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Teatro

Paulo José

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 12.08.2021
20.03.1937 Brasil / Rio Grande do Sul / Lavras do Sul
11.08.2021 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Paulo José Gómez de Souza (Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, 1937 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Ator, diretor, produtor e roteirista. Atuante no teatro nos anos 1960 e 1970 e integrante do primeiro time dos grupos ideológicos, Paulo José ganha espaço no cinema e na televisão, tornando-se um intérprete e diretor múltiplo, realizando tr...

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Paulo José Gómez de Souza (Lavras do Sul, Rio Grande do Sul, 1937 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021). Ator, diretor, produtor e roteirista. Atuante no teatro nos anos 1960 e 1970 e integrante do primeiro time dos grupos ideológicos, Paulo José ganha espaço no cinema e na televisão, tornando-se um intérprete e diretor múltiplo, realizando trajetórias ímpares em todas essas áreas artísticas.

Inicia seu percurso fazendo teatro amador em Porto Alegre, de 1955 a 1961. Integra, em alguns trabalhos, os elencos de importantes grupos locais, como o Teatro Universitário do Rio Grande do Sul e o Teatro de Equipe, do qual é um dos fundadores. Ali também estreia como diretor em 1958, assinando, em parceria com Mário de Almeida, Rondó 58, espetáculo de poemas dramatizados. Exerce ainda as funções de cenógrafo, iluminador, contrarregra, assistente de direção, maquiador e maquinista e participa do Teatro de Fantoches de Porto Alegre. 

Muda-se para São Paulo e ingressa em 1961 no Teatro de Arena, onde atua em espetáculos como O Testamento do Cangaceiro, de Chico de Assis (1933-2015), com direção de Augusto Boal (1931-2009), e Revolução na América do Sul, de Boal, dirigido por José Renato (1926-2011), ambos de 1961. No Arena atua ainda em Os Fuzis da Senhora Carrar (1962), do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), A Mandrágora (1963), de Maquiavel, espetáculo com o qual ganha os prêmios Molière e Padre Ventura de melhor figurinista, e Tartufo (1964), do dramaturgo francês Molière (1622-1673). 

Dirige as remontagens cariocas de Eles Não Usam Black-Tie (1963), de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), e Arena Conta Zumbi (1965), de Guarnieri, Boal e Edu Lobo (1943). Assina em 1964 sua primeira direção original no Arena, com O Filho do Cão, também de Guarnieri. Em todos esses espetáculos participa também como ator. Em 1966/1967 dirige e coordena as atividades do Teatro dos Universitários de São Paulo (Tusp).

No cinema, recebe vários prêmios como ator, entre eles, o Troféu Candango, do Festival de Brasília pelos desempenhos nos filmes Todas as Mulheres do Mundo (1966) e Edu, Coração de Ouro (1967). Atua ainda no cinema em Macunaíma (1969), dirigido por Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988).
Encerrada sua participação no Arena, passa a atuar de forma autônoma, dirigindo as criações originais de Dorotéia Vai à Guerra (1972), de Carlos Alberto Ratton (1943-2019), e Reveillon (1975), de Flávio Márcio (1945-1979), que lhe vale o Prêmio Governador do Estado de São Paulo. No mesmo ano, está presente em nova montagem de A Mandrágora, como ator e diretor. 

Dirige ainda as encenações Gata em Telhado de Zinco Quente (1976), de Tennessee Williams (1911-1983), para a companhia de Tereza Raquel (1934-2016); e É..., de Millôr Fernandes (1923-2012), um extraordinário sucesso de público, em 1977 e a remontagem em 1979. 

Na peça Seis Personagens à Procura de um Autor (1977), de Luigi Pirandello, dirige a atriz e então esposa Dina Sfat (1938-1989). É diretor também de Murro em Ponta de Faca (1978), de Boal, e Transaminases (1980), de Carlos Vereza (1939).

Volta ao teatro em 1985 como intérprete de A Fonte da Eterna Juventude, de Thiago Santiago. Seus dois desempenhos mais destacados no período são Eu Te Amo, de 1987, com texto e direção de Arnaldo Jabor (1940), e Delicadas Torturas (1988), de Harry Kondoleon (1955-1994), que lhe vale o Prêmio Molière de melhor ator. 

Em 1991, atua na peça O Tiro Que Mudou a História, de Aderbal Freire-Filho (1941). Destaca-se pela atuação no cinema em Faca de Dois Gumes (1989) e Policarpo Quaresma (1996), que lhe rende o Prêmio Estação Botafogo, em 1999.

Em 2000, divide o palco com Matheus Nachtergaele (1949) em A Controvérsia, de autoria do francês Jean-Claude Carrière (1931), desdobrando-se também na direção do espetáculo.

Em sua apreciação sobre a carreira de Paulo José, o crítico Yan Michalski, depois de considerar que ele se destaca mais no cinema e na televisão, embora seu campo preferido seja o teatro, avalia: "Como diretor, seu trabalho caracteriza-se antes de mais nada por uma extrema solidez artesanal, noção de equilíbrio e inteligência na escolha do repertório. Como ator, durante muito tempo deveu parte do seu sucesso pessoal à jovialidade, ao encanto e à simpatia da sua presença em cena. Sua volta ao palco, a partir de 1985, revelou um ator notavelmente amadurecido, perfeccionista, humano, inteligente e claro na transmissão das menores intenções dos respectivos personagens".1

Nota
1. MICHALSKI, Yan. Paulo José. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Espetáculos 73

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Exposições 2

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Fontes de pesquisa 19

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Paulo José (ficha curricular). In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. (Aplauso Especial).
  • DIONISOS - Teatro de Arena. Rio de Janeiro: MEC-SNT , nº 24, out. 1978.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculos: A Mandrágora - 1975; Antônio e Cleópatra - 2006.
  • JOSÉ, Paulo. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
  • MICHALSKI, Yan. Paulo José. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • MOSTAÇO, Edelcio. Teatro e política: Arena, Oficina e Opinião. São Paulo: Proposta, 1982.
  • Paulo José, ícone do cinema, do teatro e da TV, morre aos 84 anos. G1 Rio, Rio de Janeiro, 11 ago. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/08/11/paulo-jose-morre-no-rio.ghtml. Acesso em: 11 ago. 2021.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço.
  • Programa do Espetáculo - A Vida Impressa em Dolar - 1961.
  • Programa do Espetáculo - O Inspetor Geral - 1966.
  • Programa do Espetáculo - O Noviço - 1963.
  • Programa do Espetáculo - Um Homem é um Homem - 2006 SP.
  • Programa do Espetáculo - É... - 1977.
  • Programa do Espetáculo -A Mandrágora - 1968.
  • Programa do Espetáculo -Dois Perdidos Numa Noite Suja - 1968.
  • TEATRO IPANEMA. O Beijo da Mulher Aranha: 1981, Rio de Janeiro, RJ, [1981]. Programa do Espetáculo.

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