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Enciclopédia Itaú Cultural
Cinema

Walter Rogério

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 17.04.2017
06.12.1946 Brasil / São Paulo / Avaré
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

A Marvada Carne [cartaz], 1985
Fernando Pimenta, Walter Rogério, André Klotzel
Desenho
65,00 cm x 90,00 cm

Walter Luis Rogério (Avaré, São Paulo, 1946). Diretor, sonoplasta, montador, roteirista e produtor. Do interior de São Paulo, muda-se para a capital paulista para estudar física na Universidade de São Paulo (USP), em 1964. Em 1966, quando a Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) é aberta, decide abandonar o curso para estudar cinema na ECA, ao...

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Biografia

Walter Luis Rogério (Avaré, São Paulo, 1946). Diretor, sonoplasta, montador, roteirista e produtor. Do interior de São Paulo, muda-se para a capital paulista para estudar física na Universidade de São Paulo (USP), em 1964. Em 1966, quando a Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) é aberta, decide abandonar o curso para estudar cinema na ECA, ao lado de Djalma Limongi Batista (1950) e Aloysio Raulino (1947-2013).

Realiza seu primeiro curta-metragem em 1971 com o documentário São Paulo do Café à Indústria. Seu primeiro trabalho de destaque é o curta A Voz do Brasil (1981), em que mistura documentário com ficção. Neste mesmo período, torna-se sócio da Produtora Tatu Filmes com o cineasta Chico Botelho (1948-1991), fazendo como diretor o curta Aquarela de São Paulo (1982) e trabalhando também como diretor de som para filmes como Janete (1982) e Cidade Oculta (1986). Fecha a produtora em 1986. No ano seguinte, começa a filmar com os atores Chiquinho Brandão (1952-1991), Fernanda Torres (1966) e Maitê Proença (1958), seu primeiro longa de ficção, Beijo 2348/72, produção da Embrafilme. Por falta de dinheiro, o trabalho só é finalizado em 1990. Com este filme, ganha o prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília e Melhor Montagem e Fotografia para Adrian Cooper (1968) no Festival de Gramado, ambos no mesmo ano. Dirige, em 1996, seu segundo filme, o suspense Olhos de Vampa, sobre crimes em série que aterrorizam o bairro de Pinheiros, em São Paulo.

Análise

Walter Rogério se destaca em sua carreira de diretor por três filmes: o curta-metragem A Voz do Brasil, seu primeiro longa, Beijo 2348/72 e Olhos de Vampa. Em A Voz do Brasil, assim como a diretora Tizuka Yamasaki (1949) faria mais tarde com Pátriamada (1985), mistura documentário e ficção para mostrar a relação do cineasta com os mecanismos realizados para produzir um filme na época. Segundo o crítico Jean Claude Bernardet (1936), "o filme é uma contundente e bem humorada crítica sobre o 'cinema de autor' inerte e totalmente dependente da Embrafilme".1

Esse fator retratado em seu curta fica mais explícito com as dificuldades reais de financiamento encontradas para terminar seu premiado longa Beijo 2348/72 - finalizado apenas três anos depois do início das filmagens e lançado no circuito comercial somente em 1995, por conta do fechamento da Embrafilme pelo presidente Fernando Collor de Melo (1949), em 1991. O filme, que utiliza o bairro paulistano Brás dos anos de 1970 como pano de fundo, parte de um acontecimento verídico: o processo trabalhista de quatro anos, seguido de seu arquivamento, referente à demissão de dois funcionários de uma fábrica por terem dado um suposto beijo em ambiente de trabalho. Narrado como uma comédia de costumes, a trama expõe o preconceito vivido por eles e a burocracia trabalhista brasileira. Esteticamente, se apropria de referências surrealistas (imagéticas e musicais) do diretor espanhol Luis Buñuel (1900-1983), principalmente do filme A Idade de Ouro (1930), para criar a cena do suposto beijo - parte dos flashbacks que conduzem o longa.

Em Olhos de Vampa, volta a utilizar a cidade de São Paulo, especificamente a Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, como cenário para narrar uma sequência de assassinatos e a investigação da polícia para encontrar o criminoso. Constrói uma trama policial tipicamente brasileira, utilizando o ato de olhar (simbolizado por um fotógrafo) e o bumbum feminino como elementos centrais da narrativa, distanciando-se da estética do cinema policial norte-americano. Encontra, dessa forma, uma maior identidade nacional. Nesse filme, como nos anteriores, o cineasta incorpora fatos ocorridos e características da cultura e da sociedade brasileira para traçar um diagnóstico político e socioeconômico do país.

Notas

1. BERNARDET, Jean Claude. Historiografia do cinema clássico: metodologia e pedagogia. São Paulo: Annablume, 2004. p.166.

Obras 2

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Fontes de pesquisa 4

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  • BERNARDET, Jean Claude. Historiografia do cinema clássico: metodologia e pedagogia. São Paulo: Annablume, 2004. p. 165-166.
  • NAGIB, Lúcia. O cinema da retomada: depoimentos de 90 cineastas dos anos 90. São Paulo: Editora 34, 2002.
  • ROGÉRIO, Walter. Beijo 2348/72: comédia cinematográfica. São Paulo: Tatu Filmes, 1985.
  • VALENTE, Eduardo. Olhos de Vampa. Contracampo, Revista de Cinema. Disponível em: http://www.contracampo.com.br/64/olhosdevampa.htm. Acesso em: 22 fev. 2012.

Como citar

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