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Enciclopédia Itaú Cultural
Artes visuais

Madalena Schwartz

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 14.07.2021
09.10.1921 Hungria / a definir / Budapeste
25.03.1993 Brasil / São Paulo / São Paulo
Digitalizado a partir do original

Tomie Ohtake, 1975
Madalena Schwartz, Tomie Ohtake
Matriz-negativo
Acervo do Instituto Moreira Salles

Magdalena Isabel Mandel de Schwartz (Budapeste, Hungria, 1921 - São Paulo, São Paulo, 1993). Fotógrafa. Explorando a iluminação, o contraste e a perspectiva, Madalena Schwartz tem um relevante trabalho como retratista. 

Texto

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Magdalena Isabel Mandel de Schwartz (Budapeste, Hungria, 1921 - São Paulo, São Paulo, 1993). Fotógrafa. Explorando a iluminação, o contraste e a perspectiva, Madalena Schwartz tem um relevante trabalho como retratista. 

Em 1935, emigra com a família para Buenos Aires, onde reside até a década de 1960, quando fixa residência no Brasil. A possibilidade de se dedicar à fotografia surge apenas aos 45 anos de idade, já que tem de enfrentar as vicissitudes ligadas à imigração durante boa parte da vida adulta. 

Em São Paulo, na década de 1960, passa a administrar uma tinturaria na Rua Nestor Pestana, na região central da cidade. A proximidade com a Praça Roosevelt, tradicional reduto da classe teatral paulistana, e o contato com o centro da metrópole influenciam o trabalho da fotógrafa, que tem notável fascínio pelo mundo do teatro e registra o universo de travestis e transformistas. Como aponta o filho de Madalena, o crítico literário Jorge Schwartz (1944), a aprendizagem do claro-escuro, da iluminação, tão bem explorada em suas fotos, é resultado do trabalho no meio artístico paulista durante essa década. 

Começa a estudar fotografia no Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB) em 1966. No ano seguinte, ganha menção honrosa no 1º Salão Nacional de Arte Fotográfica de São Carlos, interior de São Paulo. Na década de 1970, publica fotografias em revistas como Iris, Planeta, Claudia e Status. Faz sua primeira exposição individual no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1974. 

A produção fotográfica de Madalena Schwartz ganha notabilidade sobretudo com os retratos e as fotografias de personalidades do meio artístico e cultural. A fotógrafa faz registros de artistas plásticos, músicos e intelectuais brasileiros, como Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) e seu filho Chico Buarque (1944), Clarice Lispector (1925-1977), Jorge Amado (1912-2001), e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), de quem faz um retrato particularmente melancólico, de 1982. 

Na opinião do estudioso de fotografia Rubens Fernandes Junior (1949), a produção de Schwartz revela uma carga dramática diferenciada e uma intencionalidade na direção da cena que evidenciam a singularidade e a qualidade de seu trabalho. Utiliza frequentemente luz direta e sem artifícios, que enfatiza o contraste entre preto e branco e os elementos significativos dos ambientes, em perfeita sintonia com os retratados. Já Jorge Schwartz nota nas imagens da fotógrafa uma forte atração pelo que a arte representa como alternativa ao mundo cotidiano e pela possibilidade de explorá-lo de uma nova perspectiva. 

Entre 1979 e 1991, Madalena trabalha para a Rede Globo de Televisão e colabora regularmente com a Editora Abril. Em 1983, recebe o prêmio de melhor fotógrafa da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Nos últimos anos de sua vida, dedica-se à escultura. 

Recebe homenagem póstuma em 1997, com a publicação do livro Personae, com retratos de sua autoria selecionados pela fotógrafa Maureen Bisilliat (1931). Seu acervo, composto de cerca de 16 mil negativos em preto e branco e 450 cromos, é adquirido em 1998 pelo Instituto Moreira Salles (IMS). O Instituto também lança o livro Crisálidas (2012), que traz ao público imagens feitas por Madalena Schwartz durante a década de 1970. São fotografias de artistas, travestis, transformistas e personagens do teatro underground paulistano, contrastando com o momento de repressão imposto pelo regime político da ditadura civil-militar (1964-1985).

Com enquadramento aguçado e uma delicada composição desprovida de artifícios, os retratos de Madalena Schwartz alcançam uma singular expressividade e apresentam ao espectador o mundo e a vida sob novas perspectivas.

Obras 12

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Espetáculos 1

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Exposições 39

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Feiras de arte 2

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Fontes de pesquisa 6

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  • CARBONCINI, Anna (Coord.). Coleção Pirelli/ MASP de Fotografias: v. 8. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: MASP, 1998.
  • Ibirapuera expõe rostos conhecidos. Folha de S.Paulo, São Paulo, 30 de dez. 1997. Ilustrada, Especial-1.
  • Programa do Espetáculo - Os Amantes - 1978.
  • SCHWARTZ, Madalena. Personae: fotos e faces do Brasil. Organização Jorge Schwartz. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 100 p., il. p&b.
  • SCHWARTZ, Madalena. Retratos. Texto Rubens Fernandes Júnior, Pedro Karp Vasquez, Maureen Bisilliat, Jorge Schwartz. São Paulo: Instituto Moreira Salles, [1999]. 44 p., il. p&b.
  • VASQUEZ, Pedro. Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 de mar. 1998.

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