Joel Pizzini
Texto
Joel Pizzini Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1960). Diretor de filmes e vídeos e curador. Um dos grandes realizadores da cena brasileira no âmbito de curtas e longas-metragens, tem uma produção bastante marcada pelo experimental e pelo resgate poético de sua região de origem.
Passa a infância em Mato Grosso do Sul e escreve poemas ainda na juventude. Ingressa em 1979 no curso de jornalismo da Universidade Federal do Paraná e logo se destaca na cena experimental nacional. Na universidade, realiza suas primeiras experiências em super-8 e assiste ao longa Limite (1931), do diretor de cinema Mário Peixoto (1908-1992), que o inspira a seguir a carreira no cinema1.
Dedica-se então à intensa pesquisa sobre temas não ficcionais, entre elas sobre a vida e a obra de Mário Peixoto, que anos mais tarde dá origem ao curta Mar de Fogo (2014). A pesquisa também resulta na ênfase sobre o significado dos objetos, por meio da colagem de fragmentos de som e imagem. Além de Limite, sua infância passada em Dourados, Mato Grosso do Sul, e o contato com o cinema experimental de Júlio Bressane (1946), Rogério Sganzerla (1946-2004) e Glauber Rocha (1939-1981) são determinantes para sua formação como diretor.
Depois de se formar em 1981, volta para Campo Grande, onde passa a ser um frequentador assíduo de cinemas, tornando-se um cineclubista. Divulga e escreve releases de filmes de Bressane e Sganzerla, dando continuidade ao seu interesse pelo cinema moderno e experimental, iniciado em Limite. É curador da mostra Júlio Bressane no Cinesesc, em 1986. No ano seguinte, participa como assistente de direção do longa A Guerra do Brasil (1987), de Sylvio Back (1937).
Muda-se para São Paulo e realiza seu primeiro curta-metragem, Caramujo-flor (1988). A produção reúne som e imagem que revelam o universo lírico do poeta Manoel de Barros (1916-2014). Segundo o curador José Carlos Avellar2 (1936-2016), o que se vê é uma transfiguração em audiovisual do procedimento do poeta, que cola em seus poemas palavras díspares, subvertendo seu sentido. O curta recebe prêmios como Melhor Direção e Melhor Fotografia, no Festival de Brasília (1988); Melhor Filme, no Festival de Huelva, Espanha (1988); Melhor Documentário Latino-Americano, no Festival de Mar Del Plata, na Argentina (2006).
No final da década de 1980, retorna para Campo Grande e se torna diretor da Fundação de Cultura do Estado. Anos mais tarde, volta a São Paulo e realiza o curta Enigma de Um Dia (1996), inspirado em quadro do pintor italiano Giorgio de Chirico (1888-1978). De 1996 a 2001, faz uma série de cinebiografias para o Canal Brasil, como: Um Homem Só (2000), sobre o ator Leonardo Vilar (1923-2020), e Glauces: Estudo de um Rosto (2001), sobre a atriz Glauce Rocha (1933-1971). Entre 2000 e 2010, produz mais de uma dezena de filmes e vídeos para a TV, com destaque para: 500 Almas (2004), que representa a experiência poética sobre a região onde vive na infância e juventude; Mr. Sganzerla, o Signo da Luz (2011) e Mar de Fogo (2014).
Bastante reconhecido pela crítica, 500 Almas foi o primeiro longa-metragem de Pizzini e procura recuperar a tradição dos Guatós, etnia indígena de Mato Grosso do Sul, considerada extinta na década de 1960. O filme deseja efetivar relações entre o passado desse povo, sua origem, e seu presente, por meio da construção de fragmentos na relação entre som e imagem, restaurando poeticamente a memória dos Guatós.
Em paralelo à realização de filmes, vídeos e videoinstalações, é curador da restauração da obra de Glauber Rocha, durante os anos 2000, e da Ocupação Sganzerla (2010), do Instituto Itaú Cultural.
A linguagem inovadora empregada em suas produções, a inspiração por sua terra natal, além de um cinema que se revela experimental e moderno colocam Joel Pizzini em lugar de destaque no universo audiovisual brasileiro.
Notas
1. Em entrevista de 2008, revela a importância de assistir a Limite. Diz ter visto pela primeira vez “um filme essencialmente poético”, sem uma narrativa linear ou trama, que se aproxima da escrita dos poemas de juventude. CASELLI, Christian; PAIVA, Poliana. Entrevista inclusiva com Joel Pizzini. Mostra do Filme Livre, jan. 2008.
2. AVELLAR, José Carlos. Rascunho de Pássaro. São Paulo: Mostra Internacional de Curtas/CTAV – MINC, 2014. p. 15-18.
Obras 1
Debates 1
Exposições 5
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25/10/1997 - 30/11/1997
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6/11/2000 - 9/1/1999
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15/10/2001 - 16/12/2001
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2005 - 2005
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9/6/2010 - 18/7/2010
Festivais 1
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23/9/2003 - 19/10/2003
Mostras audiovisuais 23
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4/6/1992 - 26/6/1992
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23/4/1996 - 28/4/1996
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23/5/2002 - 27/6/2002
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12/3/2003 - 26/3/2003
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5/8/2004 - 26/8/2004
Oficinas 1
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20/3/2009 - 20/3/2009
Palestras 2
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21/3/2009 - 21/3/2009
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23/4/2009 - 23/4/2009
Fontes de pesquisa 5
- AVELLAR, José Carlos. Rascunho de Pássaro. In: Cinema de Poesia. São Paulo: Mostra Internacional de Curtas/CTAV – MINC, 2014.
- CASELLI, Christian; PAIVA, Poliana. Entrevista Inclusiva com Joel Pizzini. Mostra do Filme Livre, jan. 2008. Disponível em: http://www.mostradofilmelivre.com/noticias/1523. Acesso em: 9 ago. 2021.
- FOSTER, Lila. 500 Almas, de Joel Pizzini (Brasil, 2005). Revista Cinetica. Disponível em: http://www.revistacinetica.com.br/500almas.htm. Acesso em: 29 set. 2015.
- SABADIN, Celso. Joel Pizzini, Exclusivo Para o Planeta Tela, Fala Sobre "Anabasys". Planeta Tela. Disponível em: http://www.planetatela.com.br/noticia/joel-pizzini-exclusivo-para-o-planeta-tela-fala-sobre-anabazys/. Acesso em: 9 ago. 2021.
- TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. Um cinema que Viaja de Trem. In: Cinema de Poesia. São Paulo: Mostra Internacional de Curtas/CTAV – MINC, 2014. p. 19-35.
Como citar
Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
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JOEL Pizzini.
In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2022.
Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13423/joel-pizzini. Acesso em: 03 de julho de 2022.
Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7