Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Caetano Veloso

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 26.08.2021
07.08.1942 Brasil / Bahia / Santo Amaro

Caetano Veloso, 1997
Chico Caruso, Caetano Veloso
Litografia, c.i.d.
22,50 cm x 31,50 cm

Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 1942). Cantor, compositor, produtor, escritor. Passa a infância em sua cidade natal e, em 1960, muda-se para Salvador, onde aprende a tocar violão. Entre 1960 e 1962, assina críticas de cinema para o Diário de Notícias e faz apresentações musicais com a irmã, Maria Bethânia (...

Texto

Abrir módulo

Biografia
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso (Santo Amaro da Purificação, Bahia, 1942). Cantor, compositor, produtor, escritor. Passa a infância em sua cidade natal e, em 1960, muda-se para Salvador, onde aprende a tocar violão. Entre 1960 e 1962, assina críticas de cinema para o Diário de Notícias e faz apresentações musicais com a irmã, Maria Bethânia (1946), em bares da cidade. No ano seguinte, estreia no teatro com a trilha sonora para a peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues (1912-1980), em montagem do diretor baiano Álvaro Guimarães. Em seguida, com montagem do mesmo diretor, compõe outra trilha para A Exceção e a Regra, do alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Em 1965, acompanha Maria Bethânia ao Rio de Janeiro, chamada para substituir a cantora Nara Leão (1942-1989) no show Opinião. O sucesso da irmã impulsiona a gravação de seu primeiro disco compacto.

O primeiro LP, Domingo (1967), sai em parceria com Gal Costa (1945). No mesmo ano, Caetano provoca polêmica no 3o Festival da Música Popular Brasileira da TV Record ao interpretar a marcha “Alegria, Alegria”, acompanhado pelas guitarras elétricas do conjunto argentino Beat Boys. Essa apresentação é um marco do movimento tropicalista, que ele promove na música brasileira ao lado de nomes como Gilberto Gil (1942), Gal Costa, Tom Zé (1936), Torquato Neto (1944-1972), do maestro Rogério Duprat (1932-2006) e do conjunto Os Mutantes. No ano seguinte, esses parceiros o acompanham no 3o Festival Internacional da Canção da TV Globo, quando defende a música “É Proibido Proibir”. Debaixo de vaias, Caetano faz um discurso contra o conformismo estético da juventude de seu tempo, o que se torna um verdadeiro manifesto. Em 1968, participa do disco manifesto do movimento tropicalista, Tropicália ou Panis et Circensis.

No mesmo ano, é preso sob a acusação de desrespeito ao hino e à bandeira nacionais. Depois dois meses no cárcere, vai a Salvador, onde grava o segundo disco homônimo. Em meados de 1969, parte em exílio para Londres. Lá, em 1970, registra mais um álbum homônimo e compõe o LP Transa, lançado em sua volta definitiva ao Brasil no início de 1972. A atividade artística de Caetano é intensa no decorrer dos anos 1970. Seu trabalho mais representativo nesse período é Araçá Azul (1973), um disco mais vanguardista.

Nos anos de 1980, dirige o longa-metragem experimental Cinema Falado (1986). Em 1992, sai Circuladô, que se desdobra no álbum duplo Circuladô Vivo: ao Vivo. Em 1993, Caetano e Gilberto Gil comemoram 25 anos do tropicalismo com novas composições no disco Tropicália 2. A atuação como intérprete ganha exclusividade em Fina estampa (1994), com repertório em castelhano. Em 1997, publica o livro autobiográfico Verdade Tropical. Dois anos mais tarde, experimenta seu maior êxito comercial com o disco ao vivo Prenda Minha, graças ao sucesso de “Sozinho”, composição de Peninha (1953), alcançada em novela da Rede Globo.

