Artigo da seção pessoas Joubert de Carvalho

Joubert de Carvalho

Artigo da seção pessoas
Teatro / música  
Data de nascimento deJoubert de Carvalho: 06-03-1900 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Uberaba) | Data de morte 20-09-1977 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Reprodução fotográfica Correio da Manhã/Acervo Arquivo Nacional

Biografia

Joubert Gontijo de Carvalho (Uberaba MG 1900 - Rio de Janeiro RJ 1977). Compositor e médico. É o segundo dos dez filhos de um fazendeiro mineiro. Desde criança toca piano e se interessa pelas bandas locais. Em 1913, muda-se com a família para São Paulo, onde estuda no tradicional Ginásio São Bento. Tem aulas de música com uma tia pianista e compõe sua primeira canção, Cruz Vermelha, inspirada no hospital infantil homônimo. Conclui os estudos no Colégio Osvaldo Cruz e, em 1920, influenciado pelo pai, vai para o Rio de Janeiro para cursar a faculdade de medicina. Em 1925, defende a tese de conclusão do curso Sopros Musicais do Coração, e passa a conciliar a carreira de médico com a de compositor.

Em 1922, grava o foxtrote Príncipe, pela Orquestra Augusto Lima (Francisco Alves a grava em 1931 e o violonista Garoto, em 1954). Em seguida, Gastão Formenti grava Canarinho e Rolinha (ambas de 1927) e Casinha do Meu Bem (1928); e Francisco Alves, Traição e Castelo de Luar, parceria com Catulo da Paixão Cearense (ambas de 1928), e Dor de Recordar (1929). Nesse período, conhece o poeta Olegário Mariano (1889 - 1958), com quem compõe Zíngara (1931), Tutu Marambá, Hula (ambas de 1929) e De Papo pro Ar (1931), iniciando uma produtiva parceria. Em 1930, compõe para Carmen Miranda a canção Pra Você Gostar de Mim, seu primeiro grande sucesso, que se torna conhecida popularmente como Taí. Carmen grava 28 canções do compositor. Nessa década, Carvalho compõe Pierrot, interpretada por Jorge Fernandes, escrita para a peça homônima de Paschoal Carlos Magno, e Maringá, feita para os flagelados da seca nordestina e gravada por Gastão Formenti, em 1932, com o objetivo de agradar José Américo de Almeida, tendo em vista uma nomeação no Instituto dos Marítimos. Em 1933, Carvalho é nomeado médico do instituto, torna-se diretor e lá se aposenta.

Na década seguinte, suas canções são gravadas por Orlando Silva (Em Pleno Luar, Maria, Maria) e Silvio Caldas (Minha Casa, Nunca Soubeste Me Amar). Nos anos 1950, torna-se membro e diretor da Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música (Sbacem) e membro do Conselho Federal da Ordem dos Músicos. Participa, em 1969, do 4º Festival Internacional da Canção (FIC), com Fragrância (parceria com Mario Rossi), interpretada por Francisco Petrônio. Em 1970, a canção A Flor e a Vida vence o 2° Festival da Seresta na voz de Antônio João. Carvalho a registra em piano em gravação de 1971 para o fascículo História da MPB, da Editora Abril. É autor do romance Espírito e Sexo.

Paulo Tapajós grava o disco 10 polegadas Melodias Imortais de Joubert de Carvalho, com arranjos de Léo Peracchi, em 1956. No ano seguinte, Alexandre Gnattali lança outro 10 polegadas, A Música de Joubert de Carvalho. Em 1959, o maestro Carlos Monteiro de Souza grava com orquestra e coro o LP Olegário Mariano (o Príncipe dos Poetas) e a Música de Joubert de Carvalho, um songbook dessa parceria. Carlos Galhardo grava em 1962 Joias Musicais de Joubert de Carvalho. Dez anos depois, é lançado o LP Maringá, a Cidade que Nasceu de uma Canção, no jubileu de prata da cidade paranaense, só com composições de Joubert, nas vozes de Agnaldo Rayol, Jairo Aguiar, Ângela Maria, Cyro Monteiro, Ataíde Beck e Silvio Caldas. Dentro da série Grandes Autores, Grandes Intérpretes, a Copacabana lança em LP, em 1978, só composições de Joubert cantadas por José Tobias.

 

Comentário Crítico

Joubert de Carvalho é um daqueles casos em que se consegue conciliar produção musical com outra profissão. Conclui curso universitário, situação rara entre os artistas populares da primeira metade do século XX, forma-se em medicina e exerce a profissão, até se aposentar, simultaneamente à vida artística. Apesar da formação educacional formal, não estuda música de maneira regular. Tem aulas em São Paulo com sua tia, a pianista e compositora Dinorah de Carvalho, e, no Rio de Janeiro, estuda com o maestro Paulo Silva. Suas composições obedecem à intuição presente nos músicos populares, que o próprio compositor identifica como "escutar o ouvido interno". Acompanhado desse tipo de experiência intuitiva, Carvalho cria vários sucessos. Pode-se dizer que ele soube operar com essa realidade ao compor, por exemplo, o foxtrote Príncipe. De relativo sucesso no Brasil em 1922, ele é musicado em francês e apresentado em Paris, é gravado na Europa, circula em diversos países a ponto de, segundo o autor, ser considerada música originária da Tchecoslováquia. Também compõe tangos, como Zezé e Agonia, este gravado, em 1926, por Pedro Celestino, irmão de Vicente Celestino.

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Outras informações de Joubert de Carvalho:

  • Outros nomes
    • Joubert Gontijo de Carvalho
  • Habilidades
    • Compositor
    • médico

Obras de Joubert de Carvalho: (3) obras disponíveis:

Espetáculos (1)

Fontes de pesquisa (5)

  • ALENCAR, Edgar de. Carnaval carioca através da música. Rio de Janeiro: Francisco Alves, Brasília: INL, 5ª ed, 1985.
  • CARVALHO, Joubert. A música brasileira deste século por seus autores e intérpretes. CD, direção de J.C. Botezelli, SESC/SP. Gravação original do Programa Ensaio, Fundação Padre Anchieta, direção de Fernando Faro, 1991.
  • CARVALHO, Joubert. História da música popular brasileira. São Paulo: Abril Cultural, 1971.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. (Ed.). Enciclopédia da Música Popular Brasileira: erudita, folclórica e popular. São Paulo: Art Editora,1977. 2 v.
  • MARIZ, Vasco. História da música no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOUBERT de Carvalho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12652/joubert-de-carvalho>. Acesso em: 05 de Abr. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7