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Othon Bastos

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.09.2021
23.05.1933 Brasil / Bahia / Tucano
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Fogo Morto [cartaz], 1976
Desenho
61,00 cm x 90,00 cm

Othon José de Almeida Bastos (Tucano BA 1933). Ator. Othon Bastos é intérprete da geração do teatro de resistência, tendo fundado sua própria companhia nos anos 1970, produzindo espetáculos representativos do período, tais como Um Grito Parado no Ar, Ponto de Partida e Murro em Ponta de Faca.

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Biografia

Othon José de Almeida Bastos (Tucano BA 1933). Ator. Othon Bastos é intérprete da geração do teatro de resistência, tendo fundado sua própria companhia nos anos 1970, produzindo espetáculos representativos do período, tais como Um Grito Parado no Ar, Ponto de Partida e Murro em Ponta de Faca.

Inicia fazendo teatro estudantil na Bahia, sendo levado ao Rio de Janeiro, por intermédio de Paschoal Carlos Magno, para integrar o Teatro Duse, uma escola de teatro, onde se inicia nos desempenhos de Terra Queimada, de Aristóteles Soares, 1951; Lampião, de Rachel de Queiroz; e A Noiva do Véu Negro, de Leone Vasconcellos, ambos de 1954; e Phaedra, de Jean Racine, 1955.

Integra teleteatros na TV Tupi, ao lado de Sergio Britto, transferindo-se logo após para São Paulo. O primeiro retorno à Bahia dá-se em 1956, para dirigir na recém-fundada Escola de Teatro, iniciativa do reitor Edgar Santos e comandada por Martim Gonçalves. Nomes como Lina Bo Bardi, Hans Joachim Koellreutter, Walter Smetak, Pierre Verger e Yanka Rudzka somam-se para dar um choque intelectual e de modernidade à vida cultural baiana. Segue para estudar teatro na Weber Douglas School, Londres. Ao voltar faz, na Escola de Teatro, entre outros espetáculos, As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, 1958; Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, ao lado de Maria Fernanda, e Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, ambos em 1959.

Em 1960, Othon sai da Escola para fundar, associado a João Augusto de Azevedo, a Companhia Teatro dos Novos, empenhando-se na construção do Teatro Vila Velha. O grupo, através de subvenções da prefeitura, apresenta peças em praças públicas, após festividades religiosas ou cívicas, e através de leilões de obras de arte angaria fundos para erguer o Teatro. Conhece, na ocasião, a atriz Martha Overbeck, com quem se casa.

Em 1962, tem sua primeira experiência cinematográfica: Sol Sobre a Lama, filme de Alex Vianni. Num pequeno e marcante papel, integra ainda o filme O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, no mesmo ano. A consagração, porém, vem com a personagem Corisco, no lendário Deus e o Diabo na Terra do Sol, filme épico de Glauber Rocha transformado em emblema do cinema novo. A sólida experiência teatral de Othon é decisiva para a criação da personagem.

Entre 1964, ano da inauguração do Vila Velha, e 1968, quando ele e Martha Overbeck se deslocam para o Rio de Janeiro, apresenta uma série de peças de grande significação no repertório do teatro. Ambos integram o Teatro Oficina, no elenco de Galileu Galilei, de Bertolt Brecht, 1968. No ano seguinte, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa, Othon desempenha Schilink, o malaio que compra a opinião de Garga, na exuberante encenação de Na Selva das Cidades, jovem Brecht. Seu desempenho é saudado como impressionante e perfeito, valendo uma premiação. Ainda em 1969 participa do filme de Glauber Rocha O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e, em 1970, de Os Deuses e os Mortos, de Ruy Guerra, ao lado de Ítala Nandi.

A partir de 1970 cria, com Martha Overbeck, a Othon Bastos Produções Artísticas, grupo que ao longo dos anos 1970 se empenha em aguerrida defesa da liberdade de expressão, levando um repertório de resistência: Castro Alves Pede Passagem, direção de Gianfrancesco Guarnieri, 1971; é premiado como melhor ator pelo Molière e Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT), por Um Grito Parado no Ar, encenação de Fernando Peixoto, 1973; com o mesmo diretor está em Ponto de Partida, 1976, todos textos de Guarnieri. Em 1974, encenam Caminho de Volta, de Consuelo de Castro. Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal, numa direção de Paulo José, é a produção de 1978. Em 1980, ele e Martha Overbeck associam-se a Renato Borghi, para empreender o por muito tempo censurado Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra. Está em Dueto para um Só, de Tom Kempinski, com o diretor Antônio Mercado, em 1984.

Para o cinema, Othon deixa registrada sua participação em filmes de grande densidade, como São Bernardo, 1972; O Predileto, 1975 ; Fogo Morto, 1976 ; Chico Rei, 1986; O que É Isso, Companheiro?; e A Grande Noitada, 1977; Mauá - O Imperador e o Rei e Central do Brasil, 1998; A 3ª Morte de Joaquim Bolívar e Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, 1999; Condenado à Liberdade e Bicho de 7 Cabeças, 2000.

Analisando a longa trajetória do ator, homenageado pela vida artística, o crítico baiano Carlos Alberto Matos destaca: "Desde que rodopiou no chão pedregoso de Cocorobó como o memorável cangaceiro Corisco, em Deus e o Diabo na Terra do Sol, a autoridade cênica do baiano Othon tomou de assalto a dramaturgia brasileira. Criou a partir dali um padrão de domínio e precisão que torna suas performances inesquecíveis, mesmo quando a lembrança do filme em si não ultrapassa a primeira noite de sono.[...] Othon é o tipo de ator que não depende de sua imagem visual para ser reconhecido. A voz, uma das mais célebres do país, já é suficiente para identificá-lo mesmo no escuro".1

Nota

1 MATOS, Carlos Alberto. Othon Bastos: mais fortes são os poderes do ator brasileiro. In: JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA, 27., 2000, Salvador. Saudação proferida.

Obras 3

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Espetáculos 57

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Fontes de pesquisa 16

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Othon Bastos. In: ______. Enciclopédia do teatro brasileiro contemporâneo. São Paulo, 2000. Material elaborado em projeto de pesquisa para a Fundação Vitae.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. R792.0981 A636t 1994
  • CALABAR, o Elogio da Traição. São Paulo: Theatro São Pedro, 1980. 1 programa do espetáculo realizado no Theatro São Pedro. Não catalogado
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: Mortos Sem Sepultura - 1977. Não catalogado
  • FRANCO, Aninha. O teatro na Bahia através da imprensa, século XX. Salvador: FCJA, 1994.
  • GALILEU Galilei. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1968]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • KHOURY, Simon. Atrás da máscara. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984. 2 v.
  • NA SELVA das Cidades. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1969]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • O REI da Vela. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1967]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • PEQUENOS Burgueses. São Paulo: Teatro Oficina Uzyna Uzona, [1963]. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Oficina.
  • PONTO de Partida. São Paulo: Teatro de Arte Israelita Brasileiro, 1976. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro de Arte Israelita Brasileiro. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Boca Molhada de Paixão Calada - 1984. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Caminho de Volta - 1974. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Grande Amor de Nossas Vidas - 1978. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Pequenos Assassinatos - 1972. Não catalogado
  • À Margem da Vida. São Paulo: s.l., 1976. 1 programa de espetáculo. Não catalogado

Como citar

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