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Artes visuais

Éder Oliveira

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 06.10.2021
1983 Brasil / Pará / Nova Timboteua
Éder Oliveira (Nova Timboteua, Pará, 1983). Artista visual. Explora a partir de sua obra a invisibilidade de grupos sociais discriminados, sobretudo da região amazônica. A partir da pintura e do retrato, constrói uma rapsódia de relações entre arte, mídia e direito, mediada por políticas da imagem fotográfica. Sua atuação artística, nacional e i...

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Éder Oliveira (Nova Timboteua, Pará, 1983). Artista visual. Explora a partir de sua obra a invisibilidade de grupos sociais discriminados, sobretudo da região amazônica. A partir da pintura e do retrato, constrói uma rapsódia de relações entre arte, mídia e direito, mediada por políticas da imagem fotográfica. Sua atuação artística, nacional e internacional, contribui para estimular a pesquisa sobre arte brasileira e as relações entre retrato, imagem e identidade.

Já na infância, no interior paraense, Éder manifesta o talento para o traço artístico se envolvendo em atividades comunitárias com desenho, como reproduções para murais. Aos 17 anos muda-se para Belém para completar os estudos e, em 2007, conclui a licenciatura em Educação Artística e Artes Plásticas na Universidade Federal do Pará (UFPA).

Durante a faculdade, desenvolve a pintura, e a descoberta do daltonismo leva-o a explorar em seus trabalhos tons monocromáticos. O interesse pelo desenho de pessoas aliado ao estudo sobre história da arte desperta o interesse do artista pelos retratos clássicos de figuras históricas, bem como o desejo de retratar pessoas comuns. Segundo Éder, reverter a lógica do retratado cria um contraponto em uma linguagem originalmente desenvolvida para contemplar classes abastadas. As experimentações com retratos levam Éder a aprofundar investigações relativas à identidade cultural da periferia paraense, realidade com a qual convive desde a infância. Passa, então, a utilizar como referência para suas representações retratos encontrados nos cadernos policiais de jornais de grande circulação de Belém, geralmente de negros, mestiços e caboclos. Para Éder, esses cadernos formam uma etnografia do marginal. Passa a recriar esses retratos anônimos, majoritariamente masculinos, em grandes proporções para telas e murais, tornando monumental a imagem de indivíduos estigmatizados pela dinâmica social.

A partir de 2005, participa de diversas exposições coletivas e salões de arte em Belém, e em 2007, tem sua primeira individual no Instituto de Artes do Pará (IAP), intitulada Ser do que é Anônimo, em que expõe um conjunto de retratos pintados sobre tela. Passa a experimentar os retratos em murais públicos como intervenções urbanas nas ruas de Belém, e conclui que a rua potencializa o seu trabalho, passando a explorar suas pinturas em três suportes principais: sobre tela, murais e intervenções urbanas.

Sua obra ganha repercussão em outras regiões do país a partir de duas exposições coletivas sobre arte amazônica, com curadoria de Paulo Herkenhoff (1949). A exposição Amazônia, a Arte (2010), realizada no Museu Vale, em Vila Velha (Espírito Santo), e no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, onde participa com um conjunto de pinturas murais na área externa do Museu Vale e na entrada do Palácio das Artes. E a exposição Amazônia, Ciclos de Modernidade (2012), no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro e em Brasília, onde apresenta quatro retratos pintados sobre tapumes alocados nas janelas externas dos edifícios.

Suas produções ganham aspectos de site-specific e refletem diferentes questões à medida que são construídas em diferentes locais. Numa metrópole, como São Paulo, o caboclo paraense personifica aquele que destoa dos padrões socioeconômicos dominantes e vive nas margens da sociedade através de pinturas murais de retratos em grandes proporções dentro do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, durante a 31ª Bienal de São Paulo, Como (…) coisas que não existem (2014).

Realiza a primeira individual em São Paulo na Galeria Blau Projects, Páginas Vermelhas (2015), onde apresenta dez obras inéditas, entre pinturas, objetos e fotografias. Todos os trabalhos são realizados com tons de vermelho, sem o uso da cor preta, ressaltando a violência da exclusão dos mais pobres. No mesmo ano, convoca jovens alistados nas Forças Armadas. Pela primeira vez, Éder tem contato com o retratado. A partir das conversas sobre identidade, militarismo e violência, desenvolve óleos sobre tela, objetos, site-specifics e videorretratos que são expostas na individual Alistamento, no Sesc Boulevard, na capital paraense, resultado  do Edital Bolsa Funarte 2014. As obras exploram a identificação entre traços fisionômicos e a condição social na representação do homem amazônico. Aproximando rostos de soldados e marginais, Éder unifica dois lados de um mesmo sistema de violência.

A violência na representação de grupos amazônicos seguem como mote de suas séries seguintes, aprofundadas no debate sobre suas presenças na mídia. Em 2015 é contemplado  com o Prêmio Pipa, na categoria Voto Popular. Dois anos depois, Éder, que até então vinha trabalhando retratos sólos, apresenta um conjunto de pinturas de grupos de pessoas, onde também passa a adicionar textos às telas, citações literárias que servem de comentários sobre a situação retratada, apresentado no na coletiva Jamais me olharás lá de onde te vejo (2019), no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo).

Tendo como objeto principal o homem amazônico, o artista entrelaça o retrato com investigações relativas à identidade para refletir sobre imagem, poder, cor, mídia e marginalização, desenvolvendo trabalhos em diferentes suportes artísticos.

Exposições 11

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Fontes de pesquisa 18

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