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Gal Costa

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 03.02.2021
26.09.1945
Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Gal Costa, 1970

Maria da Graça Costa Penna Burgos (Salvador, Bahia, 1945). Cantora e atriz. Intérprete de voz potente, Gal Costa reinventa diversas canções de importantes cantores brasileiros e tem papel determinante no tropicalismo e na MPB. 

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Maria da Graça Costa Penna Burgos (Salvador, Bahia, 1945). Cantora e atriz. Intérprete de voz potente, Gal Costa reinventa diversas canções de importantes cantores brasileiros e tem papel determinante no tropicalismo e na MPB. 

Na adolescência, canta, toca violão em festas escolares e trabalha em uma loja de discos, onde conhece a bossa nova de João Gilberto (1931-2019). Em 1964, apresenta-se ao lado dos cantores Caetano Veloso (1942), Gilberto Gil (1942), Tom Zé (1936) e Maria Bethânia (1946) em Nós, Por Exemplo, show de inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador. É convidada por Bethânia para participar da faixa "Sol Negro". Em 1965, o grupo viaja a São Paulo e apresenta os espetáculos Arena Canta Bahia e Em Tempo de Guerra, ambos dirigidos por Augusto Boal (1931-2009). No mesmo ano, ainda como Maria da Graça, grava um compacto com as faixas "Eu Vim da Bahia" e "Sim, Foi Você". 

No início da carreira, mostra que sua voz se acomoda a diversos gêneros musicais. Em Domingo (1967), álbum realizado em parceria com Caetano, revela-se discípula fiel de João Gilberto. O canto contido de Gal, presente em faixas como "Coração Vagabundo", é resultado da influência direta do músico, com quem “reaprende” a cantar, ao estudar emissão vocal enquanto ouve as canções dele. No ano seguinte, grava duas músicas do álbum Tropicália ou Panis et Circencis, de Caetano.

A capacidade de se reinventar é uma característica marcante da cantora: sua carreira é pontuada por rupturas. A primeira delas acontece em 1968: com colar de espelhos, penteado black power e o canto agudo e provocador, Gal defende a canção "Divino Maravilhoso" no 4º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record e fica em terceiro lugar. Em 1969, lança dois álbuns, Gal Costa e Gal, com canções de Roberto Carlos (1941) e Erasmo Carlos (1941), ícones da jovem guarda. Na voz da cantora, as composições de apelo pop ganham interpretação enérgica.

Ao longo do exílio de Caetano e Gil, imposto pela ditadura militar, Gal torna-se representante do tropicalismo. Em 1970, a cantora viaja a Londres para visitar os dois músicos e, de volta ao Brasil, lança LeGal. Com capa assinada pelo artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980), o álbum conta com faixas compostas por Caetano, como "London, London", canção que reflete sobre o exílio.

O disco ao vivo Fa-tal – Gal a Todo Vapor (1971) traz músicas de Luiz Melodia (1951-2017), Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Esse show, dirigido por Waly Salomão (1943-2003), transforma-se em símbolo do período. A primeira parte é acústica, valoriza o canto e traz composições de sambistas tradicionais, como Ismael Silva (1905-1978) e Geraldo Pereira (1918-1955). Na segunda parte, elétrica (com guitarra, baixo, bateria e sonoridade influenciada pelo rock), os gritos de Gal evocam a revolta com o cenário político da época. O repertório inclui nomes emergentes na cena musical, como Novos Baianos e Jards Macalé (1943). Os álbuns gravados entre 1969 e 1971 enfatizam a versatilidade vocal e mostram a facilidade de Gal em ir do canto contido, característico da bossa nova, à estridência do rock, influenciada pela cantora americana Janis Joplin (1943-1970), e do tropicalismo, ampliando o campo de significação da obra.

Também destacando a revolta política, a capa do álbum Índia (1973) traz um close da virilha da cantora, vestida com um biquíni e, na contracapa, ela aparece de seios nus. O LP é vendido nas lojas dentro de um plástico escuro por causa da censura. Com o disco Cantar (1974), produzido por Caetano e com arranjos de João Donato (1934), Gal se reaproxima da MPB e muda a postura vocal, amenizando a agressividade e priorizando a voz límpida, um retorno à referência de João Gilberto. 

Em 1975, Gal, Gil, Caetano e Bethânia se reúnem para o espetáculo Os Doces Bárbaros, que dá origem ao disco homônimo. No mesmo ano, interpreta "Modinha para Gabriela", do compositor Dorival Caymmi (1914-2008) e tema de abertura da adaptação do romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado (1912-2001). Menos experimentais, Gal Canta Caymmi (1975) e os dois álbuns seguintes, Caras e Bocas (1977) e Água Viva (1978), são sucessos de público. 

No disco Gal Tropical (1979), a voz da cantora é entoada por timbre claro, definido e tessitura aguda. Em 1980, revisita a obra do compositor Ary Barroso (1903-1964) com o álbum Aquarela do Brasil. Com Fantasia (1981), alcança sucesso nas rádios com a faixa "Festa no Interior", de Moraes Moreira (1947- 2020) e Abel Silva (1945). 

Em 1988, recebe o Prêmio Sharp de melhor cantora. Na década de 1990, retoma a parceria com Salomão no disco Plural (1990), e em 1993, lança O Sorriso do Gato de Alice, com show dirigido por Gerald Thomas (1954). Homenageia o trabalho de Caetano e Chico Buarque (1944) com Mina D’água do Meu Canto (1995), e o de Tom Jobim (1927-1994), em disco lançado em 1999.

No álbum Recanto (2011), Gal se reinventa novamente. Composto e produzido por Caetano, o repertório dialoga com a música eletrônica e o funk carioca. A faixa "Neguinho", composta por Zeca Veloso (1992) e impulsionada por timbres digitais, é o oposto de tudo o que Gal faz nas décadas anteriores. A turnê do disco mostra ao público uma sutil transformação de timbre, que mantém os agudos do início da carreira e ganha um grave até então desconhecido em sua voz.

Gal Costa é considerada uma das principais referências vocais femininas de sua geração e influência para cantoras posteriores. Com postura irreverente e desafiadora, sua trajetória é marcada por reinvenções, rupturas e a particular junção do grito do rock ao canto popular.

Obras 2

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Espetáculos 3

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Shows musicais 3

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