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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

José Pancetti

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 04.12.2018
18.06.1902 Brasil / São Paulo / Campinas
10.02.1958 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Auto-retrato, 1952
José Pancetti
Óleo sobre tela, c.i.e.
46,50 cm x 55,40 cm
Acervo Museu de Arte Brasileira - MAB-FAAP

Giuseppe Gianinni Pancetti (Campinas, São Paulo, 1902 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor. Dos 11 aos 16 anos, por decisão do pai, vive na Itália aos cuidados do tio e dos avós. Antes de tornar-se marinheiro, Pancetti é aprendiz de marceneiro, trabalha em fábricas de bicicleta e de material bélico. Em 1919, ingressa na marinha mercan...

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Biografia

Giuseppe Gianinni Pancetti (Campinas, São Paulo, 1902 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1958). Pintor. Dos 11 aos 16 anos, por decisão do pai, vive na Itália aos cuidados do tio e dos avós. Antes de tornar-se marinheiro, Pancetti é aprendiz de marceneiro, trabalha em fábricas de bicicleta e de material bélico. Em 1919, ingressa na marinha mercante italiana e viaja por três meses pelo Mediterrâneo. Em 1920, volta para o Brasil e, na cidade de Santos, executa diversos ofícios: é operário têxtil, auxiliar de ourives, trabalhador na rede de esgotos e faxineiro de hotel. Em 1921, em São Paulo, trabalha na Oficina Beppe, especializada em decoração de pintura de parede, como cartazista, pintor de parede e auxiliar do pintor Adolfo Fonzari (1880 - 1959). Em 1922, alista-se na Marinha de Guerra brasileira, onde permanece até ser reformado, em 1946, no posto de 2º Tenente. Em 1925, servindo no encouraçado Minas Gerais, pinta suas primeiras obras. No ano seguinte, para progredir na carreira, integra o quadro de pintores dentro da "Companhia de Praticantes e Especialistas em Convés". Em 1933, ingressa no Núcleo Bernardelli e recebe orientação de Manoel Santiago (1897 - 1987), Edson Motta (1910 - 1981), Rescála (1910 - 1986) e principalmente do pintor polonês Bruno Lechowski (1887 - 1941). Na passagem pelo Núcleo adquire técnica e amadurecimento artístico. Sua obra é composta por paisagens, retratos, auto-retratos, naturezas-mortas e marinhas. As marinhas são as pinturas mais conhecidas. Inicialmente elaboradas de forma analítica, em pinceladas lisas e batidas e organizadas em planos geométricos, sem ondas e sem vento, tornam-se, com o tempo, mais limpas e, por fim, beiram a abstração, reduzidas à areia, à luz e ao mar.

Análise

Filho de imigrantes italianos, José Pancetti nasce em Campinas (SP) e viaja para a Itália ainda criança, em 1913, por causa das dificuldades financeiras da família. Vive em companhia de um tio, negociante de mármore, na região da Toscana, em Massa-Carrara e depois em Pietra Santa, com os avós. Tem várias ocupações até ingressar na Marinha Mercante. Volta ao Brasil em 1920,  exerce diferentes ofícios até entrar, dois anos depois, para a Marinha de Guerra, onde permanece até 1946. As constantes viagens não lhe permitem um aprendizado artístico regular. Em 1933, participa do Núcleo Bernardelli, grupo formado por jovens que lutam pela reformulação do ensino artístico na Escola Nacional de Belas Artes - Enba. É orientado em pintura a óleo pelo artista polonês Bruno Lechowski (1887 - 1941).

O retrato é uma constante em sua carreira. São, em maior parte, composições simplificadas, com poucos elementos. Muitas vezes os retratados revelam a sensação de desalento, como ocorre em Menina Triste e Doente (1940) ou em Retrato de Lourdes (s.d.). Dedica-se também aos auto-retratos, em que mostra a admiração por Vincent van Gogh (1853 - 1890) e Paul Gauguin (1848 - 1903). Representa-se freqüentemente como trabalhador manual, como a lembrar sua origem humilde. Nos auto-retratos, em geral, recusa a frontalidade. A expressão sombria, a cabeça e o busto tratados com cuidado geométrico (procedimento que deriva do cubismo) e os jogos de claro-escuro estruturam essas composições, muito representativas de sua produção e das quais são conhecidas mais de 40 obras.

