Artigo da seção pessoas Lenine

Lenine

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deLenine: 02-02-1959 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife)
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Registro fotográfico Gerardo Lazzari/Itaú Cultural

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel (Recife, Pernambuco, 1959). Compositor, cantor, violonista, arranjador e produtor. Suas composições são construídas pela mistura de ritmos. Mantendo sua origem e influência de repertórios nordestinos, promove experimentações musicais através do encontro de gêneros e recursos técnicos. Colabora na produção e na direção musical no audiovisual brasileiro.

Inicia seus estudos musicais na infância, com um violão de sua irmã, e obtém variadas influências musicais, como folclore russo, música popular brasileira (MPB) e bandas  de rock inglês, como Led Zeppelin e The Police. Aos 17 anos, escreve suas primeiras composições, e, no final dos anos 1970, frequenta o Conservatório Pernambucano de Música, pouco antes de se mudar para o Rio de Janeiro, onde se dedica à carreira de compositor.

Participa de festivais de música, como a 8ª Feira Avareense de Música Popular (FAMPOP), na qual classifica a canção “Virou Areia”, com Bráulio Tavares (1950).  Participa também do disco registro do evento, em 1990.

Seu estilo de tocar é marcado por cordas soltas nos acordes, linhas marcadas de baixo e harmônico. Em seu processo de criação, considera todos os elementos da música, incluindo contrabaixo e percussão, além do violão.

O primeiro disco de Lenine, Baque Solto (1983), com o parceiro musical Lula Queiroga, mescla ritmos de maracatu e cirandas transpostos para outros instrumentos. Nesse sentido, pode-se afirmar que prenuncia o movimento Mangue Beat, da década de  1990. Após dez anos, lança o disco Olho de Peixe, um marco estético de sua carreira. A partir dele, observam-se características constantes em sua obra, como cadências harmônicas elaboradas, harpejos e bordões que fazem função de chamada para outras partes da música. Estes elementos o aproximam  de suas referências assumidas, Hermeto Pascoal (1936), Djavan (1949) e Gilberto Gil (1942), da música erudita e de algumas vertentes do rock, como The Police, Led Zeppelin e Jehtro Tull (1940-1993).

“A Roda do Tempo”, em parceria com Bráulio Tavares, é gravada por Elba Ramalho (1951), em 1989. No ano seguinte, a canção “As Voltas que o Mundo Dá”, parceria com Dudu Falcão (1961), integra a trilha da novela da Rede Manchete A História de Ana Raio e Zé Trovão.

A mistura de gêneros é ampliada a partir do álbum O Dia em que Faremos Contato (1997), que contém experimentações em música eletrônica, através das programações do produtor Chico Neves. No disco, a percussão de Marcos Suzano (1963) convive com os beats eletrônicos de Chico Neves. A obra representa um grande contraste em relação a Olho de Peixe, de concepção acústica. É possível reconhecer no disco o estilo característico de Lenine ao tocar violão: com as cordas bem puxadas, em um encontro de ritmos, como maracatu e caboclinho com funk e pop. 

Lenine usa o termo cantautor, definindo-se como um trovador contemporâneo, que transita entre o texto e a canção para retratar sua realidade e seu tempo através da música. Esse traço é evidente no disco Na Pressão (1999), como na canção “Jack Soul Brasileiro”, que, em sua letra, relata muito do que o cantor realiza na prática.

O cantor demonstra em seus trabalhos a crença de que arte também é política. Seu engajamento se manifesta na atuação em ONGs e em músicas com crítica social, como “Relampiano” e “Rosebud”, ambas do disco Falange Canibal (2003), e “A Mancha” e “É Fogo”, gravadas em Labiata (2008).

Acompanha todo o processo de produção dos trabalhos e é coprodutor de todos os seus discos. Essa atitude pode ser considerada um reflexo inicial das transformações tecnológicas e mercadológicas na música depois dos anos 1990, contexto que resulta numa geração de compositores que participam de todas as etapas de sua produção musical.

