Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Joel Pizzini

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 09.08.2021
13.12.1960 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Joel Pizzini Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1960). Diretor de filmes e vídeos e curador. Um dos grandes realizadores da cena brasileira no âmbito de curtas e longas-metragens, tem uma produção bastante marcada pelo experimental e pelo resgate poético de sua região de origem. 

Texto

Abrir módulo

Joel Pizzini Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1960). Diretor de filmes e vídeos e curador. Um dos grandes realizadores da cena brasileira no âmbito de curtas e longas-metragens, tem uma produção bastante marcada pelo experimental e pelo resgate poético de sua região de origem. 

Passa a infância em Mato Grosso do Sul e escreve poemas ainda na juventude. Ingressa em 1979 no curso de jornalismo da Universidade Federal do Paraná e logo se destaca na cena experimental nacional. Na universidade, realiza suas primeiras experiências em super-8 e assiste ao longa Limite (1931), do diretor de cinema Mário Peixoto (1908-1992), que o inspira a seguir a carreira no cinema1

Dedica-se então à intensa pesquisa sobre temas não ficcionais, entre elas sobre a vida e a obra de Mário Peixoto, que anos mais tarde dá origem ao curta Mar de Fogo (2014). A pesquisa também resulta na ênfase sobre o significado dos objetos, por meio da colagem de fragmentos de som e imagem. Além de Limite, sua infância passada em Dourados, Mato Grosso do Sul, e o contato com o cinema experimental de Júlio Bressane (1946), Rogério Sganzerla (1946-2004) e Glauber Rocha (1939-1981) são determinantes para sua formação como diretor.

Depois de se formar em 1981, volta para Campo Grande, onde passa a ser um frequentador assíduo de cinemas, tornando-se um cineclubista. Divulga e escreve releases de filmes de Bressane e Sganzerla, dando continuidade ao seu interesse pelo cinema moderno e experimental, iniciado em Limite. É curador da mostra Júlio Bressane no Cinesesc, em 1986. No ano seguinte, participa como assistente de direção do longa A Guerra do Brasil (1987), de Sylvio Back (1937)

Muda-se para São Paulo e realiza seu primeiro curta-metragem, Caramujo-flor (1988). A produção reúne som e imagem que revelam o universo lírico do poeta Manoel de Barros (1916-2014). Segundo o curador José Carlos Avellar2 (1936-2016), o que se vê é uma transfiguração em audiovisual do procedimento do poeta, que cola em seus poemas palavras díspares, subvertendo seu sentido. O curta recebe prêmios como Melhor Direção e Melhor Fotografia, no Festival de Brasília (1988); Melhor Filme, no Festival de Huelva, Espanha (1988); Melhor Documentário Latino-Americano, no Festival de Mar Del Plata, na Argentina (2006).

No final da década de 1980, retorna para Campo Grande e se torna diretor da Fundação de Cultura do Estado. Anos mais tarde, volta a São Paulo e realiza o curta Enigma de Um Dia (1996), inspirado em quadro do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978). De 1996 a 2001, faz uma série de cinebiografias para o Canal Brasil, como: Um Homem Só (2000), sobre o ator Leonardo Vilar (1923-2020), e Glauces: Estudo de um Rosto (2001), sobre a atriz Glauce Rocha (1933-1971). Entre 2000 e 2010, produz mais de uma dezena de filmes e vídeos para a TV, com destaque para: 500 Almas (2004), que representa a experiência poética sobre a região onde vive na infância e juventude; Mr. Sganzerla, o Signo da Luz (2011) e Mar de Fogo (2014). 

Bastante reconhecido pela crítica, 500 Almas foi o primeiro longa-metragem de Pizzini e procura recuperar a tradição dos Guatós, etnia indígena de Mato Grosso do Sul, considerada extinta na década de 1960. O filme deseja efetivar relações entre o passado desse povo, sua origem, e seu presente, por meio da construção de fragmentos na relação entre som e imagem, restaurando poeticamente a memória dos Guatós.

Em paralelo à realização de filmes, vídeos e videoinstalações, é curador da restauração da obra de Glauber Rocha, durante os anos 2000, e da Ocupação Sganzerla (2010), do Instituto Itaú Cultural.

A linguagem inovadora empregada em suas produções, a inspiração por sua terra natal, além de um cinema que se revela experimental e moderno colocam Joel Pizzini em lugar de destaque no universo audiovisual brasileiro.

Notas
1. Em entrevista de 2008, revela a importância de assistir a Limite. Diz ter visto pela primeira vez “um filme essencialmente poético”, sem uma narrativa linear ou trama, que se aproxima da escrita dos poemas de juventude. CASELLI, Christian; PAIVA, Poliana. Entrevista inclusiva com Joel Pizzini. Mostra do Filme Livre, jan. 2008. 

2. AVELLAR, José Carlos. Rascunho de Pássaro. São Paulo: Mostra Internacional de Curtas/CTAV – MINC, 2014. p. 15-18.

Obras 1

Abrir módulo

Debates 1

Abrir módulo

Exposições 5

Abrir módulo

Festivais 1

Abrir módulo

Mostras audiovisuais 23

Abrir módulo

Oficinas 1

Abrir módulo

Palestras 2

Abrir módulo

Fontes de pesquisa 5

Abrir módulo

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: