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Teatro

Antônio Abujamra

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 02.02.2021
13.09.1932 Brasil / São Paulo / Ourinhos
28.04.2015 Brasil / São Paulo / São Paulo
Registro fotográfico Djalma Limongi Batista

Antônio Abujamra em cena de O Contrabaixo, 1987
Djalma Limongi Batista, Antônio Abujamra
Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Antônio Abujamra (Ourinhos, São Paulo, 1932 – São Paulo, São Paulo, 2015). Diretor e ator. Participa da revolução cênica dos anos 1960 e 1970, caracterizando seu trabalho pela ousadia, inventividade e espírito provocativo. Nos anos 1980 e 1990, desenvolve espetáculos em que crítica e lúdico se fundem num ceticismo bem-humorado, eixo de sua perso...

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Antônio Abujamra (Ourinhos, São Paulo, 1932 – São Paulo, São Paulo, 2015). Diretor e ator. Participa da revolução cênica dos anos 1960 e 1970, caracterizando seu trabalho pela ousadia, inventividade e espírito provocativo. Nos anos 1980 e 1990, desenvolve espetáculos em que crítica e lúdico se fundem num ceticismo bem-humorado, eixo de sua personalidade.

Forma-se em filosofia e jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) em 1957. Inicia-se como crítico teatral e faz suas primeiras incursões como ator e diretor no Teatro Universitário, entre 1955 e 1958, em montagens como: O Marinheiro, do poeta e dramaturgo português Fernando Pessoa (1888-1935), e À Margem da Vida e O Caso das Petúnias, do dramaturgo americano Tennessee Williams (1911-1983).

Viaja à Europa em 1959 como bolsista e estuda língua e literatura espanholas em Madri. Faz estágio em Villeurbanne, na França, com o diretor francês Roger Planchon (1931-2009), acompanhando as montagens de Henrique IV, do dramaturgo inglês William Shakespeare (1564-1616), e Almas Mortas, do escritor ucraniano Nicolas Gogol (1809-1852). Estagia também com o diretor Jean Villar em A Resistível Ascensão de Arturu Ui, do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956), no Théâtre National Populaire [Teatro Nacional do Povo], em Paris. 

Retorna ao Brasil em 1961 e estreia em São Paulo no Teatro Cacilda Becker (TCB), onde dirige Raízes, do dramaturgo britânico Arnold Wesker (1932-2016), e no Teatro Oficina, com José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal (1931-2009)

Em 1963, associa-se aos diretores de teatro Antônio Ghigonetto (1930-2010) e Emílio Di Biasi (1939-2020) e funda o Grupo Decisão, com a intenção de disseminar o teatro político com base na técnica brechtiana. A primeira produção é Sorocaba, Senhor, uma adaptação de Fuenteovejuna, do dramaturgo espanhol Lope de Vega (1562-1635). Com Terror e Miséria no III Reich e Os Fuzis da Sra. Carrar, ambos de Brecht, o grupo leva aos bairros periféricos de São Paulo um repertório voltado para a mobilização política e a discussão da realidade nacional. 

O grupo monta seu primeiro sucesso, O Inoportuno (1964), do dramaturgo britânico Harold Pinter (1930-2008), e transfere-se para o Rio de Janeiro, onde a peça chama a atenção e abre portas para seus realizadores. Electra (1965), de Sófocles (497-406 a.C.), aumenta o prestígio do grupo e a encenação é apreciada pela crítica e pelo público. 

Segundo Yan Michalski, as encenações de Abujamra na época são subversivas e apaixonadas, e o diretor é “inquieto e eclético, capaz de criar para cada uma dessas peças uma concepção cênica polêmica, mas sempre marcada por uma linguagem de uma radical modernidade, influenciada pela experiência européia do diretor”.1

Nos anos seguintes, dedica-se ao Teatro Livre, da atriz Nicette Bruno (1933-2020) e do ator Paulo Goulart (1933-2014), realizando montagens como Os Últimos (1968), do dramaturgo russo Máximo Gorki (1868-1936), ou As Criadas (1968), do francês Jean Genet (1910-1986), e produções de âmbito comercial, algumas com grande êxito de bilheteria. 

