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Marcelo Machado

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 13.07.2021
08.06.1958 Brasil / São Paulo / Araraquara
Marcelo Ramalho Machado (Araraquara, São Paulo, 1958). Diretor de cinema, roteirista e diretor de televisão e de publicidade. É um dos renovadores da linguagem do vídeo e da televisão nos anos 1980. Sua produção trabalha a temática social e artística brasileira, sobretudo na música, com movimentos geracionais e personalidades influentes, por mei...

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Marcelo Ramalho Machado (Araraquara, São Paulo, 1958). Diretor de cinema, roteirista e diretor de televisão e de publicidade. É um dos renovadores da linguagem do vídeo e da televisão nos anos 1980. Sua produção trabalha a temática social e artística brasileira, sobretudo na música, com movimentos geracionais e personalidades influentes, por meio de documentários e de novas linguagens audiovisuais.

Funda em 1981 a produtora independente de vídeo Olhar Eletrônico com os colegas Fernando Meirelles (1955), José Roberto Salatini (1958) e Paulo Morelli (1956), recém-formados na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). No mesmo ano, produz e faz a direção de fotografia do documentário Música na Praça, curta-metragem dirigido por Meirelles que registra o surgimento da chamada vanguarda paulista na música1. Em 1982, segue na fotografia com o curta Eletroagentes, de Alfredo Nagib (1957), que aborda o conflito entre a geração de energia elétrica e a ecologia.2

Em 1983, Machado tem extensa produção e codirige com Meirelles Brasília, visão poética sobre a capital federal, e o primeiro curta de ficção, Marly Normal, espécie de antecessor do videoclipe que em seis minutos conta a rotina de uma escriturária em São Paulo, através de uma linguagem super-editada. O filme experimental transita por meio de cortes rápidos pelas atividades cotidianas e banais de Marly, pautadas pelos sons das mesmas, especialmente do cartão de ponto eletrônico ao entrar e sair do trabalho. Segundo os diretores, a montagem do filme é feita com um cronômetro para que o corte seja preciso. Na direção de Arquitetura Moderna (1984) reforça seu interesse pelo assunto com nomes como Burle Marx (1909-1994), Lúcio Costa (1902-1998), Oscar Niemeyer (1907-2012) e Vilanova Artigas (1915-1985)

Sempre no formato curta e na linguagem de vídeo experimental, dirige dois trabalhos sobre visitas ilustres ao Brasil. Em Keith Haring (1984) registra a passagem do artista americano por São Paulo, quando Haring (1958-1990) grafita muros da cidade. Borges tem como protagonista o escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986).  

Codirige com Morelli e Renato Barbieri (1958) Do Outro Lado da sua Casa (1985), reportagem sobre moradores de rua em que um catador entrevista seus pares. No mesmo ano, no sistema de rodízio de funções que caracteriza a Olhar Eletrônico, dirige com os colegas o programa Crig Rá!, idealizado a convite da Abril Vídeo para exibição na TV Gazeta. A atração traz os primeiros videoclipes produzidos no país, apresentados por Bob Macjack, personagem de Marcelo Tas (1959). Essa experiência marca sua entrada no universo independente da televisão. Como diretor de programação da TV Gazeta, lança em 1987 o TV Mix, revista eletrônica de variedades e referência de linguagem leve e informal.  

Em 1990, assume o mesmo posto na MTV Brasil, versão da Music Television americana. Dois anos depois, transfere-se para a publicidade como responsável pelo departamento de rádio, televisão e cinema da agência DPZ. Retorna à direção e produção de documentários e musicais em 2000 com uma temporada da série Música Brasileira para o canal Multishow. Dedica-se a dirigir videoclipes e em 2005 lança o longa-metragem documental Ginga – A Alma do Futebol Brasileiro, em codireção com Hank Levine (1965) e Tocha Alves (1974), sobre o jeito particular dos jogadores na prática do esporte. Dois anos depois reencontra um antigo interesse ao dirigir Oscar Niemeyer – O Arquiteto da Invenção para o canal GNT.

Nos anos seguintes, Machado realiza em média um documentário de longa-metragem anualmente para televisão e cinema. Amplia a atuação ao dirigir para o selo Sesc, em 2011, o documentário que acompanha o DVD Piano – Uma História de 300 Anos. Em 2012, assina a direção de Tropicália, sobre a vertente musical do movimento homônimo do final dos anos 1960. O tema da música brasileira torna-se uma constante em seu trabalho e prossegue nas direções de O Piano que Conversa (2016), sobre o pianista Benjamim Taubkin (1956), Gilberto Mendes e a Música Nova (2017), dedicado ao maestro e compositor Gilberto Mendes (1922-2016), e Com a Palavra, Arnaldo Antunes (2018), trabalho autobiográfico sobre o músico e poeta nascido em 1960. Em 2020, a China assume protagonismo em A Ponte de Bambu, um retrato do país pela trajetória do jornalista Jayme Martins (1930), lá radicado com a família entre as décadas de 1960 e 1980.

Com extensa produção no audiovisual, seja na televisão, seja na publicidade, a trajetória de Marcelo Machado é marcada pelo caráter despojado na produção de vídeo, ainda ausente no Brasil nas décadas de 1980 e 1990, pela linguagem inovadora na televisão independente, por experimentar inovações tecnológicas, e pela coerência de interesses em suas temáticas.
 
Notas

1. Vanguarda paulista ou vanguarda paulistana é uma denominação dada pela imprensa especializada a um conjunto heterogêneo de músicos e bandas independentes que, entre 1979 e 1985, reúnem-se em espaços como o teatro Lira Paulistana, em São Paulo. A Praça Benedito Calixto, em frente ao Lira, é o local mencionado no vídeo documental Música na Praça. Entre os cantores do movimento, destacam-se Arrigo Barnabé (1951), Itamar Assumpção (1949-2003), Eliete Negreiros (1951) e Vânia Bastos (1956). Premeditando o Breque, Grupo Rumo e Língua de Trapo estão entre os conjuntos participantes.

2. O suporte comum aos trabalhos do período é o U-matic, também conhecido como fita cassete, comercializado a partir de 1971.

Exposições 4

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