Ordenação

Tipo de Verbete

Filtros

Áreas de Expressão
Artes Visuais
Cinema
Dança
Literatura
Música
Teatro

Período

Temas


Enciclopédia Itaú Cultural
Música

Frejat

Por Editores da Enciclopédia Itaú Cultural
Última atualização: 27.03.2017
21.05.1962 Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro
Roberto Frejat (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Compositor, guitarrista, cantor, produtor. Em 1981, é aluno de geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e acumula a função de guitarrista em três bandas de garagem quando integra a primeira formação do conjunto Barão Vermelho, com Cazuza (1958-1990) no vocal, Guto Goffi na ...

Texto

Abrir módulo

Biografia

Roberto Frejat (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1962). Compositor, guitarrista, cantor, produtor. Em 1981, é aluno de geografia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e acumula a função de guitarrista em três bandas de garagem quando integra a primeira formação do conjunto Barão Vermelho, com Cazuza (1958-1990) no vocal, Guto Goffi na bateria, Maurício Barros nos teclados e Dé no baixo. A banda trilha o circuito underground carioca e estreia para um público maior no verão de 1982, no Circo Voador, no Bairro do Arpoador. Frejat passa a se dedicar somente ao Barão Vermelho, em que se torna compositor principal ao lado do letrista Cazuza. Ezequiel Neves (1935-2010), crítico de música e produtor da Som Livre, aposta na banda e negocia sua contratação por esse selo.

O primeiro álbum, Barão Vermelho (1982), recebe atenção e elogios da mídia, mas tem vendagens medianas. Barão Vermelho 2 (1983) emplaca após Ney Matogrosso gravar Pro Dia Nascer Feliz, que em seguida faz sucesso na versão original da banda. Ganha enfim projeção nacional ao participar da trama e da trilha sonora do filme Bete Balanço, 1984, de Lael Rodrigues. No mesmo ano, lança o álbum Maior Abandonado. Apresenta-se no festival Rock in Rio, em 1985, ano em que Cazuza se desliga da banda. Frejat passa a acumular as funções de guitarrista e vocalista do Barão Vermelho, e divide o processo de composição com os demais integrantes e com parceiros convidados. Também compõe com Cazuza para a carreira solo do amigo: as parcerias mais conhecidas são as canções Só as Mães São Felizes, Ideologia e Blues da Piedade.

Lança, em 1986, Declare Guerra, o primeiro disco do Barão Vermelho pós-Cazuza. A banda é contratada pela Gravadora Warner e lança Rock'n'Geral, em 1987. O álbum Carnaval, de 1988, assinala nova fase de sucesso. Os discos Na Calada da Noite (1990), Supermercados da Vida (1992), Carne Crua (1994), Álbum (1996), Puro Êxtase (1998) e Barão Vermelho (2004) solidificam o prestígio do Barão Vermelho. Em 2001, Frejat se lança em carreira solo, com aposta em baladas roqueiras de teor romântico, distantes da ênfase no blues e no hard rock do Barão Vermelho. Grava canções em parcerias com Leoni (50 Receitas, 2003, e A Chave da Porta da Frente, 2005), Alvin L. (Homem Não Chora, 2001), Erasmo Carlos [(1941) Paz Nunca Mais, 2003], Gustavo Black Alien (Eu Não Quero Brigar Mais Não, 2008) e Zé Ramalho [(1949) Tua Laçada, 2008].

Frejat atua também como produtor de alguns discos próprios, do Barão Vermelho e da banda Inocentes (1989). De outros artistas, produz Rei, 1994, um tributo a Roberto Carlos (1941), com bandas convidadas como Pato Fu, Chico Science & Nação Zumbi, Kid Abelha; e O Dia em que Seremos Todos Inúteis, 1995, do conjunto de manguebeat Jorge Cabeleira.

Análise

Frejat chama atenção no cenário musical brasileiro como guitarrista do Barão Vermelho, função na qual ganha destaque no rock nacional dos anos 1980, juntamente com Lulu Santos (1953) e Edgard Scandurra (1962). Ao contrário da maior parte dos guitarristas de então, afinados com tendências pop aglutinadas na terminologia new wave, Frejat bebe na fonte roqueira de íntimo contato com o blues. Sua maior inspiração é o estilo rhythm'n'blues personificado por Keith Richards, dos Rolling Stones. Assim como o roqueiro inglês, Frejat privilegia o ritmo e o pulso, mais do que a melodia: sua guitarra atua como base, a serviço do diálogo com os demais instrumentos. Quando ela atua como protagonista, pauta-se por solos curtos e cortantes, e por riffs (frases musicais repetidas ao longo de uma canção) inspirados, que colam no ouvido - não por acaso são o carro-chefe de algumas das músicas mais famosas do Barão Vermelho, como Bete Balanço, Maior Abandonado, Torre de Babel e Pense e Dance.

Como compositor, Frejat se notabiliza pela parceria com o letrista Cazuza. A simbiose criativa da dupla resulta em letras transgressivas embaladas por uma música pulsante, o que faz com que ela seja lembrada como a versão brasileira mais próxima da famosa parceria Jagger & Richards, dos Rolling Stones. A parceria rende uma série de canções emblemáticas do rock brasileiro dos anos 1980, tais como Todo Amor que Houver Nessa Vida, Down em Mim, Pro Dia Nascer Feliz, Blues do Iniciante, Maior Abandonado, Carente Profissional e Por que a Gente É Assim? Após a saída de Cazuza do Barão Vermelho, Frejat compõe com os demais integrantes e com parceiros convidados, como os roqueiros Arnaldo Antunes [(1960) Lente, 1988] e Clemente (Fios Elétricos, 1992), o produtor Ezequiel Neves (Declare Guerra, 1986), a cantora pop Dulce Quental (O Poeta Está Vivo, 1990) e os poetas Jorge Salomão (Fúria e Folia, 1992), Mauro Santa Cecília (Por Você, 1998), Antonio Cícero [(1945) Bagatelas, 1986] e Hermínio Bello de Carvalho (Balada do Anjo, 1995).