A relação com a França demonstra o sentido de "globalização" que Lenine busca em seu trabalho. Seus laços com o exterior são reforçados com sua composição-tema para o Ano do Brasil na França. O disco Lenine In Cité (2004) pode ser considerado o ícone dessa internacionalização, gravado com a cantora e contrabaixista cubana Yusa e o percussionista argentino radicado no Brasil Ramiro Musotto. Além de contar com outros dois artistas latino-americanos, o show é gravado em Paris e gera um disco e um DVD. Esse projeto surge a partir de um convite do Cité de La Musique para o Carte Blanche, no qual a instituição abre as portas para shows autorais.

Em 2002, Lenine grava Falange Canibal, com participações do músico norte-americano Will Calhoun, baterista do grupo Living Colour, e da compositora americana Ani Di Franco (1970). Lança o Acústico MTV Lenine, em 2006, e no ano seguinte compõe a trilha sonora de Breu, espetáculo do Grupo Corpo.

A experiência como compositor de trilhas, além de lhe render um álbum, transforma a sua maneira de compor, fazendo com que seus próximos discos tenham características temáticas. A partir de um mote inicial, que já agrega todo o álbum, ele se propõe a fazer as canções dos discos Labiata (2010) e Chão (2012). Outro aspecto desse último trabalho é o empenho do autor em trazer a experiência do disco para o show. As caixas de som são dispostas por todo o teatro e reproduzem a espacialidade do disco. São usados ruídos, como chaleira fervendo, serra elétrica e batida do coração.

Sua contribuição em trilhas rende ainda a compilação do disco Lenine.doc/Trilhas (2010), com canções que não estavam em nenhum dos discos do compositor. Participa do CD Balaio do Sampaio, em homenagem ao cantor e compositor Sérgio Sampaio, interpretando a canção inédita “Pavio do Destino”, e compõe, a partir de poemas de Geraldo Carneiro, para o disco Por mares nunca dantes (2004).

Trabalha ainda na produção musical, com artistas como Maria Rita, no disco Segundo (2015), Chico César, em De Uns Tempos Pra Cá (2005), e Pedro Luís e a Parede, no álbum Ponto Enredo (2008). Na televisão, faz a direção musical de Caramuru, a invenção do Brasil (2001), de Guel Arraes (1953) e Jorge Furtado (1959), e participa da direção do musical Cambaio (2001), de João Falcão (1958) e Adriana Falcão (1960), baseado em canções de Chico Buarque (1944) e Edu Lobo (1943).

A obra de Lenine se constrói através da experimentação e da mistura de ritmos. As influências de sua origem pernambucana e seu violão encontram em parceiros e nas referências musicais possibilidades de reinvenção.

Outras informações de Lenine:

  • Outros nomes
    • Oswaldo Lenine Macedo Pimentel
    • Osvaldo Lenine Macedo Pimentel
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Compositor
    • Instrumentista

Obras de Lenine: (22) obras disponíveis:

Todas as obras de Lenine:

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (10)

  • ADONAY, Ariza. Eletronic samba: a música brasileira no contexto das tendências internacionais. Annablume, 2006.
  • Dicionário Cravo Albin. Disponível em http://www.dicionariompb.com.br/lenine/dados-artisticos   Acessado em 12 mar 2012
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • NESTROVSKI, Arthur (Org.)  Música popular brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • PALUMBO, Patricia. Vozes do Brasil DBA, 2002
  • Programa do Espetáculo - Cambaio - 2001. Não Catalogado
  • Roda Viva com Lenine - TV Cultura - 23 de janeiro de 2012 . Disponível em tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/lenine-no-centro-do-roda-viva Acessado em 12 mar 2012
  • Site oficial de Lenine. Disponível em http://www.lenine.com.br/ Acessado em 12 mar 2012
  • TELES, José Do frevo ao manguebeat  Editora 34, 2000
  • VELOSO, Bruna- Homem de bem. In Revista Roling Stones. Disponível em http://www.rollingstone.com.br/edicao/edicao-61/homem-de-bem Acessado em 12 mar 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LENINE . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13361/lenine>. Acesso em: 17 de Set. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7