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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Otávio Augusto

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2021
30.01.1945 Brasil / São Paulo / São Manuel
Reprodução fotográfica Derly Marques

Otávio Augusto (Perdigoto) em cena de O Rei da Vela, 1967
Derly Marques, Otávio Augusto
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Otávio Augusto de Azevedo Souza (São Manuel SP 1945). Ator. Participa de alguns dos mais importantes espetáculos do Teatro Oficina. Seu temperamento encontra terreno especialmente fértil na comédia, graças ao seu senso de humor agudo e singularmente distanciado.

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Biografia

Otávio Augusto de Azevedo Souza (São Manuel SP 1945). Ator. Participa de alguns dos mais importantes espetáculos do Teatro Oficina. Seu temperamento encontra terreno especialmente fértil na comédia, graças ao seu senso de humor agudo e singularmente distanciado.

Inicia sua trajetória em São Paulo, na primeira metade da década de 60, trabalhando em rádio e em dublagem e fazendo teatro amador. Ingressa na profissão participando de uma série de espetáculos importantes, a maioria no Teatro Oficina: Os Inimigos, de Máximo Gorki, com direção de José Celso Martinez Corrêa, 1966; a histórica montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade (1890 - 1954), com participação destacada no papel de Perdigoto, 1967; Poder Negro, de LeRoi Jones, onde, além de ator, é também assistente de direção, em 1968; Galileu Galilei, no mesmo ano, e Na Selva das Cidades, 1969, ambos montagens emblemáticas, com texto de Bertolt Brecht. No Teatro da Esquina, atua em Marat-Sade, de Peter Weiss, sob a direção de Ademar Guerra, 1967.

Encerrada a sua significativa participação no Teatro Oficina, Otávio Augusto inicia sua carreira como ator free lance, interpretando Guildenstern no Hamlet dirigido por Flávio Rangel, 1969. Sob a direção de Antônio Abujamra faz A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, 1970. Integrando o elenco de Os Rapazes da Banda, de Mart Crowley, 1971, depois da temporada paulista do espetáculo, vai para o Rio de Janeiro, onde a sua carreira se concentra a partir de então. Seu primeiro desempenho carioca já é como protagonista, em A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato, de Bráulio Pedroso, com direção de Antônio Pedro, 1972, seguindo-se, no mesmo ano, sua participação em O Interrogatório, de Peter Weiss, dirigido por Celso Nunes. Torna-se um dos poucos atores de primeira linha a encontrar sempre bons papéis para desempenhar, sem no entanto participar empresarialmente das produções.

Entre seus trabalhos significativos podem ser incluídos: o Garçom em Encontro no Bar, de Bráulio Pedroso, Ernesto em Amanhã, Amélia, de Manhã, de Leilah Assumpção, Felipe Marcelo em O Amante de Madame Vidal, de Louis Verneuil, todos em 1973; João Brasílio em Mais Quero Asno que Me Carregue que Cavalo que Me Derrube, texto e direção de Carlos Alberto Soffredini, 1975; Nick Romano em A Noite dos Campeões, de Jason Miller, em 1975; Marcus em Os Filhos de Kennedy, de Robert Patrick, em 1976; Max Overseas em A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, em 1978; Doutor em Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal, 1979; Tyrone Jr. em Longa Jornada Noite Adentro, Eugene O'Neill, 1980; Jorge Tessman em Hedda Gabler, de Henrik Ibsen, 1982; Inspetor Truscott em O Olho Azul da Falecida, de Joe Orton, 1983; Lúcio em Lua Nua, de Leilah Assumpção, 1988; e uma consagradora composição de cinco papéis diferentes em Suburbano Coração, de Naum Alves de Souza e Chico Buarque, em 1989, pela qual recebe o Prêmio Shell de melhor ator. Realiza também, embora sem maior repercussão, algumas experiências de direção, entre as quais a de Fala Baixo Senão Eu Grito, de Leilah Assumpção, 1988.

Uma atividade paralela de especial importância na carreira de Otávio Augusto é a de líder sindical. Realiza uma gestão profícua e combativa como presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos do Rio de Janeiro, de 1975 a 1978 e 1985 a 1988, trabalho pelo qual é distinguido com o Prêmio Estácio de Sá. Terminadas as gestões, continua participando da Diretoria do Sindicato.

Nos anos 90 sua atividade se concentra mais no cinema e na televisão. Ator extremamente ativo com mais de 50 trabalhos entre telenovelas e filmes, um balanço talvez sem igual entre os atores da sua geração. Nos palcos, atua em Querido Mundo, de Maria Carmem Barbosa e Miguel Falabella, direção Miguel Falabella, 1993, que lhe vale prêmio do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos do Rio de Janeiro, Sated, e A Dama do Serrado, de Mauro Rasi, 1996. Em 2000, está ao lado de Paulo José e Matheus Nachtergaele, em A Controvérsia, de Jean-Claude Carrière, com direção de Paulo José e, em 2003, atua em O Dia do Redentor, de Bosco Brasil, com direção de Ariela Goldman.

Analisando a trajetória de Otávio Augusto, o crítico carioca Yan Michalski declara: "Na fase inicial da sua carreira, Otávio Augusto brilhava particularmente em papéis marcados por um humor popular, de tintas fortes. Foi afinando e ampliando o seu instrumental, até tornar-se um ator excepcionalmente versátil, dotado de uma notável facilidade de composição e precisão de expressão corporal e facial, além de uma real vocação para o teatro musicado".1

Nota

1 MICHALSKI, Yan. Otávio Augusto. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Obras 1

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Espetáculos 36

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Fontes de pesquisa 15

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Otávio Augusto (ficha curricular). In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • GALILEU Galilei. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1968]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • MICHALSKI, Yan. Otávio Augusto. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • NA SELVA das Cidades. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1969]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • O REI da Vela. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1967]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • OS INIMIGOS. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1966]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Brasileiro de Comédia. Não catalogado
  • PEIXOTO, Fernando (Org.). Teatro Oficina. Dionysos, Rio de Janeiro, n. 26, jan. 1982. Edição especial.
  • PEQUENOS Burgueses. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1963]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • PODER Negro. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1968]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Boca Molhada de Paixão Calada - 1984. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Marat Sade - 1967. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Rapazes da Banda - 1970. Não catalogado
  • Pô Romeu. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • RAMOS, Fernão Pessoa; MIRANDA, Luiz Felipe (Orgs). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. R791.430981 E56

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