Em 1975, alia-se ao teatro de resistência e dirige o monólogo Muro de Arrimo, escrito por Carlos Queiroz Telles (1936-1993), paradoxo entre as duras condições de vida de um operário da construção civil e suas ilusórias expectativas de um futuro brilhante. No mesmo ano, recebe o Prêmio Molière, pela direção de Roda Cor de Roda, da dramaturga Leilah Assumpção (1943)

Na primeira metade dos anos 1980, Abujamra se engaja no projeto de recuperar o Teatro Brasileiro de Comédia [TBC]. Inaugura novas salas e implanta um movimento que traz novos autores e diretores. Entre os espetáculos mais significativos no TBC estão: Os Órfãos de Jânio (1981), de autoria de Millôr Fernandes (1923-2012); Hamletto (1981), do italiano Giovanni Testori (1923-1993) – peça que dirige mais duas vezes: no próprio TBC (1984), e em Nova York, no Theatre for the New City (1986). 

Um dos maiores sucessos de sua carreira, Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico (1984), do dramaturgo italiano Dario Fo (1926-2016), traz um solo virtuosístico que é aplaudido em vários festivais fora do Brasil.

Aos 55 anos, Abujamra inicia a carreira de ator. Em dois anos, atua em duas telenovelas e três peças e é premiado pelo desempenho no monólogo O Contrabaixo (1987), do escritor alemão Patrick Suskind (1949). 

Em 1991, recebe o Prêmio Molière pela direção de Um Certo Hamlet, espetáculo de estreia da companhia Os Fodidos Privilegiados, fundada por Abujamra para ocupar o Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro. Segundo Macksen Luiz, na peça, o deboche vulgar de Abujamra torna-se algo paradoxal, suscitando reações adversas na platéia pelo exagero, chocando e provocando. O espetáculo é profano, perverso e engraçado. “Popularizado, subvertido, pulverizado, Hamlet emerge numa leitura pessoal, que provoca repulsa ou adesão”.2

Com Os Fodidos Privilegiados, ganha o Prêmio Shell de melhor direção de 1998, com uma adaptação do romance O Casamento, do escritor Nelson Rodrigues (1912-1980).

Abujamra trabalha também como diretor e ator de televisão, em novelas, especiais, programas educativos e teleteatros. A partir de 2000, apresenta o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura.

Antônio Abujamra tem vasta produção no teatro e na TV. Em suas peças, aproveita a experiência de seus antecessores, valorizando com equilíbrio a visualidade e a palavra, com certo sarcasmo, deboche e bom humor.

Notas:

1. MICHALSKI, Yan. Antônio Abujamra. In: ______. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

2. LUIZ, Macksen. Hamlet para Brasileiro Ver. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 1991

Obras 1

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Fontes de pesquisa 26

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  • ALBUQUERQUE, Johana. Antônio Abujamra. (ficha curricular). In: ______. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
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  • Ator e diretor Antônio Abujamra morre em São Paulo. G1, São Paulo, 2015. Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/04/morre-em-sp-o-artista-antonio-abujamra.html. Acesso em 28 abr. 2014.
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: O inferno são os outros (Huis-clos)- 1993.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil).
  • LEVI, Clovis. Teatro brasileiro: um panorama do século XX. Rio de Janeiro: Avenir, 1997. 351 p., il., p&b. (História visual, 2).
  • LIMA, Mariângela Alves de (org.). Imagens do Teatro Paulista. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1985.
  • LUIZ, Macksen. Hamlet para Brasileiro Ver. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 1991.
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  • MICHALSKI, Yan. Antônio Abujamra. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • NOSTRADAMUS. São Paulo: Companhia Estável de Repertório, 1986. 1 programa do espetáculo realizado no Teatro Cultura Artística.
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  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas.
  • Programa do Espetáculo - As Bruxas de Salem - 2003.
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978.
  • Programa do Espetáculo - Começa a Terminar - 2008.
  • Programa do Espetáculo - Depois do Expediente - 1987.
  • Programa do Espetáculo - O Escrivão - 2006.
  • Programa do Espetáculo - O Hamlet - 1982.
  • Programa do Espetáculo - O Prisioneiro da Segunda Avenida - 2008.
  • Programa do Espetáculo - O Rei Devasso - 1984.
  • Programa do Espetáculo - Os Órfãos de Jânio - 1981.
  • Programa do Espetáculo - Treze - 1979.
  • SILVA NETO, Antonio Leão. Astros e estrelas do cinema brasileiro. 2.ed.rev.ampl. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010. (Coleção Aplauso. Série Especial).
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