Na década de 1940, pinta paisagens urbanas, em sua maioria realizadas em cores escuras, com predominância de tons ocre e marcadas por grande melancolia, são exemplos O Chão (1941) ou Pátio da Rua de Santana (1944). Nessas paisagens e também em algumas naturezas-mortas revela interesse pelas obras de Paul Cézanne (1839 - 1906) e Henri Matisse (1869 - 1954). Em outros quadros, como Campos de Jordão (1944) utiliza nuances um pouco mais luminosas de verde e azul, embora em tons rebaixados, e explora a verticalidade dos troncos das árvores. 

As marinhas são a face mais conhecida de sua produção, nelas se refletem a experiência de marinheiro e o amor pelos diversos recantos do litoral: Itanhaém, Mangaratiba, Cabo Frio e Arraial do Cabo. Seus quadros são concebidos com grande simplificação formal, como, por exemplo, Cabo Frio (1947). Nele, Pancetti utiliza as linhas em ziguezague, diagonais que percorrem o espaço pictórico e são um recurso constante em suas obras. Em Paisagem com Dunas (1947) ou Praia em Cabo Frio (1947) destaca-se o enquadramento, não usual. O artista realiza uma série de quadros de Arraial do Cabo, nos quais o olhar do espectador percorre as humildes casas de pescadores, a areia muito branca e as canoas coloridas. 

Em 1950, viaja para a Bahia, onde fixa residência. Nesse local, sua obra se modifica, a paleta adquire cores quentes e fortes. Suas marinhas tornam-se plenas de luz. Pinta a cidade de Salvador e arredores nos anos 50: a Praia de Itapoã, o Farol da Barra e a Lagoa do Abaeté. Esta última é representada em muitos quadros, que têm como tema o contraste entre as águas escuras, a areia branca e os tecidos coloridos das lavadeiras. Em algumas paisagens baianas explora a consistência, a luminosidade e a cor dourada das areias, como ocorre, por exemplo, em Farol da Barra (1954). Em quadros do final da carreira aproxima-se da abstração, como em Itapoã (1957), no qual a paisagem é concebida por meio de faixas de cores vibrantes e luminosas.

José Pancetti, já em obras iniciais, produz "composições desenquadradas", desenvolvendo ângulos de enquadramento não usuais. Revitaliza, assim, não apenas a pintura de marinhas, mas também as demais composições paisagísticas e retratos. Conhecido como um dos grandes marinhistas brasileiros, cria imagens de grande intensidade poética, revelando  muita sensibilidade no uso da cor.

Obras 74

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Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Anita

Óleo sobre tela
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Arraial do Cabo

Óleo sobre tela

Exposições 240

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Eventos relacionados 1

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Fontes de pesquisa 12

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  • 30 Mestres da pintura no Brasil: 30 anos Credicard. Curadoria Luiz Marques. São Paulo: Masp, 2001.
  • 80 anos de arte brasileira. Texto Carlos von Schmidt. São Paulo: MAB, 1982. 24 p, il. p&b. color.
  • AMARAL, Aracy et al. Modernidade: arte brasileira do século XX. São Paulo: MAM; Paris: Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris, 1988.
  • GULLAR, Ferreira (et. al). 150 anos de pintura no Brasil: 1820-1970. Rio de Janeiro: Colorama, 1989.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. Pancetti: o pintor marinheiro. Rio de Janeiro: Conquista, 1979.
  • PANCETTI, José. 100 anos de Pancetti: 1902-2002. Texto José Roberto Teixeira Leite; curadoria José Roberto Teixeira Leite; fotografia Pedro Oswaldo Cruz, Romulo Fialdini, Vicente de Mello; apresentação José Bonifácio Nogueira Filho, Antonio Carlos Coutinho Nogueira, Wilson Ferreira Jr., Galeno Amorim, Sônia Aparecida Fardin. Ribeirão Preto: MARP, 2002. [38] p., il. p&b color.
  • PANCETTI, José. Exposiçao de pintura de José Pancetti. São Paulo: Instituto dos Arquitetos, 1945. 7 p., il. p&b.
  • PANCETTI, José. Pancetti - O marinheiro só. Curadoria Denise Mattar; fotografia Romulo Fialdini, Vicente de Mello; versão em inglês Ricardo Silveira; apresentação Heitor Reis, Heloisa Aleixo Lustosa, Celita Procopio de Carvalho; texto Denise Mattar, Ligia Canongia, Wilson Rocha. [Salvador]: Museu de Arte da Bahia, 2000. 172 p., il. color.
  • PEDROSA, Mário; AMARAL, Aracy (org.). Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília. São Paulo: Perspectiva, 1981. 421 p. (Debates, 170).
  • PONTUAL, Roberto. Entre dois séculos: arte brasileira do século XX na coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Edições Jornal do Brasil, 1987.
  • ZANINI, Walter (org.). História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1.

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