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Enciclopédia Itaú Cultural
Teatro

Lenine

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.10.2019
02.02.1959 Brasil / Pernambuco / Recife
Registro fotográfico Gerardo Lazzari/Itaú Cultural

Lenine em apresentação no Auditório Ibirapuera, 2013

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel (Recife, Pernambuco, 1959). Compositor, cantor, violonista, arranjador e produtor. Suas composições são marcadas pela mistura de ritmos. Preservando a origem nordestina e a influência do repertório dessa região, promove experimentações musicais por meio do encontro de gêneros e recursos técnicos. Colabora na produç...

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Osvaldo Lenine Macedo Pimentel (Recife, Pernambuco, 1959). Compositor, cantor, violonista, arranjador e produtor. Suas composições são marcadas pela mistura de ritmos. Preservando a origem nordestina e a influência do repertório dessa região, promove experimentações musicais por meio do encontro de gêneros e recursos técnicos. Colabora na produção e na direção musical no audiovisual brasileiro.

Inicia seus estudos musicais na infância, com o violão de sua irmã, e recebe variadas influências musicais, desde as da música popular brasileira (MPB) e do rock inglês das bandas Led Zeppelin, The Police e Jethro Tull, passando também pelo folclore russo. Aos 17 anos, escreve as primeiras composições e, no final dos anos 1970, frequenta o Conservatório Pernambucano de Música, pouco antes de se mudar para o Rio de Janeiro, onde se dedica à carreira de compositor.

Participa de festivais de música, como a 8ª Feira Avareense de Música Popular (FAMPOP), na qual classifica a canção “Virou Areia”, composta com Bráulio Tavares (1950).  Em 1990, participa do registro do evento em disco.

Seu estilo de tocar é marcado por cordas soltas nos acordes, linhas marcadas de baixo e harmônico. No processo de criação, considera todos os elementos da música, incluindo contrabaixo e percussão, além do violão.

O primeiro disco de Lenine, Baque Solto (1983), gravado com o parceiro musical Lula Queiroga (1960), mescla ritmos de maracatu e cirandas, transpostos para outros instrumentos. Pode-se afirmar que essa experiência prenuncia o movimento manguebeat, da década de  1990. Em 1993, lança Olho de Peixe, marco estético de sua carreira. A partir desse disco, observam-se características constantes em sua obra, como cadências harmônicas elaboradas, arpejos e bordões que remetem a outras partes da música. Esses elementos o aproximam de Hermeto Pascoal (1936), Djavan (1949) e Gilberto Gil (1942) (referências musicais confessas), da música erudita e de algumas vertentes do rock.

Em 1989, a canção “A Roda do Tempo”, composta em parceria com Bráulio Tavares, é gravada por Elba Ramalho (1951). No ano seguinte, “As Voltas que o Mundo Dá”, parceria com Dudu Falcão (1961), integra a trilha da novela da Rede Manchete A História de Ana Raio e Zé Trovão.

A mistura de gêneros é ampliada no álbum O Dia em que Faremos Contato (1997), que conta com experimentações em música eletrônica do produtor Chico Neves (1960), cujos beats eletrônicos convivem com a percussão de Marcos Suzano (1963). A obra contrasta com o disco de 1993, de concepção acústica, mas ainda é possível reconhecer o estilo característico de Lenine ao tocar violão: com as cordas bem puxadas, em um encontro de ritmos, como maracatu e caboclinho com funk e pop. 

Lenine define-se como cantautor, trovador contemporâneo que transita entre texto e canção para retratar sua realidade e seu tempo. Esse traço é evidente em Na Pressão (1999), sobretudo na canção “Jack Soul Brasileiro”, que relata muito do que o cantor realiza na prática. O artista atua como coprodutor e acompanha o processo integral da produção de todos seus discos, atitude que reflete as transformações tecnológicas e mercadológicas da indústria fonográfica depois dos anos 1990.

O engajamento político do artista se manifesta em “Relampiano” e “Rosebud”, ambas do disco Falange Canibal (2002), álbum com participações de Will Calhoun (1964), baterista do grupo Living Colour, e da compositora americana Ani Di Franco (1970). Também com forte crítica social, compõe “A Mancha” e “É Fogo”, gravadas em Labiata (2008).

