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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Flávio Tambellini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.09.2019
01.10.1927 Brasil / São Paulo / Batatais
24.02.1976 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Flávio Tambellini (Batatais, São Paulo, 1925 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1976). Cineasta, roteirista, produtor e crítico de cinema, é pai do também cineasta Flávio Ramos Tambellini (1952) Trabalha como crítico de cinema nos Diários Associados entre 1951 e 1960. De 1955 a 1960, é membro das Comissões Estadual e Municipal de Cinema de São Pa...

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Biografia

Flávio Tambellini (Batatais, São Paulo, 1925 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1976). Cineasta, roteirista, produtor e crítico de cinema, é pai do também cineasta Flávio Ramos Tambellini (1952) Trabalha como crítico de cinema nos Diários Associados entre 1951 e 1960. De 1955 a 1960, é membro das Comissões Estadual e Municipal de Cinema de São Paulo. Produz e roteiriza Ravina (1959), de Rubem Biáfora (1922-1996), e roteiriza Mulheres e Milhões (1961), de Jorge Ileli (1925-2003).

Em 1961, muda-se para o Rio para administrar o Grupo Executivo de Apoio à Indústria Cinematográfica (Geicine), posição de ocupa até 1966. Dirige e roteiriza O Beijo (1965), adaptação da peça O Beijo no Asfalto de Nelson Rodrigues (1912-1980). De 1966 a 1975, preside Instituto Nacional de Cinema (INC) , quando cria a revista Filme e Cultura. É diretor, produtor e roteirista de Até que o Casamento nos Separe (1968), adaptação da peça Os Pais Abstratos, de Pedro Bloch (1914-2004) e Um Whisky Antes, Um Cigarro Depois… (1970), adaptações de contos de Dalton Trevisan (1925) e Orígenes Lessa (1903-1986). É corroteirista com Rubem Fonseca (1925) de Relatório de um Homem Casado (1974). O filme, prêmio de melhor filme e melhor atriz coadjuvante no Festival de Lages (1975), foi adaptado do conto Relatório de Carlos, do escritor mineiro e A Extorsão (1975), prêmio de melhor roteiro pela Associação Paulista de Críticos de Arte (Apca), e Relatório de um Homem Casado (1975). O filme, prêmio de melhor filme e melhor atriz coadjuvante no Festival de Lages (1975), foi adaptado do conto Relatório de Carlos, do escritor mineiro.

Análise

O cinema narrativo de estilo clássico de Flávio Tambellini tem influência do expressionismo alemão e dos filmes de detetive americanos das décadas de 1940 e 1950. Constitui-se de adaptações de obras de escritores brasileiros contemporâneos, como Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan e Rubem Fonseca. Tais autores têm em comum a exposição intimista das relações humanas em conflitos morais e/ou amorosos. Para abordar a subjetividade das personagens, além de escrever os roteiros, compõe as trilhas sonoras com os maestros Luís Eça (1936-1992) (Um Whisky Antes… e Relatório) e Moacir Santos (1926-2006) (O Beijo).

Segundo o professor Ismail Xavier (1947), a fotografia, o jogo de luz e sombra, e a gestualidade derivadas do cinema mudo alemão em O Beijo acentuam o caráter expressionista da peça de Nelson Rodrigues. Faz “do ambiente uma projeção do lado sinistro da alma”1, procurando levar o drama interior do protagonista Amado Ribeiro para a tela. Em Relatório de Um Homem Casado, fiel ao conto de Rubem Fonseca, a narração se dá sob a ótica do advogado Carlos, expondo seu drama no estilo de um relatório jurídico. A voz em over do protagonista pontua sua perspectiva sobre as personagens, como a “femme fatale”, amante de Carlos, que, em alguns momentos, adquire aspectos vampirescos.

Notas

1 XAVIER, Ismail. O olhar e a cena: melodrama, Hollywood, cinema novo, Nelson Rodrigues. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. p.177.

Obras 1

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Fontes de pesquisa 8

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  • AZEREDO, Ely. Significação do Beijo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 jun. 1965.
  • BIAFORA, Rubem. Relatório de Um Homem Casado. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 12 ago. 1975.
  • DIDONET, H. O Beijo. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 26 out. 1965.
  • FASSONI, Orlando L. A Última lição de Flávio Tambellini. Folha de São Paulo, São Paulo, 6 Mai. 1976.
  • GOMES, Paulo Emilio Salles. Risco de injustiça. Revista Movimento. 8 set. 1975.
  • MIRANDA, Luiz F. A. Dicionário de cineastas. São Paulo: Art Editora, 1990. p. 331/332
  • RAMOS, Luciano. Um relatório jurídico de emoções contidas. Jornal da Tarde, São Paulo, 20 ago. 1975.
  • XAVIER, Ismail. O olhar e a cena: melodrama, Hollywood, cinema novo, Nelson Rodrigues. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

Como citar

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