Frejat torna-se uma das vozes mais conhecidas do rock brasileiro ao assumir também o posto de vocalista no Barão Vermelho. Cantor de impostação firme, dicção perfeita e timbre grave, recorre muitas vezes ao canto falado, fazendo pouco uso do canto gritado, tão comum ao gênero do rock. Diversas músicas gravadas por Cazuza tornam-se conhecidas também em sua voz, por meio de shows registrados e lançados pelo Barão Vermelho - entre eles destacam-se Barão ao Vivo (1989) e MTV ao Vivo (2005). Canções popularizadas por outros cantores também fazem sucesso na voz de Frejat. Alguns exemplos são as versões presentes no disco Álbum, de 1996, tais como Amor, Meu Grande Amor, de Angela Ro Ro (1949), Malandragem Dá um Tempo, interpretada originalmente por Bezerra da Silva, e Vem Quente que Eu Estou Fervendo, ícone da jovem guarda entoado por Erasmo Carlos.

A partir de 2001, a bagagem adquirida como guitarrista, compositor e cantor nos 20 anos de Barão Vermelho rende trabalhos frutíferos na carreira solo. Nessa nova linha de frente, o acento blueseiro é abandonado e dá lugar a uma roupagem pop-rock caprichada, que seduz um público mais abrangente. As letras contam com a participação de um amplo leque de parceiros e tematizam relacionamentos românticos ou a busca do amor como uma saída possível para driblar a solidão que aflora nas grandes cidades. Expressam um ponto de vista maduro, construtivo, ou às vezes idealizado. Divergem, salvo exceções, dos teores transgressivos, hedonistas ou de aposta nos encontros e desencontros juvenis que predominam no repertório do Barão Vermelho.

O primeiro disco de Frejat com sua banda de apoio é Amor pra Recomeçar, que emplaca pelo menos três canções de sucesso. A faixa que dá nome ao trabalho tem arranjos compostos em parceria com Maurício Barros, companheiro do Barão, e letra com participação do poeta Mauro Santa Cecília. Trata-se de uma bem-sucedida adaptação do poema Desejo, do escritor francês do século XIX Victor Hugo, que enuncia uma série de recomendações "sábias" para a vida, inclusive no amor, como se vê no refrão: "Desejo que você tenha a quem amar / E quanto estiver bem cansado / Ainda exista amor pra recomeçar". Em Segredos, que Frejat assina sozinho, a temática é a eterna procura do amor perfeito: "Eu procuro um amor / Que ainda não encontrei / Diferente de todos que amei". Homem Não Chora resulta da parceria com o roqueiro Alvin L. e tem refrão marcante, com efeitos sonoros eletrônicos, a letra enunciada por Frejat contradiz o ditado que dá nome à música: "Meu rosto vermelho e molhado / É só dos olhos pra fora / Todo mundo sabe / Que homem não chora".

Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo, 2003, tem título que remete a Só se For a Dois, 1987, álbum do principal parceiro de Frejat, Cazuza. Embora a linha de força seja ainda o pop-rock de enfoque romântico, é mais multifacetado musicalmente que o primeiro e tematiza o amor de diversos prismas. Apologias ao amor e declarações à mulher amada dão o tom na música título e na maliciosa Paz Nunca Mais ("O seu corpo era o pão que a mão de Deus amassou / Uma criação divina, um anjo que vingou"), com letra de Erasmo Carlos. Separações entre casais e dores de cotovelo são a tônica de algumas canções: a balada pop 3 Minutos, de Frejat; a lenta balada ao piano pontuada por guitarra e arranjo de cordas 50 Receitas, de Frejat e Leoni; e Trapaça da Dor, uma típica crônica de Cazuza sobre desilusões amorosas musicada postumamente por Frejat na forma de rock latinizado, com percussão de Peninha e guitarra à maneira do guitarrista mexicano Carlos Santana.

Intimidade entre Estranhos, de 2008, é um desdobramento dos outros trabalhos. A faixa homônima, em parceria com Leoni, tem acompanhamento musical denso e fortes imagens poéticas que exploram a temática da incomunicabilidade na grande cidade. Outras faixas de destaque são Dois Lados, mais uma balada pop com Maurício Barros e Santa Cecília, cuja letra tematiza sentimentos contraditórios no amor; a lírica Tua Laçada, com Zé Ramalho; e Eu Não Quero Brigar Mais Não, declaração de amor repleta de rimas e jogos de palavras do rapper Gustavo Black Alien (1972), adequadas ao formato da canção por Frejat.

Fontes de pesquisa 4

Abrir módulo
  • FREJAT. In: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Disponível em: http://www.dicionariompb.com.br/frejat/dados-artisticos. Acesso em: 24 jan. 2012.
  • NEVES, Ezequiel, GOFFI, Guto e PINTO, Rodrigo. Barão Vermelho: por que a gente é assim?. Rio de Janeiro, Globo, 2007.
  • RIBEIRO, Julio Naves. Lugar nenhum ou Bora Bora?: narrativas do rock brasileiros anos 80. São Paulo: Annablume, 2009.
  • WISNIK, José Miguel. O som e o sentido: uma outra história das músicas. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

Como citar

Abrir módulo

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo: