Artigo da seção pessoas Lucila Meirelles

Lucila Meirelles

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Artes visuais  
Data de nascimento deLucila Meirelles: 1953 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Lucila Carvalho Junqueira Meirelles (São Paulo, São Paulo, 1953). Videoartista, diretora de TV, performer, curadora, historiadora e mestre em poéticas visuais. Reconhecida como uma das pioneiras da videoarte no Brasil, destaca-se por abordar temas sociais de uma perspectiva experimental, informada por suas investigações de linguagem no campo da videoarte.

Inicia sua atuação como performer na década de 1970, ao lado do multiartista José Roberto Aguilar (1941), e atua na maior parte dos vídeos e eventos multimídia deste realizador, como: Lucila, Filme Policial (1977), Rio de Luz (1978), O Circo Antropofágico (1977) e Opera do 3º Mundo (1978). Os primeiros anos de sua trajetória se dão sob o contexto de forte repressão da ditadura militar, estabelecendo uma pesquisa voltada para o cotidiano. 

A partir dos anos 1980, dá início a uma produção independente de vídeos documentários e ficções experimentais, com os quais percorre importantes mostras internacionais, como The Kitchen, em Nova York, Manifestation Internacionale de Vídeo et Télévision, em Montbeliárd, na França, e The Black Aesthetic, em Washington. Organiza duas curadorias de resgate e restauro dos primeiros trabalhos realizados em vídeo no Brasil – Os Pioneiros (1985) e Olho do Diabo: Videografia de Aguilar (1986) –, além da mostra de José Agrippino de Paula, no Centro Cultural São Paulo (2008). Também realiza para o SescTV as séries Álbum Videográfico: Ciclo José Agrippino de Paula (2007), Poéticas do Invisível (2010) e Ofícios (2012).

Realiza o curta documental Pivete (1987), produzido com filmagens na Febem do Tatuapé, em São Paulo. Lucila obtém autorização para entrar e filmar os menores de idade do complexo de detenção de jovens infratores, o maior do Brasil na época. Sem mediação, os menores se expressam livremente, acerca de temas como liberdade e drogas. O vídeo rompe com a perspectiva institucional e valoriza gestos, olhares e atitudes, numa abordagem informal que oferece uma visão do jovem infrator por ele mesmo.

O trabalho da artista une pesquisa de linguagem a uma enorme empatia por setores marginalizados da sociedade, estabelecendo um diálogo mútuo entre forma e conteúdo. Em Crianças Autistas (1989), Lucila retrata o universo de crianças autistas, transpondo características de seus olhares e movimentos, como vertigem e repetição, para a câmera, a paleta cromática e a pesquisa de som. Quase dez anos depois, conclui Cego de Oliveira – no Sertão do Seu Olhar (1998), que, assim como Crianças Autistas, explora a zona limite entre comunicação e “não comunicação”. Cego de Oliveira relaciona, poeticamente, a visão subnormal com a visão do sertão nordestino, elaborando uma passagem desse “não olhar” para a linguagem do vídeo. Por meio do relato de um velho músico, tocador de rabeca, a autora sustenta uma metáfora da cegueira, na qual a visão parcial de seu personagem não prejudica sua visão de mundo. Lucila explora o excesso de luz e a poeira do sertão, assim como aspectos históricos da vida sertaneja e da fisiologia da visão, e os relaciona com imagens leitosas, opacas e desfocadas, além de legendas trêmulas e com as bordas indefinidas. 

Em 2002, recebe a Bolsa Rumos Itaú Cultural Transmídia, que apoia a convergência de mídias e novas intersecções entre arte, ciência, mídia e tecnologia, para a elaboração do projeto O Fantasma Solitário do Porão Eletrônico Devora os Códigos Secretos do Sistema Operacional como Espagueti Retorcido Impreciso, uma instalação interativa que aborda a linguagem criptografada dos hackers. Assim como em seus vídeos, estabelece um estreito diálogo entre linguagem e conteúdo, que se dá tanto na formatação dos softwares que compõem a instalação, como no espaço físico: um dispositivo que mistura realidade fantástica e ficção científica underground, remetendo a um porão eletrônico escondido. Neste ambiente operacional hacker, uma rede enxuta de computadores são posicionados para o visitante interagir, tornando-o, ao mesmo tempo, invasor e invadido. 

Lucila Meirelles aposta no mundo particular de cada indivíduo como um campo aberto de investigação e construção de subjetividades. Em sua obra, comunica uma visão crítica de mundo ao mesmo tempo que experimenta outras espacialidades e temporalidades, por meio da construção de um “olhar de dentro”, isto é, investiga e coloca em diálogo aspectos de linguagem com situações limites que perpassam a existência humana, especialmente as que se dão às margens da sociedade.

Outras informações de Lucila Meirelles:

  • Outros nomes
    • Lucila Carvalho Junqueira Meirelles
    • Lucila Meireles
    • Lucilla Meirelles
  • Habilidades
    • História
    • Videomaker

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioDesvio & Norma : 22-11-2002  |  Data de término | 08-12-2002
Resumo do artigo Desvio & Norma :

Projeto Dromo (Rio de Janeiro, RJ)

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Fontes de pesquisa (8)

  • LUCILA MEIRELLES. Biografia. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, [s.d.]. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br/festival/arquivo/colaboradores#c56892. Acesso em: 7 ago. de 2020
  • LUCILA MEIRELLES. Site Oficial da Artista. São Paulo. Disponível em: https://vimeo.com/lucilameirelles. Acesso em: 7 ago. 2020.
  • MEIRELLES, Lucila Carvalho Junqueira. 3 óperas de José Roberto Aguilar e algumas referências da arte conceitual dos anos 1970. 2011. 85 f. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27159/tde-12122011-223724/publico/LUCILA_MEIRELLES_DISSERTACAO.pdf.  Acesso em: 18 jan. 2021.
  • MEIRELLES, Lucila Carvalho Junqueira. O fantasma solitário do porão eletrônico devora os códigos secretos do sistema operacional como um espaguete retorcido e impreciso. Programa Transmídia. São Paulo: Itaú Cultural, 2002. Disponível em: https://www.scribd.com/document/197341213/Fantasma?referrer=utm_campaign%3Dapp_promo%26utm_source%3Dinterstitial%26utm_medium%3Dweb%26doc_id%3D197341213#download.  Acesso em: 1 set. 2020.
  • MEIRELLES, Lucila Carvalho Junqueira. Vídeo Popular – 30 anos depois: Vídeo Arte 1/2. [Entrevista cedida a] Joel Zito Araújo. Rede TVT, São Paulo, nov. 2015. (10min06s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1Cp6dzi6oao. Acesso em: 6 ago. 2020.
  • MEIRELLES, Lucila Carvalho Junqueira. Vídeo Popular – 30 anos depois: Vídeo Arte 2/2. [Entrevista cedida a] Joel Zito Araújo. Rede TVT, São Paulo, nov. 2015. (14min10s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mEezu4libyw. Acesso em: 6 ago. 2020.
  • MEIRELLES, Lucila. Acervo de obras de Lucila Meirelles. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, [s.d.]. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br/acervo/artistas/obras/56892.  Acesso em: 7 ago. 2020.
  • MEIRELLES, Lucila. Lucila Meirelles [Entrevista cedida a] Associação Cultural Videobrasil. São Paulo: Associação Cultural Videobrasil, 2003. Disponível em: http://site.videobrasil.org.br/acervo/artistas/textos/56892. Acesso em: 7 ago. 2020.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUCILA Meirelles. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa14029/lucila-meirelles>. Acesso em: 21 de Abr. 2021. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7