procedimentos químicos. Suas narrativas discutem a sociedade e o lugar histórico da população negra como protagonista ...

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José Eustáquio Neves de Paula (Juatuba, Minas Gerais, 1955). Fotógrafo e artista visual. Constrói suas obras por meio de processos de experimentação com a linguagem da fotografia, utilizando camadas de sobreposições de imagens e procedimentos químicos. Suas narrativas discutem a sociedade e o lugar histórico da população negra como protagonista de suas práticas culturais, conferindo ao artista destaque dentro e fora do país.

Forma-se em 1979 como técnico de química industrial, e, em 1984, encerra sua atuação na indústria e se debruça no estudo integral da fotografia de forma autodidata. Seu conhecimento dos processos químicos lhe possibilita uma amplitude na manipulação e nos resultados das imagens. É no laboratório de revelação e de ampliação que Eustáquio Neves interfere manualmente nos negativos das fotografias, gerando diversos efeitos. 

Atua como freelancer nas áreas de documentação e publicidade, ainda em 1984, e abre um pequeno estúdio fotográfico em Belo Horizonte, em 1987. Na década de 1990, ganha destaque no cenário nacional da fotografia, trazendo questões sociais, étnicas e culturais, que surgem da experiência proporcionada pela visitação à exposição Registros da Minha Passagem Sobre a Terra, do artista Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), no Museu de Arte da Pampulha (MAP), em 1989. 

Nesse momento, a fotografia sai do seu lugar comum, de recorte da realidade, para uma complexa construção de imagem que se intercala, se sobrepõe, conta uma história ou várias. Passa a pensar sua produção de outra forma: suas imagens entram no campo ampliado da fotografia sob outras perspectivas de processos e procedimentos. A manipulação das imagens via processos químicos é uma das características pontuais no seu trabalho, assim, em seu espaço de experimentação, o artista incorpora procedimentos durante muito tempo tratados como tabu para grande parte dos profissionais da área.
   
Constrói sua primeira série no ano de 1992, no ensaio Caos Urbano, na qual retrata uma comunidade marginalizada na cidade de Belo Horizonte e sinaliza seu interesse sobre o lugar do negro na sociedade como investigação, apresentando o seu lugar de fala e protagonizando as narrativas que por vezes são silenciadas pela própria condição da violência urbana vivenciada diariamente por parte da população negra. Prontifica-se em discutir desde questões de ordem social acerca da banalização da mulher até questões de temáticas raciais que se referem à memória e identidade da cultura afrodescendente.

Entre 1994 e 1995, desenvolve a série Arturos, sobre um agrupamento familiar no município de Contagem, em Minas Gerais, caracterizado por ações de continuidade e respeito ao sagrado baseadas no sincretismo da religião católica com as religiões de matriz africana, em ocasião da comemoração da Festa de Nossa Senhora do Rosário, santa protetora de irmandades negras no Brasil colonial. Esse agrupamento familiar, que rememora seu antepassado mais antigo, Artur, articula religiosidade, sagrado, noções de consciência, de pertencimento, de respeito à sua ancestralidade com base em laços familiares. Ainda em 1995, ganha o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia no Rio de Janeiro. 

Destaca-se no ano de 1996 com a participação na Coleção Pirelli/Museu de Arte de São Paulo (Masp) de Fotografias. Participa da 6ª Bienal de Havana, em Cuba, em 1997, que descentraliza os grandes circuitos mundiais de exposições e abre espaço para artistas caribenhos e da América Latina. Ganha o Prêmio Nacional de Fotografia do Ministério da Cultura e Funarte, no Rio de Janeiro, no mesmo ano, e o Prêmio Especial Porto de Seguro de Fotografia, em São Paulo, em 2004. No ano seguinte publica seu primeiro livro, Fotoportátil, que apresenta uma de suas séries mais emblemáticas, Caos Urbano. 
 
Eustáquio Neves segue sua produção discutindo a diáspora negra no Brasil, enquanto rememora e recria as histórias dessa descendência africana com base em aspectos que constituem seu cotidiano, enfatizando o Brasil como o país que tem a maior população negra fora da África, e no qual o racismo estrutural é realidade. 

As problematizações abordadas por Eustáquio Neves têm grande importância na cena artística, por fazer parte de um conjunto de artistas que direciona o olhar para a produção de novas narrativas, concebidas com a sensibilidade de quem faz parte da construção histórica da população afro-brasileira.

Obras 12

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Debates 1

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Exposições 44

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Feiras de arte 1

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Festivais 1

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Fontes de pesquisa 8

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  • CONVERSA com Eustáquio Neves. “Cartas ao mar”. [Entrevista cedida a] Ana Paula Orlandi. Contemporary And América Latina, [s.l.], 2018. Disponível em: http://amlatina.contemporaryand.com/pt/editorial/brazilian-photographer-eustaquio-neves/. Acesso em: 30 nov. 2018.
  • Curriculum Vitae do artista.
  • FERNANDES JUNIOR, Rubens. Labirinto e identidades: panorama na fotografia no Brasil (1946-98). São Paulo: Cosac Naify, 2003.
  • MUSEU AFROBRASIL. Biografia: Eustáquio Neves. São Paulo: Museu Afro Brasil, [s.d.]. Disponível em: http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/indice-biografico/lista-de biografias/biografia/2017/06/13/eustaquio-neves. Acesso em: 29 nov. 2018.
  • NEVES, Eustáquio. Eustáquio Neves. 2014. [Entrevista cedida a] Moracy Oliveira. Olhavê, São Paulo, 2014. Disponível em: http://olhave.com.br/2014/05/perfil-eustaquio-neves/. Acesso em: 29 nov. 2018.
  • PERSICHETTI, Simonetta. Imagens da fotografia brasileira. São Paulo: Estação Liberdade/ Senac, 2000. v. 1.
  • SANT'ANNA, Caroline Vieira. Negras-grafias: herança e resistência na rede diaspórica. Revista Studium, Campinas, 2007. Pensamento. Disponível em: http://www.studium.iar.unicamp.br/africanidades/eustaquio/3.html. Acesso em: 30 nov. 2018.
  • SANTOS, Renata Aparecida Felinto dos. A escravidão africana na arte contemporânea brasileira: um olhar sobre quatro artista. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) Universidade Estadual Paulista - Unesp, São Paulo, 2004.

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