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Teatro

Paulo José

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 30.06.2021
20.03.1937 Brasil / Rio Grande do Sul / Lavras do Sul
Paulo José Gómez de Souza (Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, 1937). Ator e diretor. Atuante no teatro nos anos 1960 e 1970, integrante do primeiro time dos grupos ideológicos, Paulo José ganha espaço no cinema e na televisão, tornando-se um intérprete e diretor múltiplo, realizando trajetórias ímpares em todas essas áreas artísticas.

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Paulo José Gómez de Souza (Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, 1937). Ator e diretor. Atuante no teatro nos anos 1960 e 1970, integrante do primeiro time dos grupos ideológicos, Paulo José ganha espaço no cinema e na televisão, tornando-se um intérprete e diretor múltiplo, realizando trajetórias ímpares em todas essas áreas artísticas.

Inicia seu percurso teatral fazendo, de 1955 a 1961, teatro amador em Porto Alegre. Integra, em alguns trabalhos, os elencos de importantes grupos locais, Teatro Universitário do Rio Grande do Sul e Teatro de Equipe, do qual foi um dos fundadores. Ali também, em 1958, estréia como diretor, assinando, em parceria com Mário de Almeida, Rondó 58, espetáculo de poemas dramatizados. Exerce, ainda, as funções de cenógrafo, iluminador, contra-regra, assistente de direção, maquiador, maquinista; e participa do Teatro de Fantoches de Porto Alegre. Mudando-se para São Paulo, ingressa em 1961 no Teatro de Arena, onde atua em espetáculos importantes, como O Testamento do Cangaceiro, de Chico de Assis (1933-2015), com direção de Augusto Boal (1931-2009), e Revolução na América do Sul, de Boal, dirigido por José Renato, ambos de 1961; Os Fuzis da Senhora Carrar, de Bertolt Brecht, 1962; A Mandrágora, de Maquiavel, 1963, espetáculo no qual ganha os prêmios Molière e Padre Ventura de melhor figurinista; Tartufo, de Molière, 1964. Dirige as remontagens cariocas de Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, 1963, e Arena Conta Zumbi, de Guarnieri, Augusto Boal e Edu Lobo, 1965; e assina a sua primeira direção original no Arena, com O Filho do Cão, também de Guarnieri, 1964. Em todos esses espetáculos está também presente como ator. Em 1966/1967 dirige e coordena as atividades de um importante grupo universitário, o Teatro dos Universitários de São Paulo, TUSP.

Encerrada a sua participação no Arena, passa a atuar autonomamente, dirigindo as criações originais de Dorotéia Vai à Guerra, de Carlos Alberto Ratton, 1972, e Reveillon, de Flávio Márcio, 1975, que lhe vale o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. No mesmo ano, está presente em A Mandrágora, de Maquiavel, como ator e diretor. Seguem outras encenações: Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, para a companhia de Tereza Raquel, 1976; É..., de Millôr Fernandes, um extraordinário sucesso de público, 1977, e a remontagem em 1979; Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello, 1977, na qual dirige sua mulher Dina Sfat; Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal, 1978; Transaminases, de Carlos Vereza, e Em Família, de Domingos Oliveira, 1980.

Afasta-se do teatro por alguns anos, para trabalhar mais intensamente no cinema e na televisão. No cinema, recebe vários prêmios como ator, entre eles, o Troféu Candango, do Festival de Brasília, pelos desempenhos nos filmes Todas as Mulheres do Mundo, 1966; Edu, Coração de Ouro, 1967; e O Rei da Noite, 1976. Destaca-se também pela atuação em Macunaíma; A Difícil Viagem; Faca de Dois Gumes (Prêmio Air France, 1990); e Policarpo Quaresma (Prêmio Estação Botafogo, 1999).

Volta ao teatro em 1985, como intérprete de A Fonte da Eterna Juventude, de Thiago Santiago. Seus dois desempenhos mais destacados no período são Eu Te Amo, texto e direção de Arnaldo Jabor, 1987, e Delicadas Torturas, de Harry Kondoleon, 1988, que lhe vale o Prêmio Molière de melhor ator. Em 1991, está em O Tiro Que Mudou a História, de Aderbal Freire-Filho. Em 2000, divide o palco com Matheus Nachtergaele, em A Controvérsia, de Jean- Claude Carrière, se desdobrando também na direção do espetáculo.

Em sua apreciação sobre a carreira de Paulo José, o crítico Yan Michalski, depois de considerar que ele se destaca mais no cinema e na televisão, embora seu campo preferido seja o teatro, avalia: "Como diretor, seu trabalho caracteriza-se antes de mais nada por uma extrema solidez artesanal, noção de equilíbrio e inteligência na escolha do repertório. Como ator, durante muito tempo deveu parte do seu sucesso pessoal à jovialidade, ao encanto e à simpatia da sua presença em cena. Sua volta ao palco, a partir de 1985, revelou um ator notavelmente amadurecido, perfeccionista, humano, inteligente e claro na transmissão das menores intenções dos respectivos personagens".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Paulo José. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Exposições 2

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Eventos relacionados 74

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Fontes de pesquisa 18

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Paulo José (ficha curricular). In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • DIONISOS - Teatro de Arena. Rio de Janeiro: MEC-SNT , nº 24, out. 1978.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: A Mandrágora - 1975; Antônio e Cleópatra - 2006. Não catalogado
  • JOSÉ, Paulo. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • MICHALSKI, Yan. Paulo José. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta, 1982.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - A Vida Impressa em Dolar - 1961. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Inspetor Geral - 1966. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Noviço - 1963. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Um Homem é um Homem - 2006 SP. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - É... - 1977. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo -A Mandrágora - 1968. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo -Dois Perdidos Numa Noite Suja - 1968. Não catalogado
  • TEATRO IPANEMA. O Beijo da Mulher Aranha: 1981, Rio de Janeiro, RJ, [1981]. Programa do Espetáculo. Não catalogado

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