Em 2004, compõe, a partir de poemas de Geraldo Carneiro (1952), para o disco Por Mares Nunca Dantes

A relação com a França permite que Lenine amplie o sentido de "globalização" a seu trabalho. Os laços com o país são reforçados com a composição do tema para o projeto Ano do Brasil na França (2005). O disco Lenine In Cité (2004) pode ser considerado o ícone dessa internacionalização, gravado com a cantora e contrabaixista cubana Yusa (1973) e o percussionista argentino radicado no Brasil Ramiro Musotto (1963-2009). Além de contar com outros dois artistas latino-americanos, o show é gravado em Paris e gera um disco e um DVD. Esse projeto surge a partir de um convite do Cité de La Musique para o Carte Blanche, no qual a instituição abre as portas para shows autorais.

Em 2006, lança o Acústico MTV Lenine e, no ano, seguinte compõe a trilha sonora de Breu, espetáculo do Grupo Corpo. Essa experiência, além de render um álbum, transforma a maneira de compor para seus próximos discos, que passam a ter características temáticas. A partir de um mote que agrega todo o álbum, ele compõe as canções dos discos Labiata (2010) e Chão (2012). Nesse último trabalho, Lenine leva a experiência do disco para o show: as caixas de som são dispostas por todo o teatro e reproduzem a espacialidade do disco. São usados ruídos, como os de chaleira fervendo, serra elétrica e batida do coração. A contribuição em trilhas rende ainda a compilação do disco Lenine.doc/Trilhas (2010), com canções inéditas.

Em 2011, interpreta a canção “Pavio do Destino” no CD Balaio do Sampaio, em homenagem ao cantor e compositor Sérgio Sampaio (1947-1994).

Trabalha ainda na produção musical, com artistas como Chico César, em De Uns Tempos Pra Cá (2005), Pedro Luís e a Parede, no álbum Ponto Enredo (2008), e Maria Rita, no disco Segundo (2015). Na televisão, faz a direção musical de Caramuru, a Invenção do Brasil (2001), de Guel Arraes (1953) e Jorge Furtado (1959), e participa da direção do musical Cambaio (2001), de João Falcão (1958) e Adriana Falcão (1960), baseado em canções de Chico Buarque (1944) e Edu Lobo (1943).

A obra de Lenine se constrói por meio de experimentação e mistura de ritmos. As influências de sua origem pernambucana e seu violão encontram em parceiros e referências musicais possibilidades de reinvenção.

Obras 38

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Fontes de pesquisa 10

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  • ADONAY, Ariza. Eletronic samba: a música brasileira no contexto das tendências internacionais. Annablume, 2006.
  • DICIONÁRIO Cravo Albin. Lenine. Disponível em http://www.dicionariompb.com.br/lenine/dados-artisticos. Acesso em: 12 mar. 2012.
  • ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica e popular. 2. ed., rev. ampl. Organização Marcos Antônio Marcondes. São Paulo: Art Editora, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • LENINE. Site oficial do Artista. Disponível em: http://www.lenine.com.br/. Acesso em: 12 mar. 2012.
  • NESTROVSKI, Arthur (Org.). Música popular brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • PALUMBO, Patricia. Vozes do Brasil. São Paulo: DBA, 2002.
  • Programa do Espetáculo - Cambaio - 2001. Não Catalogado
  • RODA VIVA. Entrevista com Lenine. São Paulo, TV Cultura, 23 jan. 2012. Disponível em: http://tvcultura.com.br/videos/13409_lenine-23-01-2012.html. Acesso em: 12 mar. 2012.
  • TELES, José. Do frevo ao manguebeat. São Paulo: Editora 34, 2000. (Coleção Todos os Cantos).
  • VELOSO, Bruna. Homem de bem. Revista Rolling Stones, São Paulo, n.61, out. 2011. Disponível em: http://www.rollingstone.com.br/edicao/edicao-61/homem-de-bem. Acesso em: 12 mar. 2012.

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