Mantendo-se conectado com os rumos da música brasileira, inicia o milênio com o disco Noites do Norte (2001). Três anos depois, interpreta músicas do cancioneiro americano em A Foreign Sound. A trilogia composta pelos álbuns (2006), Zii e Zie (2009) e Abraçaço (2012), traz uma roupagem de rock eletrônico. Em 2011, produz e compõe todas as canções de Recanto, de Gal Costa.

Análise
Caetano Veloso é um dos artistas brasileiros mais controversos e influentes. Tem atuação intensa no meio musical como ideólogo, compositor, intérprete e performer desde meados dos anos 1960. É agitador e debatedor cultural por excelência, sofisticado artesão de canções e artista de presença marcante no palco. Outra característica de seu trabalho é empreender releituras provocativas e afetivas de gêneros musicais brasileiros tradicionais, adicionando-lhes informações de outros contextos.

Acompanhado de músicos como Gilberto Gil e Tom Zé, das cantoras Gal Costa e Nara Leão, dos arranjadores Rogério Duprat e Julio Medaglia (1938), dos poetas Torquato Neto e Capinan (1941) e do conjunto de rock Os Mutantes, Caetano causa impacto no cenário musical do país. Retoma o programa modernista antropofágico de Oswald de Andrade (1890-1954) e atualiza-o, em 1968, lançando o disco manifesto Tropicália ou Panis et Circenses. Mais democrático do que o preconizado por Oswald, o projeto procura superar as ideologias das chamadas “tradições nacionais puras”. Adiciona aos diversos estilos da música brasileira1, sem o receio de descaracterizá-los, signos provenientes de dicções estrangeiras e novidades do momento no Brasil e no mundo, veiculadas pelos meios de comunicação de massa e circuitos de vanguarda. O movimento tem duração curta, pouco mais de um ano, mas sua influência estende-se até os dias de hoje. É percebida nos trabalhos de Caetano e de diversos artistas sob uma atitude que elimina as barreiras da criação artística, ao propor sincretismos do tipo “rural” e “urbano”, “nacional” e “estrangeiro”, “autêntico” e “enlatado”, “engajado” e “desbundado”, “popular” e “erudito”, “mau gosto” e “bom gosto”.

Em seus trabalhos tropicalistas propriamente ditos – o disco coletivo Tropicália ou Panis et Circenses e o primeiro LP solo, Caetano Veloso –, Caetano busca captar a complexa realidade de seu tempo em seus contrastes e nuanças. Opta por fundir polaridades do erudito ao pastiche e à paródia. Em forma de colagem poética, os refrãos evocam elementos díspares da cultura brasileira – exóticos, sofisticados, cosmopolitas e grotescos – em roupagem carnavalesca. Enquanto o arranjo de Júlio Medaglia justapõe ritmos nacionais com orquestração sinfônica, o eu-lírico explora os contrastes do país. Em uma das estrofes, por exemplo, ele homenageia uma de nossas manifestações artísticas bem-acabada e moderna, a bossa nova – enaltecida em todo o mundo –, para, em seguida, “louvar” um de nossos elementos mais pitorescos e arcaicos – as palhoças, habitações pobres do interior: “Viva a bossa, sa, sa/ viva a palhoça, ça, ça, ça, ça”. Diversas canções destes discos apresentam fragmentos sobrepostos do imaginário brasileiro, com a arte de vanguarda e signos da cultura pop. “Bat macumba”, composta em parceria com Gilberto Gil, envereda pela poesia concretista dos irmãos Haroldo (1929-2003) e Augusto de Campos (1931) e alude tanto à batida dos ritos de religiões afro-brasileiras quanto ao famoso super-herói norte-americano Batman. Em “Alegria, Alegria”, a ebulição política dos anos 1960 surge entrelaçada com signos eróticos do circuito pop:

Em caras de presidente
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot.

A aparente banalidade que alguns trechos das letras deixam entrever está a serviço de uma subjetividade jovem, que busca fruir, sem complexos, o cotidiano de seu tempo. Exemplos disso são: “Você precisa tomar um sorvete/ Na lanchonete [...] /Ouvir aquela canção do Roberto”, de “Baby”, ou “Eu tomo uma coca-cola/ Ela pensa em casamento/ E uma canção me consola”, de “Alegria, Alegria”.

Em quase cinco décadas, Caetano Veloso é uma das personalidades mais marcantes da música brasileira. Transita por diversos gêneros musicais e temáticas, materializando o espírito tropicalista em trabalhos multifacetados que permitem a fruição em diversos níveis. Realoca informações de diferentes registros sob uma referencialidade particular em suas canções com uma voz inconfundível. Entre as composições, podemos destacar: “Atrás do Trio Elétrico”, “London, London”, “O Leãozinho”, “Terra”, “Sampa”, “Força Estranha”, “Lua de São Jorge”, “Beleza Pura”, “Cajuína”, “Outras palavras”, “Queixa”, “Você é Linda”, “O Quereres”, “Vaca Profana”, “Circuladô” de “Fulô”. As recriações de Caetano abrangem o trabalho de artistas variados – desde brasileiros díspares como Noel Rosa (1910-1937), Vicente Celestino (1894-1968), Luiz Gonzaga (1912-1989) e Cazuza (1958-1990), a standards do jazz, do rock anglo-americano dos Beatles ao Nirvana, passando pelo pop de Michael Jackson(1958-2009), por boleros, rumbas e guarânias como os de Fina Estampa

Nota
1 Alguns deles resgatados pelos tropicalistas de um ostracismo de quase uma década, como o samba-canção.

 

Obras 6

Abrir módulo
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Caetano Veloso

Cliclete sobre mdf

Espetáculos 21

Abrir módulo

Espetáculos de dança 1

Abrir módulo

Exposições 6

Abrir módulo

Mostras audiovisuais 1

Abrir módulo

Shows musicais 9

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 16

Abrir módulo
  • A Descoberta do Luxo, do Som e do Lixo. Palco e Platéia, São Paulo, ano III, no. 14, p. 6, março de 1972. Não catalogado
  • ARENA conta Tiradentes. São Paulo: Teatro de Arena, 1967. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arena. Não catalogado
  • CAETANO Veloso. In: CALADO, Carlos. Tropicalismo. Cliquemusic. Disponível em: < http://cliquemusic.uol.com.br/generos/ver/tropicalismo >. Acesso em: 27 ago. 2012.
  • CAETANO Veloso. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Cultural Cravo Albin. Disponível em: < http://www.dicionariompb.com.br/caetano-veloso/dados-artisticos>. Acesso em: 20 ago. 2012.
  • CAETANO Veloso. In: e-biografias-biografia de Caetano Veloso. Disponível em: < http://www.e-biografias.net/caetano_veloso/ >. Acesso em: 22 ago. 2012.
  • COELHO. Frederico. Eu brasileiro confesso minha culpa e meu pecado: cultura marginal no Brasil das décadas de 1960 e 1970. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos / shows: O Percevejo (Klop) - 1981; Alta Vigilância - 1987; Circulandô - 1994;Fina Estampa - 1995; Livro Vivo - 1998; A Foreign Sound - 2004; Milton e Caetano - 2005; Cê - 2006; Zii e Zie - 2009. Não catalogado
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • FAVARETTO, Celso F. Nos rastros da tropicália. In: Arte em Revista, nº 7, p. 31-37, ago. 1973.
  • NAVES, Santuza Cambraia. Da bossa nova à tropicália. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001.
  • NAVES, Santuza Cambraia. Objeto não identificado: a trajetória de Caetano Veloso. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 1988.
  • NAVES, Santuza Cambraia. Velô de Caetano Veloso. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009.
  • O REI da Vela. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1967]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • RIBEIRO, Julio Naves. Lugar nenhum ou Bora Bora?: narrativas do rock brasileiros anos 80. São Paulo: Annablume, 2009.
  • VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. Companhia das Letras, 1997.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: